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Livro de Daniel

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(Antigo Testamento) (Daniel)
 

O livro de Daniel é um dos livros do V. T., que na Septuaginta e nas versões em vernáculo segue Ezequiel, mas no cânone hebreu é colocado na terceira divisão. Não foi posto com os profetas porque seu escritor, embora chamado de profeta (Mt 24.15; Antig. 10, 15, 4 e 6), e um dos maiores deles (Antig. 10. 11, 7), ainda que maravilhosamente dotado pelo Espírito de profecia, não foi considerado como oficialmente um profeta. Teve o donum propheticum, mas não o munus propheticum; o presente profético, não a vocação profética. Era oficialmente um estadista, e passou sua vida entre os negócios do estado. Ele não usa a declaração profética comum, “Assim diz o Senhor”, e não exorta seus contemporâneos, que é uma função dos profetas. A maior parte do livro está em hebraico; mas a outra, que se relaciona quase que inteiramente à vida dos judeus numa terra estrangeira, às ações de reis estrangeiros e as profecias a respeito de impérios estrangeiros, começando na metade do versículo 4, capítulo 2, e estendendo-se até ao capítulo 7, versículo 28, está em Aramaico, linguagem comercial e diplomática da época (cp. fenômeno similar em Esdras), O livro pode ser dividido em três seções:

 

1. Introdução. Daniel se prepara com seus três companheiros para o trabalho (1)

 

2. Testemunho dado por Deus pelos quatro, numa corte estrangeira e em grande parte a estrangeiros, do seu controle onisciente e onipotente dos poderes do mundo no seu desenvolvimento e sua relação com o reino de Deus (2-7). Esta seção é escrita em Aramaico. Inclui o sonho de Nabucodonosor da imagem feita de quatro metais e de sua destruição (2); o atentado contra Daniel e seus três companheiros e a libertação da fornalha ardente (3); sonho de Nabucodonosor da árvore derribada (4); a escrita na parede no banquete de Baltazar (5); a trama para destruir Daniel, e sua libertação da guarida dos leões (6); visão de Daniel das quatro bestas e de um como o filho do homem (7). Esta última visão é colocada fora da ordem cronológica podendo formar a transição para o item  3 [seguinte].

 

 3. Visões suplementares de Daniel, tendo especialmente à vista a sorte do povo de Deus (8-12), compreendendo três visões: (1) Concernente a cessação do sacrifício, desolação do santuário, oposição ao príncipe dos príncipes (8; cp. 13, 25). (2) Em vista da próxima conclusão dos setenta anos preditos de exílio, Daniel se preparou para o grande evento confessando o pecado nacional e suplicando seu perdão. Pelas profecias ocorridas anteriormente, poderia supor-se que o reino do Messias seria estabelecido imediatamente depois do término do cativeiro; mas numa visão Daniel é informado que 70 semanas deveriam decorrer, depois que o decreto para a reconstrução de Jerusalém fosse emitido, até que seja feita a reconciliação que trará a eterna justiça (Dn 9). (3) Ele é mais adiante informado por uma visão no terceiro ano do fundador do império persa a respeito da derrota desse império, a perseguição do povo de Deus que lhe seguirá, e o alívio final dos santos, a ressurreição e a glória (10-12). A profecia da imagem, composta de quatro metais, quebrada pela pedra (2.31-45), e aquelas das quatro bestas substituídas por um como o filho do homem (7), retrata quatro poderes mundiais cedendo lugar ao reino de Deus. O quarto império é claramente o romano. Porque: 1°. O segundo império, o Medo-Persa, não pode ser dividido em dois, desde que a Média isoladamente nunca foi um império de projeção mundial. Historicamente, Medos e Persas eram um só império nos dias da supremacia da Média. Houve uma mudança de dinastia, um príncipe Persa obteve o trono Medo, e então a rota Medo-Persa de conquista universal começou. 2°. Daniel fala do império Medo-Persa como uno (5.28; 6.8; 8.20). 3°. Para dividir o império Medo-Persa em dois impérios exige a identificação do leopardo com Pérsia em vez da Grécia. Mas o leopardo tem quatro cabeças (7.6). A Pérsia não foi esfacelada em quatro partes, mas o império macedônio foi (8.21,22; 11.2-4). 4°. O império romano já estava incluído na visão do profeta, e numa interpretação comum, os romanos são referidos em 11.30; e Antíoco, o Grande, em 11.10-20, seria opressivamente derrotado pelos Romanos em Magnésia no ano 190 A. C. Pode ser acrescentado ainda que nas visões, um chifre representa um rei e um reino (7.7,24), são: a Média, a Pérsia ou a Macedônia (8. 20-22); e um chifre pequeno significa o crescimento de um novo rei ou poder, ele pode estar entre os sucessores de Alexandre (8.9,23) ou no meio do império romano (7.8,24). Um chifre não representa sempre um e o mesmo rei, assim também um pequeno chifre para o mesmo indivíduo.

