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EPM — Estudo e Prática da Mediunidade

PROGRAMA II — MÓDULO DE ESTUDO Nº II
FUNDAMENTAÇÃO ESPÍRITA — OS PARTICIPANTES DA REUNIÃO MEDIÚNICA

 

Roteiro 4

 

Capacitação do trabalhador da mediunidade

 

Objetivos específicos: Destacar a importância da capacitação contínua do trabalhador do grupo mediúnico. — Apresentar como exemplo um roteiro de capacitação.


 

SUBSÍDIOS

 

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. Paulo (1 Coríntios 15:58)

 

Estas palavras de Paulo, o valoroso apóstolo dos gentios, atravessam os séculos e chegam até nós, saturadas de elevado magnetismo. Indicam que perante as nossas atividades espíritas devemos agir com firmeza e constância, pois se trata de um trabalho de melhoria espiritual que, no devido tempo, sob as bênçãos do Senhor, colheremos os frutos de paz e alegria.

 

1. INTRODUÇÃO

 

Allan Kardec, no Projeto 1868 destaca a importância de um curso regular de Espiritismo, «[…] com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns.» (1)

A execução correta de qualquer trabalho requer preparo anterior. Assim também ocorre na área mediúnica. Mediunidade com Jesus exige permanente estudo evangélico-doutrinário, pois não é admissível participar de tarefas nesta área, sem o devido preparo. A propósito, assinala Kardec: «Todos os dias a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos, com que muitos topam na prática do Espiritismo, se originam da ignorância dos princípios desta ciência […].» (2)

Assim, é preciso estudar de forma metódica e sistemática a Doutrina Espírita, à luz do Evangelho de Jesus, antes, durante e após o ingresso na tarefa mediúnica.

 

2. IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA MEDIUNIDADE

 

Emmanuel esclarece que a «[…] primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias.» (7) Elucida também que a «[…] especialização na tarefa mediúnica é mais que necessária e somente de sua compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de vulgarização da verdade a realizar.» (8)

Dessa forma, o «[…] médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação. Somente desse modo poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada, cooperando eficazmente com os Espíritos sinceros e devotados ao bem e à verdade.» (9)

O aperfeiçoamento do Espírito é incessante, seja na condição de encarnado ou de desencarnado. Após a desencarnação os Espíritos prosseguem em seu propósito de adquirir conhecimento: «[…] benfeitores desencarnados e os Espíritos familiares estudam sempre a fim de se tornarem mais úteis na obra da educação e do consolo junto a Humanidade Terrestre.» Há, inclusive, no além-túmulo, instituições e organizações devotadas à preparação de trabalhadores que atuam na área da mediunidade, como o “Centro dos Mensageiros”, localizado na colônia espiritual Nosso Lar, segundo relata André Luiz: «[…] Não preparamos, pois, neste Centro, simples postalistas, mas Espíritos que se transformem em cartas vivas de Jesus para a Humanidade encarnada. Pelo menos, este é o programa de nossa administração espiritual…» (10)

 

3. ESTRUTURA DE UM PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DO TRABALHADOR DO GRUPO MEDIÚNICO

 

3.1 - Fundamentos

 

Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. Paulo (2 Timóteo, 2:15)

 

A capacitação do trabalhador está assentada em dois fundamentos básicos, que constituem os seus referenciais:

a) Conhecimento doutrinário, extraído das obras codificadas por Allan Kardec, e, das suplementares a estas, de autoria de Espíritos fiéis às orientações da Doutrina Espírita;

b) Conduta espírita, ética e moral, segundo as orientações de Jesus, contidas no seu Evangelho.

