Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Consolador — Emmanuel — 3ª Parte.


V
MEDIUNIDADE

Preparação

(Sumário)

392.Pode contar um médium, de maneira absoluta, com os seus guias espirituais, dispensando os estudos?

— Os mentores de um médium, por mais dedicados e evolvidos, não lhe poderão tolher a vontade e nem afastar-lhe o coração das lutas indispensáveis da vida, em cujos benefícios todos os homens resgatam o passado delituoso e obscuro, conquistando méritos novos.

O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua iluminação própria. Somente desse modo poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada, cooperando eficazmente com os Espíritos sinceros e devotados ao bem e à verdade.

Se um médium espera muito dos seus guias, é lícito que os seus mentores espirituais muito esperem do seu esforço. E como todo progresso humano, para ser continuado, não pode prescindir de suas bases já edificadas no espaço e no tempo, o médium deve entregar-se ao estudo, sempre que possível, criando o hábito de conviver com o Espírito luminoso e benéfico dos instrutores da Humanidade, sob a égide de Jesus, sempre vivos no mundo, através dos seus livros e da sua exemplificação.

O costume de tudo aguardar de um guia pode transformar-se em vício detestável, infirmando as possibilidades mais preciosas da alma. Chegando-se a esse desvirtuamento, atinge-se o declive das mistificações e das extravagâncias doutrinárias, tornando-se o médium preguiçoso e leviano responsável pelo desvio de sua tarefa sagrada.


393.Como entender a obsessão? É prova inevitável, ou acidente que se possa afastar facilmente, anulando-lhe os efeitos?

— A obsessão é sempre uma prova, nunca um acontecimento eventual. No seu exame, contudo, precisamos considerar os méritos da vítima e a dispensa da misericórdia divina a todos os que sofrem.

Para atenuar ou afastar os seus efeitos, é imprescindível o sentimento do amor universal no coração daquele que fala em nome de Jesus. Não bastarão as fórmulas doutrinárias. É indispensável a dedicação, pela fraternidade mais pura. Os que se entregam à tarefa da cura das obsessões precisam ponderar, antes de tudo, a necessidade de iluminação interior do médium perturbado, porquanto na sua educação espiritual reside a própria cura. Se a execução desse esforço não se efetua, tende cuidado, porque, então, os efeitos serão extensivos a todos os centros de força orgânica e psíquica. O obsidiado que entrega o corpo, sem resistência moral, às entidades ignorantes e perturbadas, é como o artista que entregasse seu violino precioso a um malfeitor, o qual, um dia, poderá renunciar à posse do instrumento que lhe não pertence, deixando-o esfacelado, sem que o legítimo, mas imprevidente dono, possa utilizá-lo nas finalidades sagradas da vida.


394.Será sempre útil, para a cura de um obsidiado a doutrinação do Espírito perturbado, por parte de um espiritista convicto?

— A cooperação do companheiro vale muito e faz sempre grande bem, principalmente ao desencarnado; mas a cura completa do médium não depende tão só desse recurso, porque, se é fácil, às vezes, o esclarecimento da entidade infeliz e sofredora, a doutrinação do encarnado é a mais difícil de todas, visto requisitar os valores do seu sentimento e da sua boa vontade, sem o que a cura psíquica torna-se inexequível.


395.Pode a obsessão transformar-se em loucura?

— Qualquer obsessão pode transformar-se em loucura, não só quando a lei das provações assim o exige, como também na hipótese de o obsidiado entregar-se voluntariamente ao assédio das forças nocivas que o cercam, preferindo esse gênero de experiências.


396.Em se tratando da necessidade de preparação para a tarefa mediúnica, é justo acreditarmos na movimentação de fluidos maléficos em prejuízo do próximo?

— É o caso de vos perguntarmos se não haveis movimentado as energias maléficas, no decurso da vida, contra a vossa própria felicidade.

