Bíblia do Caminho  † Temática

Temas da Bíblia Página inicial Próximo Capítulo

Evangelho

Blue bar


TEMAS CORRELATOS
(Apocalipse) (Apóstolo) (Aprendizado) (Bíblia) (Cristão) (Cristianismo) (Culto do Evangelho no lar) (Discípulo) (Evangelho segundo São Mateus) (Evangelho segundo São Marcos) (Evangelho segundo São Lucas) (Evangelho segundo São João) (Evangelho segundo o Espiritismo) (Evangelização) (Jesus Cristo) (Harmonia dos Evangelhos) (Novo Testamento) (Parábolas) (Tabela cronológica)
(AFORISMOS)

OUTRAS REFERÊNCIAS AO TEMA



O Evangelho (Boa-nova) —  A palavra Evangelho hoje é usada para descrever tanto a mensagem anunciada pelo Cristianismo como os livros que trazem o ensino e a história da vida do Cristo. A palavra  evaggelion de origem grega foi traduzida com o mesmo significado para o latim evangelium que deu origem ao vernáculo Evangelho. Em o N. T. nunca significa um livro, mas a mensagem anunciada pelo Cristo e seus apóstolos. É chamado: o Evangelho de Deus (Rm 1.1; 1 Ts 2.2; 1 Tm 1.11); o Evangelho do Cristo (Mc l.1; Rm 15.19; 1 Co 9.12; Gl  1.7); o Evangelho da graça de Deus (At 20.24) o Evangelho da paz (Ef 6.15); o Evangelho da vossa salvação (Ef 1.13); e o Evangelho da glória do Cristo (2 Co 4.4). Foi pregado por nosso Senhor (Mt 4.23; 11.5; Mc 1.14); pelos apóstolos (Lc 4.18, 7.22; At 16.10; Rm 1.15; 2.16; 1 Co 9.16, etc.), e pelos evangelistas (At 8.25). Mas na era pós-apostólica o termo foi também aplicado aos escritos que continham os testemunhos que os apóstolos deram sobre Jesus. Cada um deles foi denominado o Evangelho de… e os quatro juntos foram chamados O Evangelho, correspondendo, assim, a forma como dizemos no presente, àquela usada pelos primeiros cristãos  que sucederam os  tempos apostólicos.


Os Quatro Evangelhos: A evidência histórica mostra que nossos quatro Evangelhos foram atribuídos dos tempos mais antigos a Mateus, Marcos, Lucas e João, respectivamente, e que desde o início da idade pós-apostólica eles foram recebidos pela igreja como documentos autorizados e como contendo o testemunho apostólico da vida e dos ensinos do Cristo.  No segundo século eles foram citados, comentados e descritos de forma precisa, para que não houvesse nenhuma dúvida quanto à sua autenticidade. Um exame das epístolas do N. T. mostra-nos também que nossos Evangelhos descrevem Jesus como o mesmo tipo de pessoa, fazendo o mesmo tipo de trabalho, e tendo a mesma história que as epístolas aludem; podendo, portanto, serem aceitas confiantemente como relatórios fidedignos. Os três primeiros têm muito em comum e, em geral, apresentam a vida do Senhor do mesmo ponto de vista, eles são chamados os evangelhos sinópticos (do grego sunopsis, um resumo), e em particular são bastante diferentes do de  João. Os sinópticos tratam como tema principal o ministério do Cristo na Galileia; o Quarto Evangelho dá proeminência a seus trabalhos na Judeia; embora a traição, apreensão, julgamento, crucificação, e ressurreição de Jesus, por serem tão importantes são fatos narrados por todos. O único incidente anteriormente registrado por todos os evangelistas é a alimentação dos cinco mil. Os sinópticos também dizem comparativamente pouco da divindade do Cristo, enquanto João registra especialmente o testemunho que o Senhor deu de si. Apresentam principalmente o ensino do Cristo sobre o Reino de Deus, suas parábolas, sua instrução às pessoas comuns; enquanto João registra o que ele fala de si e normalmente na forma de longos discursos. Enquanto o Quarto Evangelho assimila e encerra os outros três, eles, por sua vez, frequentemente tornam-se mais inteligíveis devido aos fatos que João registra; deste modo 1.15 de João encerra o fato registrado em Mateus 3.11, etc.; 3.24 de João o fato dado em Mateus 4.12; e 6.2-15 de João, faz a história sinóptica inteira do ministério na Galileia, etc.; assim como a recepção do Cristo na Galileia e a boa vontade de Pedro, Tiago, André e João em deixar tudo e segui-lo são unicamente esclarecidos  por ele; os eventos registrados em João 1 e 2, e o súbito crescimento da controvérsia sobre o Sábado Sagrado nos sinópticos (Mc 2.23, etc.) são igualmente explicados pelos acontecimentos narrados por João 5. Além do mais, enquanto os sinópticos tem o mesmo ponto de vista geral, mantendo cada um suas características individuais, determinadas pelo propósito do escritor e dos leitores visados; Mateus, escrevendo do ponto de vista Judeu, apresenta Jesus como o Messias real; ele cita constantemente as profecias do V. T. como prova, e se interessa em dar os ensinos do Cristo relativamente ao verdadeiro Reino de Deus em contraste com a falsa visão corrente do Judaísmo. Marcos, escrevendo evidentemente para os gentios, e talvez aos romanos em particular, representa principalmente o poder do Cristo em salvar, comprovados por seus milagres. Lucas, antigo companheiro de Paulo, apresenta o Senhor como o amorável Salvador, relatando prazerosamente seus favores para com os caídos, os desterrados e os pobres. Então João tem seu propósito especial, que é representar Jesus como encarnando o Verbo divino, revelando o Pai para aqueles que o receberiam. Nenhum dos Evangelhos, todavia, admitem ser uma biografia completa de Nosso Senhor. São coleções dos seus atos e palavras, que tem o propósito de oferecer instruções doutrinais práticas. O aprendiz deve conceber sua própria história de Jesus usando os materiais fornecidos pelos Evangelhos. Eles mesmos foram preparados com outros objetos em vista.


