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Comunicação espírita por instrumentos eletrônicos

(TCI - Transcomunicação instrumental) W

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De poucos anos para cá é que se tem divulgado mais enfaticamente o assunto TCI, por isso muitas pessoas imaginam que se trata de uma novidade (quando não de modismo) recente. A História aponta noutra direção. Desde que alguém cogitou, pela primeira vez, da hipótese de contatar o Plano Espiritual por aparelhos, transcorreram 100 longos anos!

Também quando se fala em antecedentes da TCI, a primeira referência é feita a Friedrich Juerguenson, tido inclusive como pai da Transcomunicação. Porém ele não foi absolutamente o primeiro a obter contatos, nem no Exterior nem no Brasil. Como alguns livros já abordaram esses pesquisadores pioneiros no Exterior, vamos nos ater exclusivamente aos brasileiros.

A notícia mais remota sobre tentativa de contato com o Além por equipamento paira sobre dois pesquisadores do final do século passado, que chegaram a trabalhar juntos: Thomas Edson (americano) e o inventor brasileiro padre Roberto Landell de Moura.

Quanto a Thomas Edison existe, na vasta literatura que aborda sua vida, referência ao fato de que ele chegou a tentar criar um aparelho que o pusesse em contato com os mortos. Mas seus biógrafos não registraram informações sobre qualquer resultado.

No mesmo período, outro inventor também pensou em construir um aparelho para a mesma finalidade: Dr. Landell de Moura, figura importantíssima para nós, transcomunicadores brasileiros e portugueses, por um motivo bem especial: ele hoje é o coordenador do Departamento de Brasileiros e Portugueses da Estação Rio do Tempo. Esse é o nome dado ao prédio da estação transmissora, situada fora do nosso espaço-tempo, que transmite para nós. Dentro dessa estação ficam vários departamentos, seccionados por nacionalidades.


O Caso de Coelho Neto


Uma ocorrência sui generis, também envolvendo telefonemas do Além trouxe o depoimento do escritor Coelho Neto. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, francamente contra o Espiritismo, Coelho Neto vivenciou uma experiência que o converteu, conforme seu próprio testemunho público, à Doutrina dos Espíritos. Chegou a escrever na imprensa:

Combati, com todas as minhas forças, o que sempre considerei a mais ridícula das superstições. Essa doutrina, hoje triunfante, não teve, entre nós, adversário mais intransigente e cruel que eu

Fazendo então referencia à conversão de Saulo na estrada de Damasco, prossegue:

Minha estrada de Damasco foi meu escritório… (…) onde soou uma voz do Além, voz amada, cujo eco não morre no meu coração… (Jornal do Brasil, artigo de Coelho Neto, em 1923, sob o título: Conversão).


Tal declaração adveio do seguinte fato: sua filha Júlia havia perdido o marido, vindo a perder, seis meses depois, também a filhinha Ester. Sua casa, conta Coelho Neto, transformou-se num “jazigo melancólico de saudade”.

A mãe, Júlia, reuniu as roupinhas, os brinquedos, principalmente a boneca que a acompanhou até seu último suspiro e passava horas a chorar: Diariamente ia ao túmulo da filha e ficava conversando com a terra. Foi aí que o pai, Coelho Neto, temendo que sua filha se interessasse pelo Espiritismo, proibiu qualquer leitura relacionada com o assunto. Pouco tempo depois, sua filha mudou de aspecto e seus olhos secaram, dando lugar a frequente sorriso nos lábios.

A explicação não tardou. Certa noite, a esposa de Coelho Neto irrompe porta a dentro aos prantos afirmando: “Nossa filha Júlia enlouqueceu! Está aí embaixo, no seu escritório, falando com Ester!!!”. Atônito, o escritor pergunta à esposa: “Que Ester?”, ao que ouve: “A nossa neta! Se duvidas, venha até a escada e poderás ouvi-la!”. Chegando próximo, perplexo, constatou que Júlia conversava no escuro, com risinhos e externando muito carinho. Indignado, Coelho Neto perguntou à esposa: “Mas porque pensas que ela fala com Ester?”. “Porque ela mesma me confessou. E não imaginas com que alegria!” O famoso escritor não se conteve. Pegou a extensão do telefone do andar de cima, onde se encontrava e, conforme suas próprias palavras, constatou:

Ouvi minha própria neta. Reconheci-lhe a voz, a doce voz que era a música de minha casa. Mas não foi só a voz que me impressionou, que me fez sorrir e chorar, senão o que ela dizia. Ainda que duvidasse, com toda a minha incredulidade, haveria de convencer-me, tais eram as referências que a pequenina voz do Além fazia a fatos da vida que conosco vivera. Ouvi toda a conversa e compreendi que estamos nos aproximando da Grande Era. O finito defronta o infinito… onde a que ficou já não sofre como antes sofria, porque o que era antes “esperança” tornou-se certeza…

Os contatos telefônicos entre Ester e Júlia perduraram. Só a incredulidade do famoso escritor e jornalista Coelho Neto cessou.



(Transcomunicação Instrumental / Contatos com o Além por Vias Técnicas / Sônia Rinaldi — São Paulo: FE Editora Jornalística Ltda. 1996. — (Coleção Folha Espírita; v. 3) — 2ª edição, 1997)

Vide outras informações sobre o tema nos Estudos Espíritas: Sobrevivência e Imortalidade da Alma; vide também: Fenômenos de Voz Eletrônica


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