 

A profecia das setenta semanas refere-se também aos padecimentos do reino de Deus (9.24-27). A era profética de que as semanas são consideradas, é um decreto, ou de Deus ou de um rei terrestre, para a reconstrução de Jerusalém (25). O ungido, o príncipe (25), e o Cristo (26) são interpretados, com mais ou menos precisão de raciocínio, como referindo-se a uma ou duas pessoas, podendo ser Ciro ou da linhagem de um sumo sacerdote ou o Cristo. As semanas  sete, sessenta e duas e uma, perfazendo ao todo as setenta semanas (24-27), estão variavelmente distribuídas. Elas são tomadas sucessivamente, para medir um período de 490 anos; ou nas sessenta e duas sem incluir as sete, de modo que um período de 434 anos somente seja coberto; ou os números são examinados na ordem inversa, como é mencionado no versículo 25, e um período significativo de sete semanas faz-se seguir pelos períodos de sessenta e duas semanas, e uma semana. As teorias que consideram o decreto como um édito divino são principalmente duas. Elas contam uma era qualquer no início do exílio, 605 A. C. (cp. Jr 25.11), ou a destruição de Jerusalém, 587 A. C. (cp. 29.10, escrito em seguida ao início do cativeiro de Jeoaquim, versículo 2; 30.18; 31.38). É preciso acrescentar que o ano 450 A. C. também foi apontado, na teoria que os setenta anos de castigo foram contados em dobro (Jr 16.18; Is 40.2), que um decreto divino a favor de Sião implicou seu fim. As teorias que datam a era do decreto de um monarca terreno são quatro: 1. O édito de Ciro, 538 A. C. (Ed 1.2-4; 6.3,5; cp. Is 44.28; 45.1-13), quando  havia começado as providências para a reconstrução do templo ( Ed 6.14,15; Ag 1.14,15). 2. O decreto de Dario (Ed 6.6-12). 3. O édito do sétimo ano de Artaxerxes, 457 A. C. (Ed 7.11-27), concedia aos judeus autoridade absoluta em questões religiosas e civis (25, 26), debaixo do qual eles prosseguiam na edificação dos muros da cidade (4.12). Esse trabalho foi temporariamente interrompido por um novo decreto (4.21). 4. O decreto do vigésimo ano de Artaxerxes, 444 A. C., que incluiu a permissão de restaurar e fortificar a cidade (Ne 2.3,5,8, 17,18). O problema tem assim três fatores, tendo cada qual diversas interpretações: o decreto, o ungido, e as semanas; e estes fatores estão sujeitos a várias combinações.  De todas estas combinações, usando quaisquer dos decretos como um ponto de partida, e contando para a frente as sessenta e duas ou sessenta e nove semanas de sete anos cada, e esperando o tempo de Antíoco Epifanes ou aquele do Cristo ser alcançado por esta medida, só uma combinação dá um resultado. Todas as outras exige uma invenção de história, ou envolve um artifício cronológico incomum, ou termina num mistério não solucionado, ou assume um erro de cálculo bruto do intervalo pelo autor. A combinação que coincide com a história conhecida por todos, começa com o decreto de Artaxerxes no seu ano sétimo, 457 A. C. Um período de sete semanas ou quarenta e nove anos terminaria aproximadamente em 408 A. C., a reforma promovida por Esdras e Neemias e realizada durante este período caracterizou-o como um todo. Ignora-se quando esta reforma deixou ser a característica  dominante do reino de Deus, mas o sucessor de Neemias, que era persa e naturalmente não tinha compromissos com a religião de Jeová, estava no ofício em 411 A. C., antes do fim da sétima semana. Então seguem-se sessenta e duas semanas ou 434 anos, levando-nos até ao ano 26, A. D., tempo em que Jesus começou seu ministério público, A. D. 27, provavelmente no início deste ano. Depois destas três pontuações e duas semanas o ungido foi eliminado (Dn 9.26), fazendo brotar a reconciliação, a expiação da iniquidade e trazendo a justiça eterna, conforme dito no versículo 24; e no meio desta última semana não faltou o sacrifício e a oblação, não proibindo-os, mas o sacrifício no Calvário tornou todos os outros doravante desnecessários. Não obstante a coincidência da profecia com os acontecimentos conhecidos da história do reino de Deus, e o significado desta correspondência, mas bem provavelmente as setenta, e as sete semanas separadas a princípio, e a semana retirada delas no fim, são todas medidas calculadas simbolicamente, não matematicamente, um vasto período na história do Reino de Deus na Terra. Outros números são também muito usados no livro de Daniel. O simbolismo de quatro e de dez, por exemplo, mesmo quando o número corresponde a pessoas ou acontecimentos da história, provavelmente determinavam muitas vezes o número particular de exemplos históricos citados, e era sem dúvida sentido pelo profeta com a lembrança dos sonhos e das visões.