Pergunta-se frequentemente de que fontes os quatro evangelistas obtiveram suas informações. Mateus e João eram apóstolos, possuindo, portanto, conhecimento pessoal dos fatos por eles registrados, ou estavam numa posição de obtê-los daqueles que os presenciaram. Mas segundo dizem as primeiras tradições, Marcos que também era companheiro de Paulo e Pedro, incorporou em seu Evangelho as pregações de Pedro sobre Jesus. Lucas mesmo nos assegura (1.1-4), que seu conhecimento foi obtido de “testemunhas oculares… da palavra” deixando-o bem familiarizado com os fatos. Assim os Evangelhos dão-nos o testemunho dos apóstolos. As muitas coincidências de linguagem nos sinópticos confirma isto. Se qualquer orador ou pregador itinerante, tal como um missionário que estivesse longe de seu país, relacionasse os diferentes incidentes da sua experiência no estrangeiro, ele o faria gradualmente numa narrativa uniforme por seu muito desejo de ser preciso, repetindo as mesmas histórias da mesma forma, entretanto de vez em quando adicionaria pormenores que houvesse omitido alhures. É provável que os apóstolos e os primeiros evangelistas agiram quase do mesmo modo; de forma que seus relatórios tornaram-se em grande parte estereotípicos. Depois do que, algumas partes das narrativas eram escritas e divulgadas para uso nas recém-fundadas igrejas. Tornando-se, assim, de uso corrente essas narrativas do Evangelho que, enquanto diferissem indubitavelmente em alguns pontos, compartilhavam às vezes extensivamente o mesmo assunto relatado com as mesmas palavras. Portanto, as coincidências verbais  de nossos Evangelhos sinópticos, atestam que eles nos dão idênticos testemunhos apostólicos de Jesus. O Quarto Evangelho, por outro lado, contém material que não era extensivamente aguardado a princípio, mas que João finalmente escreveu, externando seus próprios conhecimentos, quando as necessidades da igreja pareceram exigi-lo. As coincidências entre os sinópticos, no entanto, levantou a questão adicional se qualquer deles havia sido diretamente copiado dos outros. Esta pergunta é frequentemente denominada o problema sinóptico. Os fatos que entram em sua solução são muitos e muito complexos. Enquanto os três têm muito em comum, Mateus e Lucas tem muita coisa que não está em Marcos, e cada um deles tem outras tantas que não estão nos outros. Mesmo Marcos tem algum material peculiar a si, além do mais, naquelas seções que a linguagem do evangelista tão notavelmente identifica-se com as de seus colegas, frequentemente mostra o que deles difere. Na igreja antiga acreditava-se que Marcos recompilou Mateus e Lucas. Muitos escritores modernos pensam, por outro lado, que Mateus e Lucas tomaram de Marcos sua narrativa histórica [conformando a linguagem à sua própria história, organizando seu material de modo a ajustá-lo a seus próprios escritos, e acrescentado outras importantes fontes orais e escritas. É muito comum combinar esta explicação à teoria de que Mateus e Lucas tiraram seus respectivos Evangelhos de uma coleção dos ditados de Jesus, escritos talvez, desde muito, pelo apóstolo Mateus. (J. D. D.)] Mas parece ser mais provável que os três foram independentes, embora usando muitas vezes a linguagem da narrativa evangélica que tinha-se tornado corrente, sentindo-se livres ao mesmo tempo, para também usarem as próprias palavras, porque tinham consciência de estarem plenamente familiarizados com os fatos. Em tentar traçar a história literária dos sinópticos nós não devemos esquecer-nos também da promessa feita pelo Cristo aos apóstolos, servindo indubitavelmente a todos os que poderiam dedicar-se à proclamação do Evangelho: “Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14.26).


