Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Saudação do Natal — Autores diversos


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A ceia ecológica

  1 Conversas sobre conversas

  Por trás de assunto sem lógica

  Disse-me Ilídio: “Amanhã

  Vamos à ceia ecológica.

  Você seguirá comigo?”

  Pronto, assumi a promessa.

  Ilídio é um bom amigo,

  Mas que ceia será essa?

  “Não deve seguir sozinho”,

  Prosseguiu ele,

  “Antes da ceia em caminho.”


  2 No outro dia despertei

  De ouvidos fenomenais

  Estava escutando as pedras,

  As plantas e os animais.


  3 Ilídio veio buscar me

  E, no carro em que seguia,

  Notei que outro era o rumo

  Além da periferia.


  4 Desdobrando-se o caminho,

  Vimos nós um casarão…

  O amigo esclareceu:

  “É a casa do tio Adão.”


  5 Avançamos e nos vimos

  Em meio de algumas roças

  E notamos o barulho

  De peões, carros, carroças…


  6 Ilídio parou o carro e descemos,

  Era um desfile esperado.

  Animais vinham chegando

  Seguindo por nosso lado.


  7 Na frente vinha um cabrito

  Gritando: “Morra o churrasco!…

  Não desejo festa alguma,

  Não quero ver o carrasco!…”


  8 Num caminhão certa vaca

  Mascava feno em restolho.

  Dizia ao boi que a seguia:

  “Meu velho, fique de olho.”


  9 Ao lado vinham dois perus,

  Um deles fala: “É demais.”

  E o outro: “Eu também bebi,

  Da cachaça do Moraes.”


  10 Num caminhão, a galinha,

  Cercada de frangos novos,

  Prosava para a festança…

  “Já dei os meus belos ovos.”


  11 Grande fêmea de um suíno,

  Seguindo frágil leitoa,

  Rogava: “Não maltratem

  Minha filha, que é tão boa…”


  12 Dois coelhos numa gaiola

  Cochichavam, entre si:

  “Não fosse a corda no pé,

  Sairíamos daqui.”


  13 Num planalto assaz pequeno

  O aroma de um cajueiro;

  Lá longe ia a parada

  Dominando o espaço inteiro.


  14 No pátio, o chefão chegou

  E passou a esfaquear,

  A turma toda apavorada

  Pôs-se a gemer e a gritar.


  15 Vendo o sangue, emocionei-me;

  Não podia ver aquilo,

  Queria voltar à casa,

  A fim de ficar tranquilo.


  16 Fui a Ilídio e, com franqueza,

  Não podia suportar,

  Aquela cena de dor,

  Queria a paz do meu lar.


  17 Ilídio riu-se e falou:

  “Cornélio, nunca supus

  Que você fuja de festa

  Para as obras de Jesus.”


  18 E então, desorientado,

  Fiquei sabendo, afinal,

  Que a ceia da ecologia

  Era a festa do Natal.


.Cornélio Pires



(Versos recebidos em reunião do Centro Espírita Perseverança, dezembro de 1992, em São Paulo, Capital)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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