As suas diretrizes estão, pois, fundamentadas em Kardec e em Jesus, compreendendo-se que a prática mediúnica, sem orientação doutrinária espírita e sem o esclarecimento do Evangelho, não conduz aos objetivos propostos para o Curso. (5)

 

3.2 - Finalidade

 

E a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. Jesus (Mateus, 25:15)

 

O trabalhador da mediunidade deve compreender que a mediunidade é uma faculdade natural do ser humano, e, por este fato, o médium influencia e recebe influências em qualquer situação e plano da vida, e não apenas nas reuniões mediúnicas. Neste sentido, é importante resgatar o seguinte conceito de médium, existente em O Livro dos Médiuns: «Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns.» (4) A prática mediúnica, portanto, deve ser exercida com correção, pois, conforme alerta o Codificador, de «[…] muitas dificuldades se mostra inçada a prática do Espiritismo e nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo sério e completo pode obviar.» (3)

 

3.3 - Objetivos

 

Mas faça-se tudo decentemente e com ordem. Paulo (1 Coríntios, 14:40)

 

Os participantes do grupo mediúnico devem ser continuamente capacita- dos, considerando os seguintes objetivos:

  • Aprofundar o conhecimento de temas doutrinários, sobretudo os relacionados à prática mediúnica.

  • Desenvolver o gosto pelo estudo espírita, integrando o conhecimento adquirido nas ações cotidianas.

  • Identificar e corrigir erros e obstáculos à prática mediúnica realizada em reuniões mediúnicas sérias.

  • Auxiliar a integração dos participantes nas atividades da Casa Espírita.

A mesma dedicação e cuidados empregados em outras atividades que fazem parte do nosso cotidiano, devem ser implementados no trabalho espírita. Paulo nos chama a atenção sobre este fato. E, no que diz respeito à reunião mediúnica a ordem, o estudo, o aperfeiçoamento moral e intelectual são ações comuns.

 

3.4 - Tipos de capacitação

 

Examinai tudo. Retende o bem. Paulo (l Tessalonicenses, 5:21)

 

O programa de capacitação do trabalhador do grupo mediúnico abrange, basicamente, duas modalidades: uma semanal e contínua realizada nos grupos de educação da mediunidade, nos 15 a 30 minutos que antecedem a manifestação dos Espíritos. Outra semestral ou anual, na forma de seminários, simpósios ou jornadas, que devem contar com a participação dos integrantes de todos os grupos mediúnicos existentes na Casa Espírita. É importante examinar os conteúdos dos cursos de aperfeiçoamento do trabalhador do grupo mediúnico, conforme instrui o apóstolo, retendo o que é bom e útil ao trabalho.

O estudo semanal deve ser realizado num clima harmônico que não favoreça debates ou discussões acaloradas, considerando-se a manifestação dos Espíritos que ocorrerá posteriormente. Em geral, fazem-se estudos sucintos e esclarecedores de assuntos referentes à prática mediúnica, como, por exemplo, os da série André Luiz; da obra Seara dos Médiuns, de Emmanuel; No Invisível, de Léon Denis etc. Reuniões mais extensas, tanto no que diz respeito à complexidade do assunto quanto à utilização de espaço de tempo superior a trinta minutos, como por exemplo, o estudo metódico de O Livro dos Médiuns, devem ser realizadas em dias e horários que não sejam os prefixados para a reunião de prática mediúnica, propriamente dita (reuniões de educação da mediunidade e de desobsessão). (6)

No estudo semestral ou anual analisam-se temas direcionados para as dificuldades surgidas na prática mediúnica, tais como: educação mediúnica, diálogo com os Espíritos, etc. Esses encontros abrangem uma jornada de trabalho caracterizada por um, dois ou até mais dias. É possível contar com a presença de espíritas mais experientes que, em conjunto com os participantes, enfocam tópicos de interesse geral, além da sempre útil troca de experiências.

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. Obras póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 39. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Segunda parte, Projeto 1868, item: Ensino espírita, p. 376.

2. Idem - O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 78. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Introdução, p. 13.

3. Idem, ibidem - p. 14.

4. Idem - Segunda parte. Cap. 14, item 159, p. 211.

5. FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA. Estudo e prática da mediunidade. Programa I. 3. ed. Brasília: 2005, p. 10.

6. XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 66 (Reuniões de estudos mediúnicos), p. 229.

7. XAVIER, Francisco Cândido. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006, questão 387, p. 215.

8. Idem, ibidem - Questão 388, p. 216.

9. Idem, ibidem - Questão 392, p. 218.

10. Idem - Os mensageiros. Pelo Espírito André Luiz. 43. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 3 (No centro de mensageiros), p. 26.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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