 

A largueza de perspectiva e a compreensão das profecias de Daniel são percebidas à luz das referências a este livro, feitas pelos homens da Bíblia. 1. Nosso Senhor escolheu o título “filho do homem”, pelo qual se referiu a si mesmo mais frequentemente que por qualquer outro título, Dn 7.13,14; colocando assim frontalmente o aspecto que este título denota à sua missão e reino. Veja: Filho do Homem. 2. Cristo advertiu os homens que a abominação da desolação falada pelo profeta Daniel, estaria ainda no lugar santo (Mt 24.15, Mc 13.14; Dn 11.31; 12.11, e 9.27, no texto grego; cp. 2 Ts 2.1-12). Evidentemente, pela explicação do Cristo, o conteúdo da profecia não havia se exaurido quando o altar idólatra foi erguido em altar de Jeová por Antíoco Epifanes (1 Mac. 1.54). Em alguns casos, se não em todas as instâncias a profecia se relaciona a um evento diferente, ou então a abominação da desolação é uma concepção que incorpora uma ideia que virá a se manifestar em forma concreta sempre que a ideia estiver presente como um princípio potente na história. Do mesmo modo os apóstolos entenderam que o chifre pequeno da quarta besta (Dn 7.24); e esse rei que falará insolentemente contra Deus (11.36), pertencem ao futuro e ainda não deviam ser revelado (2 Ts 2.4; Ap 13.5,6). Os sinais característicos do conflito entre o mundo e o reino de Deus indubitavelmente pertenceram à luta amarga no tempo de Antíoco Epifanes, mas não a esse tempo somente. Cristo e os apóstolos viam nestas profecias de Daniel um apocalipse do futuro. Estas revelações não foram exauridas pelos acontecimentos do reino de Antíoco; são grandes em significado para os últimos dias do reino de Deus. 3. A besta que  João viu surgir para fora do mar (Ap 13.1) é um quadro composto das quatro bestas que Daniel viu emergir do mar (Dn 7.3-7). Daniel viu um leão com asas de águia [e uma cabeça], um urso [com uma cabeça], um leopardo com quatro asas e quatro cabeças, e finalmente uma besta com dez chifres [e uma cabeça]. Combinando estas quatro bestas como um animal, a besta que João viu é reproduzida: como um leopardo, mas com os pés de um urso e a boca de um leão, tendo dez chifres e sete cabeças. Daniel descreve quatro reinos deste mundo que se levantam sucessivamente, e são como bestas terrivelmente selvagens e ferozes em seu antagonismo ao reino de Deus. João não vê os reinos individualmente, mas todos os reinos deste mundo coletivamente. Ele fita-os como um, não obstante as diferenças externas. E João vê o dragão, a serpente tentadora do Éden (Ap 12.3,9), adaptar-se em aparência à besta, porque o dragão é que anima e molda o espírito no reino do mundo. E nem Daniel nem a João são apresentadas as grandes potências em seu aspecto político, mas unicamente como representantes do mundo em seu antagonismo ao reino de Deus. Não é a grandeza das nações, mas sua relação com o reino de Deus que é o objeto principal da profecia. Este fato é importante, e fornece uma pista para a revelação nos capítulos 9 e 12 do livro de Daniel. Sugere que nestes capítulos também o objetivo é não desvendar a história política, mas principalmente esboçar os movimentos apocalipticamente grandes do mundo em relação ao reino de Deus. Os inimigos de Sião virão, vindo sempre do norte e sul. Tornando-se essa circunstância histórica apocalipticamente, a visão retrata uma luta entre as grandes potências opostas, uma guerra de poderes variáveis; a derrota gradual do rei do sul e o triunfo final do rei do norte, e seu último conflito fatal com o Reino de Deus. O quadro é uma parte complementar a Ez 38 e 39. 