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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Complementar

Módulo VI — Obsessão e Desobsessão

 

Roteiro 3

 

Obsessão e enfermidades mentais

 

Objetivo Geral: Possibilitar entendimento da obsessão e da desobsessão sob a ótica espírita.

Objetivo Específico: Estabelecer relação entre obsessão e enfermidades mentais.


 

CONTEÚDO BÁSICO

 

  • A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como consequência a loucura?

    Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tomamos verdadeiros loucos. Allan Kardec: O Livro dos Médiuns. Cap. XXIII, item 254, 6.ª pergunta.

  • Pode a obsessão transformar se em loucura?

    Qualquer obsessão pode transformar se em loucura, não só quando a lei das provações assim o exige, como também na hipótese de o obsidiado entregar se voluntariamente ao assédio das forças nocivas que o cercam, preferindo esse gênero de experiências. Emmanuel: O Consolador, questão 395.

 


 

SUGESTÕES DIDÁTICAS

 

Introdução:

  • Pedir à turma, no início da aula, que leia silenciosamente os Subsídios deste roteiro, destacando os pontos considerados importantes.

  • Ouvir as informações dos participantes, relacionadas aos pontos destacados, comentando-as rapidamente.

 

Desenvolvimento:

  • Concluído o comentário, dividir a turma em duplas e entregar a cada uma delas uma questão para ser analisada e respondida.

  • Observação: ver sugestão de questões, no anexo 2.

  • Pedir que as duplas apresentem, em plenária, as conclusões do trabalho.

  • Esclarecer as possíveis dúvidas surgidas durante os relatos.

 

Conclusão:

  • Entregar à turma cópia da mensagem mediúnica “Mediunidade e alienação mental”, do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, e constante do livro Seara dos Médiuns (veja anexo).

  • Promover breve debate sobre as ideias desenvolvidas pelo autor espiritual, correlacionando-as com as que foram apresentadas no trabalho em plenária.

 

Atividade extraclasse para a próxima reunião de estudo: Solicitar aos participantes a leitura atenta do próximo roteiro (Desobsessão), anotando as principais ideias desenvolvidas no texto.

 

Avaliação:

  • O estudo será considerado satisfatório, se os participantes: a) responderem corretamente às questões propostas; b) correlacionarem as ideias desenvolvidas na mensagem mediúnica com as apresentadas em plenária.

 

Técnica(s):

  • Leitura; estudo em duplas; debate.

 

Recurso(s):

  • Subsídios deste roteiro; questões; mensagem mediúnica.

 


 

SUBSÍDIOS

 

O tema obsessão tem despertado a atenção de grande número de profissionais da saúde — em especial dos psiquiatras— , dada a sua estreita ligação com as enfermidades mentais.

Ao discorrer sobre a importância das ideias espíritas na elucidação das questões das doenças mentais, Kardec aponta a real causa desses distúrbios: a alma, isto é, o Espírito imortal.

Abrindo novos horizontes a todas as ciências, o Espiritismo vem […] elucidar a questão tão obscura das doenças mentais, ao assinalar-lhes uma causa que, até hoje, não havia sido levada em consideração — causa real, evidente, provada pela experiência e cuja verdade mais tarde será reconhecida. Mas como fazer que tal causa seja admitida por aqueles que estão sempre dispostos a enviar ao hospício quem quer que tenha a fraqueza de crer que temos uma alma e que esta desempenha um papel nas funções vitais, sobrevive ao corpo e pode atuar sobre os vivos? Graças a Deus, e para o bem da Humanidade, as ideias espíritas fazem mais progresso entre os médicos do que se podia esperar e tudo faz prever que, num futuro não muito remoto, a medicina saia finalmente da rotina materialista. (3)