Para obtermos uma ideia clara da vida do Cristo, é necessário construir uma harmonia dos Evangelhos. Isto, naturalmente, deve ser feito com fidelidade às indicações cronológicas que os Evangelhos contêm, embora sejam poucas. Mas também deve ser lembrado de que as indicações de tempo e relação não são só poucas, mas também frequentemente duvidosas, por isso, então, uma harmonia deve ser considerada em muitos pontos como meramente aproximativa. O método de Mateus é principalmente tópico, por isso, ele raramente fornece a base para uma harmonia. Marcos parece ser muito mais cronológico, e sua ordem geralmente pode ser seguida; mas há muitas notícias que ele não dá absolutamente. Lucas segue na primeira metade do seu trabalho quase a ordem de Marcos, embora com diferenças importantes, e ele, também, é frequentemente tópico em seu método. Mas o Evangelho de João por anotar as festas sucessivas que Jesus assistiu, fornece a estrutura geral em que o material dos outros evangelistas deve ser ajustado. Baseado nisto foi preparado o esboço da harmonia que vem a seguir. Acreditamos que a festa de João 5.1 era uma Páscoa; que o ministério do Cristo incluiu, então, quatro Páscoas (Jo 2.13; 6.1; 6.4; 13.1), na última das quais ele morreu. O ministério perdurou, assim, aproximadamente três anos e um quarto, desde que João 1.32 mostra que o Cristo foi batizado alguns meses antes da sua primeira Páscoa. Outros porém, negando que João 5.1 era uma Páscoa, delimitam o ministério do Cristo a dois anos e três meses. Neste, como em muitos pontos semelhantes, a demonstração absoluta torna-se impossível, por conseguinte, na referida tabela, as datas atribuídas para alguns acontecimentos devem ser igualmente consideradas questionáveis. Parece claro à maioria dos estudantes que Herodes, o Grande, morreu em abril do ano 4 A. C., nesse caso, Cristo provavelmente nasceu em dezembro de 5 A. C., ou janeiro de 4 A. C.  n Supomos que a data seja 25 de dezembro de 5 A. C., sem, no entanto, querer afirmar que existe qualquer evidência para o dia exato do mês. Se portanto, quando ele foi batizado, tinha aproximadamente trinta anos (Lucas 3.23), seu batismo, provavelmente pode ser designado para o final do ano 26 ou início de A. D. 27; presumimos que tenha sido em janeiro de A. D. 27. Se o seu ministério incluiu quatro Páscoas ele morreu na páscoa de A. D. 30. Muitos cálculos complexos tendem a confirmar estas datas, entretanto não são capazes de uma demonstração exata. Nossa visão assume que “o décimo quinto ano de Tibério César” (Lucas 3.1) deva ser considerado quando Tibério se tornou co-regente com Augusto no império (A. D. 11-12). Naquela época ele tornou-se praticamente o governador das províncias. É bem sabido que o nosso calendário cristão comum data o nascimento do Cristo tardiamente. A harmonia seguinte quase concorda com a de Robinson, mas algumas mudanças no seu arranjo foram introduzidas. — (Dicionário da Bíblia de John D. Davis©



AFORISMOS E CITAÇÕES

.