4. Daniel fala do tempo do fim, isso é, do final dos tempos; época da última indignação [de Deus] (Dn 8.19; cp. 11.36), quando o juízo estiver sendo executado sobre os reinos do mundo e o reino eterno de Deus estiver sendo estabelecido (cp. 10.14), vindo após a consumação (12.1-3). É o período final do conflito entre os poderes do mundo e o Reino de Deus, terminando na vitória completa do reino (11.40 a 12.4). Os apóstolos também falam deste período, chamam-no, a última hora, os últimos tempos, ou, os últimos dias; e aludem a ele como se já houvesse iniciado naqueles dias, mas não finalizado, e destinado a testemunhar uma manifestação do anticristo (2 Ts 2.2-4; 2 Tm 3.1; 1 Jo 2.18; Jd 18). Estes homens do Novo Testamento viam claramente o alcance e o significado das profecias de Daniel acerca dos últimos dias, e tiveram a sensação de viverem naquele período predito. A unidade do livro de Daniel raramente é questionada. A teoria tem, certamente, avançado, e tem seus advogados no presente, que a seção de Aramaico, pelo menos a que é compreendida nos capítulos 2 a 4, é uma composição independente, escrita em Aramaico dois ou três séculos antes do tempo dos Macabeus. Mas geralmente a integridade essencial do livro é concebida como escrita por um homem. Nos primeiros sete capítulos Daniel  fala na terceira pessoa do singular e às vezes em termos encomiásticos (1.19,20; 2.14; 5.11,12; 6.3; cp. Paulo, falando de si próprio, 2 Co 2.15; 10.8; 11.5, 23 e seg.); e nos capítulos subsequentes ele fala na primeira pessoa. Muitos críticos negam que o livro foi composto por Daniel; e sua negação estende-se a essas partes em que a primeira pessoa é usada como também para aquela parte onde a terceira pessoa é empregada. Eles geralmente datam sua publicação cerca de 168 ou 167 A. C., no tempo dos Macabeus, e não estão de acordo se ele foi ou não escrito para sustentar a fé dos judeus sob a terrível quão furiosa perseguição de Antíoco Epifanes. Os argumentos principais contra a originalidade do livro são: (1) Daniel não é mencionado entre os notáveis pelo filho de Siraque no livro de Eclessiástico (49), mais ou menos 200 A. C., embora mencione Ezequiel, Neemias, e os profetas menores. (2) O uso de palavras gregas pelo escritor, o que indica que ele viveu no período grego (3) inexatidões históricas, indicando que ele não era uma testemunha ocular dos acontecimentos que descreve, mas viveu num período distante deles. (4) As profecias dão detalhes históricos somente até a morte de Antíoco Epifanes. Estes argumentos são respondidos como segue: 1º) É verdade que o filho de Siraque não faz menção ao nome de Daniel; mas também não menciona Esdras e outros homens notáveis, como Gideão, Sansão e Josafá. ) As palavras gregas limitam-se aos nomes de instrumentos musicais e encontram-se no versículo 5 do capítulo três. A origem grega de pelo menos dois destes nomes é livremente concedida a: psantrin do grego psalterio e symphonea, do grego symphonia. Mas estes fatos vão contra a composição do livro por Daniel em Babilônia cerca de 530 A. C.? De modo algum; porque instrumentos tais como aqueles descritos estavam em uso nos vales do Tigre e do Eufrates nos dias de Daniel. Além do mais, não há dúvida que naquela época a música era uma característica  da região nas procissões triunfais e os servos da corte de terras distantes tocavam-nas em seus próprios instrumentos musicais. Assurbanipal usou muitos elamitas neste ofício. Senaqueribe levou de Judá tanto cantores homens como mulheres. Dos judeus cativos de