Desse modo, sendo a alma (Espírito) a causa real de toda manifestação inteligente do ser, é fácil constatar-se que os desequilíbrios mentais estão ligados à rebeldia, à não-observância das leis de Deus. Neste sentido, quase […] podemos afirmar que noventa em cem dos casos de loucura, excetuados aqueles que se originam da incursão microbiana [sífilis, AIDS] sobre a matéria cinzenta [do cérebro], começam nas consequências das faltas graves que praticamos, com a impaciência ou com a tristeza, isto é, por intermédio de atitudes mentais que imprimem deploráveis reflexos ao caminho daqueles que as acolhem e alimentam. Instaladas essas forças desequilibrantes no campo íntimo, inicia-se a desintegração da harmonia mental; esta por vezes perdura, não só numa existência, mas em várias delas, até que o interessado se disponha, com fidelidade, a valer se das bênçãos divinas que o aljofram, para restabelecer a tranquilidade e a capacidade de renovação que lhe são inerentes à individualidade, em abençoado serviço evolutivo. (10)

Da mesma forma, as […] grandes preocupações do Espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, que então se muda em ideia fixa, podendo tanto ser a dos Espíritos, em quem com eles se ocupou, como a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. Provavelmente, o louco religioso se houvera tornado um louco espírita, se o Espiritismo fora a sua preocupação dominante, do mesmo modo que o louco espírita o seria sob outra forma, de acordo com as circunstâncias. (1)

Podemos dizer então que, excetuados os […] casos puramente orgânicos, o louco [ou enfermo mental] é alguém que procurou forçar a libertação do aprendizado terrestre, por indisciplina ou ignorância. Temos neste domínio um gênero de suicídio habilmente dissimulado, a autoeliminação da harmonia mental, pela inconformação da alma nos quadros de luta que a existência humana apresenta. Diante da dor, do obstáculo ou da morte, milhares de pessoas capitulam, entregando­se, sem resistência, à perturbação destruidora, que lhes abre, por fim, as portas do túmulo. A princípio, são meros descontentes e desesperados, que passam despercebidos mesmo àqueles que os acompanham de mais perto. Pouco a pouco, no entanto, transformam-se em doentes mentais de variadas gradações, de cura quase impossível, portadores que são de problemas inextricáveis e ingratos. Imperceptíveis frutos da desobediência começam por arruinar o patrimônio fisiológico que lhes foi confiado na Crosta da Terra, e acabam empobrecidos e infortunados. Aflitos e semimortos, são eles homens e mulheres que desde os círculos terrenos padecem, encovados em precipícios infernais, por se haverem rebelado aos desígnios divinos, preterindo-os, na escola benéfica da luta aperfeiçoadora, pelos caprichos insensatos. (8)

O doente mental, por obsessão, é alguém que, de alguma forma, […] entregou o invólucro físico ao curso de ocorrências nefastas, e, por fim, situou-se mentalmente em zonas mais baixas da personalidade […]. (9) Desarmonizado consigo mesmo, o doente identifica e acata sugestões perturbadoras de outras mentes, igualmente doentes, com as quais sintoniza. Isto acontece porque, sendo a obsessão enfermidade da alma, a […] criatura desvalida de conhecimento superior rende-se, inerme, à influência aviltante, como a planta sem defesa se deixa invadir pela praga destruidora, e surgem os dolorosos enigmas orgânicos que, muitas vezes, culminam com a morte. Dispomos, contudo, na Doutrina Espírita, à luz dos ensinamentos do Cristo, e verdadeira ciência curativa da alma, com recursos próprios à solução de cada processo morboso da mente, removendo o obsessor do obsidiado, como o agente químico ou a intervenção operatória suprimem a enfermidade no enfermo, desde que os interessados se submetam aos impositivos do tratamento. (11)