Num orbe como a Terra, onde a percentagem de forças inferiores supera quase que esmagadoramente os valores legítimos do bem, a movimentação de fluidos maléficos é mais que natural; todavia, urge ensinar aos que operam, nesse campo de maldade, que os seus esforços efetuam uma sementeira infeliz, cujos espinhos, mais tarde, se voltarão contra eles próprios, em amargurados choques de retorno, fazendo-se mister, igualmente, educar as vítimas de hoje na verdadeira fé em Jesus, de modo a compreenderem o problema dos méritos na tarefa do mundo.

A aflição do presente pode ser um bem a expressar-se em conquistas preciosas no futuro, e, se Deus permite a influência dessas energias inferiores, em determinadas fases da existência terrestre, é que a medida tem sua finalidade profunda, ao serviço divino da regeneração individual.


397.Por que razão alguns médiuns parecem sofrer com os fenômenos da incorporação, enquanto outros manifestam o mesmo fenômeno, naturalmente?

— Nas expressões de mediunismo existem características inerentes a cada intermediário entre os homens e os desencarnados; todavia, a falta de naturalidade do aparelho mediúnico, no instante de exercer suas faculdades, é quase sempre resultante da falta de educação psíquica.


398.É natural que, em plenas reuniões de estudo, os médiuns se deixem influenciar por entidades perturbadoras, que costumam quebrar o ritmo de trabalhos proveitosos e sinceros de educação?

— Tal interferência não é natural e deve ser muito estranhável para todos os estudiosos de boa vontade.

Se o médium que se entregou à atuação nociva é insciente dos seus deveres à luz dos ensinamentos doutrinários, trata-se de um obsidiado que requer o máximo de contribuição fraterna; mas, se o acontecimento se verifica através de companheiro portador do conhecimento exato de suas obrigações, no círculo de atividades da Doutrina, é justo responsabilizá-lo pela perturbação, porque o fato, então, será oriundo da sua invigilância e imprevidência, em relação aos deveres sagrados que competem a cada um de nós no esforço do bem e da verdade.


399.Quando a opinião irônica ou insultuosa ataca uma expressão da verdade, no campo mediúnico, é justo buscarmos o apoio dos Espíritos amigos para revidar?

— Vossa inquietação no mundo costuma conduzir-vos a muitos despautérios.

Semelhante solicitação aos desencarnados seria um deles. Os valores de um campo mediúnico triunfam por si mesmos, pela essência de amor e de verdade, de consolação e de luz que contenham, e seria injustificável convocar os Espíritos para discutir com os homens, quando já se demasiam as polêmicas dos estudiosos humanos entre si.

Além do mais, os que não aceitam a palavra sincera e fraternal dos mensageiros do Plano superior terão, igualmente, de buscar o túmulo algum dia, e é inútil perder tempo com palavras, quando temos tanto o que fazer no ambiente de nossas próprias edificações.


400.Poderá admitir-se que um médium se socorra de outro médium para obter o amparo dos seus amigos espirituais?

— É justo que um amigo se valha da estima fraternal de um companheiro de crença, para assuntos de confiança íntima e recíproca, mas, na função mediúnica, o portador dessa ou daquela faculdade deve buscar em seu próprio valor o elemento de ligação com os seus mentores do Plano invisível, sendo contraproducente procurar o amparo, nesse particular, fora das suas próprias possibilidades, porque, de outro modo, seria repousar numa fé alheia, quando a fé precisa partir do íntimo de cada um, no mecanismo da vida.

Além do mais, cada médium possui a sua esfera de ação no ambiente que lhe foi assinalado. Abandonar a própria confiança para valer-se de outrem, seria sobrecarregar os ombros de um companheiro de luta, esquecendo a cruz redentora que cada Espírito encarnado terá de carregar em busca da claridade divina.


401.A mistificação sofrida por um médium significa ausência de amparo dos mentores do Plano espiritual?

— A mistificação experimentada por um médium traz sempre uma finalidade útil, que é a de afastá-lo do amor-próprio, da preguiça no estudo de suas necessidades próprias, da vaidade pessoal ou dos excessos de confiança em si mesmo.

Os fatos de mistificação não ocorrem à revelia dos seus mentores mais elevados, que, somente assim, o conduzem à vigilância precisa e às realizações da humildade e da prudência no seu mundo subjetivo.


Emmanuel


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