Sião eram solicitadas canções e harpejas musicais (Sl 137.1-3). Existia também suficiente intercurso entre os impérios do Tigre e os povos ocidentais para que os instrumentos gregos e seus nomes fossem aí introduzidos. Os reis Assírios de Sargon para a frente, 722 A. C., para não falar de monarcas anteriores, tinham feito prisioneiros e recebido tributos de Chipre, Iônia, Lídia e Cilicia, que estavam em terras gregas. Nabucodonosor guerreou contra as cidades no Mediterrâneo; era costume destes conquistadores introduzir instrumentos e músicas gregas em suas cortes. Finalmente, o idioma da passagem em questão é o arameu e não o  babilônico. Os aramaicos estiveram durante séculos em contato com os povos do ocidente; e sua linguagem era o idioma usado por todos nas relações diplomáticas (cp. 2 Rs 18.28), e eles eram os intermediários do comércio, que lidavam com os bens do Oriente e do Ocidente. Sua linguagem miscigenou-se de palavras estrangeiras destas fontes. O escritor do Livro de Daniel usa Aramaico, é natural que empregue nomes correntes entre os Arameus para instrumentos desta espécie. Resta a esses que baseiam seus argumentos nestas palavras contra a autenticidade do Livro de Daniel, provar que estes termos usados não eram correntes antes do sexto século, A. C.  3º) As inexatidões históricas afirmadas, não são declarações que são desmentidas pela história, mas unicamente declarações que pareceram difíceis de harmonizarem-se com as escassas narrações de historiadores seculares. Não foi provada nenhuma contradição entre os registros de Daniel e a história estabelecida. As inexatidões históricas afirmadas, além do mais, têm continuamente diminuído ante o conhecimento crescente dos tempos de Ciro. A existência do rei Baltazar foi posta em dúvida, mas agora os registros contemporâneos da captura de Babilônia fizeram-no conhecido historicamente; explicam porque é que ele elevou Daniel ao terceiro lugar de poder no seu reino, em vez do segundo, porque seu pai e ele já ocupavam os dois lugares mais eminentes; e esclarece porque ele e não Nabonido é mencionado como rei de Babilônia na noite da captura da cidade (veja Baltazar). Não são claras as referências de que Dario, o Medo, recebeu o reino, mas mostram que a nomeação de um regente para Babilônia por Ciro estava no acordo com sua política. As insinuações a Baltazar como um descendente de Nabucodonosor era costume da época.  Em vista das revelações em caracteres cuneiformes, é arrojado afirmar que há incorreções históricas no livro de Daniel. 4º) As profecias, certamente, dão detalhes históricos até a morte de Antíoco Epifanes (8). Mas não são as profecias definitivas para tempos posteriores a Antíoco? O quarto reino descrito nos capítulos 2 e 7 não pode ser nenhum outro exceto o império Romano (veja acima), que sucedeu o império universal num momento subsequente a Antíoco, e cujo desenvolvimento é descrito no livro de Daniel. O Aramaico do livro de Daniel foi provado, por documentos recentemente descobertos, ser o mesmo do início do quinto século A. C., ao menos no ocidente. A profecia de Daniel é citada pelo Cristo como genuína e de realização certa (Mt 24.15). Josefo acreditava que as profecias de Daniel já existiam antes da época de Alexandre, o Grande, 330 A. C. (Antig. 11. 8, 5), e mesmo antes dos dias de Artaxerxes (Contra Apiom 1. 8). A libertação de Sadraque, Mesaque e Abenego da fornalha ardente e de Daniel da cova dos leões são citadas em 1 Mac. 2. 59, 60; cp. também 1 Mac 1. 54 com Dn 9.27; 11.31W — (Dicionário da Bíblia de John D. Davis©