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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Fundamental

Módulo III — Deus

 

Roteiro 3

 

Atributos da divindade

 

Objetivo Geral: Apresentar Deus como a inteligência suprema e a causa primeira de todas as coisas.

Objetivos Específicos: Citar os atributos da divindade, segundo o Espiritismo, analisando-os. — Destacar a ideia de Deus ensinada por Jesus.


 

CONTEÚDO BÁSICO

 

  • Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam. É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

  • É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

  • É onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus.

  • É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 13 — comentário.

  • E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. — Jesus. Mateus, 23:9.

 


 

SUGESTÕES DIDÁTICAS

 

Introdução:

  • Apresentar o assunto e os objetivos da aula.

  • Em seguida, entregar a cada participante uma cópia da poesia Deus, de Antero de Quental, que deverá ser lida em voz alta por um voluntário. (Veja  anexo).

  • Interpretar, em conjunto com a turma, as ideias do autor expressas na poesia.

 

Desenvolvimento:

  • Dividir a turma em seis pequenos grupos.

    Grupo I:

    1. Ler os subsídios do Roteiro;

    2. Estudar o atributo divino: eternidade;

    3. Elaborar um texto que analise o atributo estudado.

     

    Grupo II:

    1. Ler os subsídios do Roteiro;

    2. Estudar os atributos divinos: imutabilidade e imaterialidade;

    3. Elaborar um texto que analise o atributo estudado.

     

    Grupo III:

    1. Ler os subsídios do Roteiro;

    2. Estudar os atributos divinos: unicidade e onipotência;

    3. Elaborar um texto que analise o atributo estudado.

     

    Grupo IV:

    1. Ler os subsídios do Roteiro;

    2. Estudar o atributo divino: suprema e soberana inteligência;

    3. Elaborar um texto que analise o atributo estudado.

     

    Grupo V:

    1. Ler os subsídios do Roteiro;

    2. Estudar os atributos divinos: soberana justiça e bondade;

    3. Elaborar um texto que analise o atributo estudado.

     

    Grupo VI:

    1. Ler os subsídios do Roteiro;

    2. Estudar o atributo divino: perfeição infinita;

    3. Elaborar um texto que analise o atributo estudado.

  • Solicitar aos representantes dos grupos que leiam, em voz alta, os textos elaborados.

  • Prestar os esclarecimentos necessários.

 

Conclusão:

  • Pedir aos participantes que releiam a poesia entregue no início da aula, identificando no texto os atributos da divindade.

 

Avaliação:

  • O estudo será considerado satisfatório se os participantes citarem corretamente os atributos da divindade, analisando cada um deles.

 

Técnica(s):

  • Análise de texto (poesia); trabalho em pequenos grupos.

 

Recurso(s):

  • Subsídios do roteiro; poesia.

 


 

SUBSÍDIOS

 

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz ideia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão. (11)

Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos ideia completa de seus atributos? (12)

A este questionamento de Allan Kardec responderam os Espíritos Superiores: Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas ideias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuírem grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber. (12)

Deus é a suprema e soberana inteligência. É limitada a inteligência do homem, pois que não pode fazer, nem compreender tudo o que existe. A de Deus, abrangendo o infinito, tem que ser infinita. Se a supuséssemos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria e assim por diante, até ao infinito. (1)

Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, houvera saído do nada. Ora, não sendo o nada coisa alguma, coisa nenhuma pode produzir. Ou, então, teria sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supuséssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito. (2)

Deus é imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo. (3)

Deus é imaterial, isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria. Deus carece de forma apreciável pelos nossos sentidos, sem o que seria matéria. Dizemos: a mão de Deus, o olho de Deus, a boca de Deus, porque o homem, nada mais conhecendo além de si mesmo, toma a si próprio por termo de comparação para tudo o que não compreende. São ridículas essas imagens em que Deus é representado pela figura de um ancião de longas barbas e envolto num manto. Têm o inconveniente de rebaixar o Ente supremo até às mesquinhas proporções da Humanidade. Daí a lhe emprestarem as paixões humanas e a fazerem-no um Deus colérico e cioso não vai mais que um passo. (4)

Deus é onipotente. Se não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber uma entidade mais poderosa e assim por diante, até chegar se ao ser cuja potencialidade nenhum outro ultrapassasse. Esse então é que seria Deus. (5)

Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria das leis divinas se revela nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, não permitindo essa sabedoria que se duvide da sua justiça, nem da sua bondade. O fato de ser infinita uma qualidade, exclui a possibilidade de uma qualidade contrária, porque esta a apoucaria ou anularia. Um ser infinitamente bom não poderia conter a mais insignificante parcela de malignidade, nem o ser infinitamente mau conter a mais insignificante parcela de bondade, do mesmo modo que um objeto não pode ser de um negro absoluto, com a mais ligeira nuança de branco, nem de um branco absoluto com a mais pequenina mancha preta. Deus, pois, não poderia ser simultaneamente bom e mau, porque então, não possuindo qualquer dessas duas qualidades no grau supremo, não seria Deus; todas as coisas estariam sujeitas ao seu capricho e para nenhuma haveria estabilidade. Não poderia ele, por conseguinte, deixar de ser ou infinitamente bom ou infinitamente mau. Ora, como suas obras dão testemunho da sua sabedoria, da sua bondade e da sua solicitude, concluir-se-á que, não podendo ser ao mesmo tempo bom e mau sem deixar de ser Deus, ele necessariamente tem de ser infinitamente bom. A soberana bondade implica a soberana justiça, porquanto, se ele procedesse injustamente ou com parcialidade numa só circunscrita que fosse, ou com relação a uma só de suas criaturas, já não seria soberanamente justo e, em consequência, já não seria soberanamente bom. (6)

Deus é infinitamente perfeito. É impossível conceber se Deus sem o infinito das perfeições, sem o que não seria Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. Para que nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se mister que ele seja infinito em tudo.

Sendo infinitos, os atributos de Deus não são suscetíveis nem de aumento, nem de diminuição, visto que do contrário não seriam infinitos e Deus não seria perfeito. Se lhe tirassem a qualquer dos atributos a mais mínima parcela, já não haveria Deus, pois que poderia existir um ser mais perfeito. (7)

Deus é único. A unicidade de Deus é consequência do fato de serem infinitas as suas perfeições. Não poderia existir outro Deus, salvo sob a condição de ser igualmente infinito em todas as coisas, visto que, se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria inferior ao outro, subordinado ao poder desse outro e, então, não seria Deus. Se houvesse entre ambos igualdade absoluta, isso equivaleria a existir, de toda eternidade, um mesmo pensamento, uma mesma vontade, um mesmo poder. Confundidos assim, quanto à identidade, não haveria, em realidade, mais que um único Deus. Se cada um tivesse atribuições especiais, um não faria o que o outro fizesse; mas, então, não existiria igualdade perfeita entre eles, pois que nenhum possuiria a autoridade soberana. (8)

A mais elevada concepção de Deus que podemos abrigar no Santuário do Espírito é aquela que Jesus nos apresentou, em no-lo revelando Pai amoroso e justo, à espera dos nossos testemunhos de compreensão e de amor. (13)

Jesus não […] se sentou na praça pública para explicar a natureza de Deus e, sim, chamou-lhe simplesmente “Nosso Pai”, indicando os deveres de amor e reverência com que nos cabe contribuir na extensão e no aperfeiçoamento da Obra Divina. (14)

Por este ensinamento o Cristo nos esclarece que todos […] somos irmãos, filhos de um só Pai, que nos aguarda sempre, de braços abertos, para a suprema felicidade no eterno bem!… (16)

O Mestre queria dizer-nos que Deus, acima de tudo, é nosso Pai. Criador dos homens, das estrelas e das flores. Senhor dos céus e da Terra. Para Ele, todos somos filhos abençoados. Com essa afirmativa, Jesus igualmente nos explicou que somos no mundo uma só família e que, por isso, todos somos irmãos, com o dever de ajudar-nos uns aos outros. […] Na condição de aprendizes do nosso Divino Mestre, devemos seguir lhe o exemplo. Se sentirmos Deus como Nosso Pai, reconheceremos que os nossos irmãos se encontram em toda parte e estaremos dispostos a ajudá-los, a fim de sermos ajudados, mais cedo ou mais tarde. A vida só será realmente bela e gloriosa, na Terra, quando pudermos aceitar por nossa grande família a Humanidade inteira. (15)

Em resumo, Deus não pode ser Deus, senão sob a condição de que nenhum outro o ultrapasse, porquanto o ser que o excedesse no que quer que fosse, ainda que apenas na grossura de um cabelo, é que seria o verdadeiro Deus. Para que tal não se dê, indispensável se torna que ele seja infinito em tudo. É assim que, comprovada pelas suas obras a existência de Deus, por simples dedução lógica se chega a determinar os atributos que o caracterizam. (9)

Deus é, pois, a inteligência suprema e soberana, é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições, e não pode ser diverso disso. (10)

 


 

ANEXO

 

Deus

(Antero de Quental)

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 48. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 2, item 9, p. 56.

2. Idem - Item 10, p. 57.

3. Id. - Item 11, p. 57.

4. Id. - Item 12, p. 57.

5. Id. - Item 13, p. 57.

6. Id. - Item 14, p. 57-58.

7. Id. - Item 15, p. 58-59.

8. Id. - Item 16, p. 59.

9. Id. - Item 18, p. 59.

10. Id. - Item 19, p. 60.

11. Idem - O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Questão 11, p. 54.

12. Idem - Questão 13, p. 54.

13. XAVIER, Francisco Cândido. Palavras de Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. 14, p. 71-72 [Pão nosso, cap. 48].

14. Idem - p. 72 [Roteiro, cap. 23].

15. Idem - Pai Nosso. Pelo Espírito Meimei. 27. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006, cap. 1, item 1, p. 11.

16. Idem - Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. 11. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004, cap. 40 (Ante o infinito), p. 169.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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