As enfermidades espirituais [por obsessão] produzem distúrbios ou lesões no corpo físico decorrentes de desarmonias psíquicas originadas das condições pessoais do enfermo, da influência de entidade espiritual, ou por ação conjunta de ambos. Podem ser consideradas como de baixa, média ou de alta gravidade. As de baixa gravidade [obsessões simples], mais fáceis de serem controladas, costumam surgir em momentos específicos da vida, quando a pessoa passa por algum tipo de dificuldade: perdas afetivas ou materiais; doenças físicas; insucesso profissional, entre outras. São situações em que as emoções afloram impetuosamente, gerando diferentes tipos de somatizações […]. As doenças espirituais de média gravidade [fascinações] podem prolongar se por anos a fio, mantendo-se dentro de um mesmo padrão ou evoluindo para algo mais grave. […] Se não ocorre a desejável assistência espiritual em benefício do necessitado, nessa fase da evolução da enfermidade, os doentes podem desenvolver comportamentos caracterizados, sobretudo, por “manias” e pelo isolamento social. As ideias e os desejos do enfermo ficam girando dentro de um círculo vicioso, conduzindo à criação de formas-pensamento, alimentadas pela vontade do próprio necessitado e pela dos Espíritos desencarnados, sintonizados nesta faixa de vibração. […] (5) As enfermidades espirituais, classificadas como graves [subjugações], são encontradas em pessoas que revelam perdas temporárias ou permanentes da consciência. A perda da consciência, lenta ou repentina, pode estar associada a uma causa fisiológica (velhice) ou a uma patologia (lesões cerebrais de etiologias diversas). Nessa situação, o enfermo vive períodos de alheamentos ou alienações mentais, alternados com outros de lucidez. Esses períodos são particularmente difíceis, pois a pessoa passa a viver numa realidade estranha e dolorosa, sobretudo quando o espírito enfermo vê-se associado a outras mentes enfermas, em processos de simbioses espirituais. (6)

As obsessões por fascinação e por subjugação já revelam sinais visíveis de enfermidades mentais. Se nesta fase da evolução da doença não ocorrer uma assistência — médica, psicológica e espiritual — , a obsessão descamba para a loucura. Nos casos de subjugação, sobretudo, a obsessão pode levar a […] uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária [orgânica propriamente dita]. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. (2)

As enfermidades mentais produzidas pela obsessão nos fazem compreender que, […] semelhante a uma nuvem de gafanhotos, um bando de Espíritos malfazejos pode lançar se sobre um certo número de indivíduos, deles se apoderar e produzir uma espécie de epidemia moral. A ignorância, a fraqueza das faculdades, a ausência de cultura intelectual naturalmente lhes facultam maior influência. É por isso que eles prejudicam, de preferência, certas classes, embora as pessoas inteligentes e instruídas nem sempre estejam isentas. Como diz [o Espírito] Erasto, foi provavelmente uma epidemia desse gênero que imperou no tempo do Cristo, tantas vezes mencionada no Evangelho. Mas por que só a sua palavra bastava para expulsar os chamados demônios? Isto prova que o mal não podia ser curado senão por uma influência moral. (4)

Na atualidade, os processos obsessivos apresentam características de uma epidemia, podendo ser controlada ou neutralizada somente pela força do bem. Estamos cercados por inúmeros Espíritos perturbados, encarnados e desencarnados, que buscam nos influenciar de todas as formas. Impossível desconhecer as dificuldades e problemas a que estamos sujeitos pela influência dos nossos companheiros apresados nas teias de revolta e desequilíbrio; entretanto, se a Bondade do Senhor no-los encaminha, é que partilhamos com eles o mesmo quinhão de débito a resgatar ou de serviço a desenvolver; se nos trazem sensações de tristeza ou de angústia, é que ainda temos os corações, quais os deles, arraigados à sombra de espírito. Recebamo-los na trilha do respeito, quando não nos seja possível acolhê-los no portal da alegria. E comecemos a obra do reajuste, acendendo no íntimo a chama da prece; ela clareará nossas almas e interpretá-los-emos tais quais são: nossos companheiros de caminhada e obreiros indispensáveis da vida. (7)

 


 

ANEXO I

 

Mediunidade e alienação mental

(Emmanuel)

 


 

ANEXO II

 

Sugestão de questões para o trabalho em duplas

 

1. Qual a causa real das doenças mentais, segundo a percepção de Kardec? Justifique a resposta.

 

2. Que fatores podem ocasionar a loucura, propriamente dita?

 

3. Que argumentos poderiam ajudar a esclarecer a pessoa que considera o Espiritismo uma “fábrica de loucos”?

 

4. Em que consiste o gênero de “suicídio habilmente dissimulado”, aplicado ao enfermo mental?

 

5. Aponte — no quadro da doença mental por obsessão — todos os passos que culminam na ação obsessiva.

 

6. Qual a situação da pessoa que não possui conhecimentos superiores, diante do problema obsessivo?

 

7. Que recursos a Doutrina Espírita oferece àquele que enfrenta problemas de Obsessão?

 

8. As obsessões produzem distúrbios no corpo físico? Justifique a resposta.

 

9. Quanto ao nível de gravidade, como podem ser consideradas as obsessões? Diga, resumidamente, as características de cada uma delas.

 

10. Explique: Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos.

 


 

ANEXO III

 

Prece de Dr. Carneiro de Campos

 

“Jesus, Mestre Incomparável:

Aqui estamos, os Teus discípulos imperfeitos, pois que fazemos apenas e desordenadamente o que nos foi recomendado.

Permanece em nós a aspiração de amar e servir mais e melhor. Ajuda-nos a consegui-lo, não obstante os nossos teimosos limites.

Muitas vezes temos prometido renovar-nos para ascender, mas apesar disso não nos dispusemos a romper as algemas que nos retêm nos charcos das paixões. Hoje, no entanto, brilha em nosso íntimo diferente chama de entusiasmo e fé, apontando-nos o rumo libertador.

Desejamos agradecer-Te, Senhor, a incessante ajuda com que nos honraste durante estes dias de atividade grave. Jamais nos faltaram inspiração, apoio e discernimento para agir com equilíbrio. Se houve dificuldades para os que as geraram, rogamos misericórdia.

Abençoa, Jesus, todos aqueles que partilharam das nossas preocupações e tarefas, infundindo-lhes ânimo superior e disposição para o bem, especialmente naqueles que saíram da treva e se dispõem à renovação. Tem piedade deles, os irmãos recém-chegados da ignorância. Compadece-Te, também, daqueloutros que se demoram na demência do egoísmo e da presunção, esquecidos de Ti.

Roga a Nosso Pai por eles e por nós, os filhos do Calvário, que nos consideramos ainda.

Despede-nos em Tua paz e prossegue conosco, pois que, sem Ti, é-nos impossível seguir com segurança na direção do porto da paz.” (12)

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Introdução XV, p. 41.

2. Idem - O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 74 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. XXIII, item 254, 6.ª pergunta p. 323.

3. Idem - Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano 1862. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Poesias traduzidas por Inaldo Lacerda Lima. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Ano V, abril de 1862, n.° 04, item: Epidemia demoníaca na Saboia, p. 161.

4. Idem, ibidem - p. 161-162.

5. MOURA, Marta A. Enfermidades espirituais. In: Reformador, Junho de 2004, ano 122, N.° 2. 103, p. 210.

6. Idem, ibidem - p. 210-211.

7. XAVIER, Francisco Cândido. Encontro Marcado. Pelo Espírito Emmanuel. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. 33 (Companheiros de Experiência. Tema: Espíritos obsessores), p. 107-108.

8. Idem - No Mundo Maior. Pelo Espírito André Luiz. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 16 (Alienados Mentais), p. 255-256.

9. Idem, ibidem - p. 257.

10. Idem, ibidem - p. 259-260.

11. Idem - Seara dos Médiuns. Pelo Espírito Emmanuel. 16. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Item: Obsessão e cura, p. 195-196.

12. FRANCO, Divaldo Pereira. Trilhas da Libertação. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Capítulo: Considerações Últimas, p. 327.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.