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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Fundamental

Módulo I — Introdução ao Estudo do Espiritismo

 

Roteiro 4

 

Pontos principais da Doutrina Espírita

 

Objetivo Geral: Propiciar conhecimentos gerais sobre a Doutrina Espírita.

Objetivo Específico: Apresentar os pontos principais da Doutrina Espírita, de acordo com o resumo existente na Introdução de O Livro dos Espíritos.


 

CONTEÚDO BÁSICO

 

  • Os pontos principais da Doutrina Espírita são: Deus, criador do Universo; o mundo espírita, habitado pelos Espíritos desencarnados; a encarnação e reencarnação dos Espíritos na Terra e em outros mundos; o melhoramento progressivo dos Espíritos, que passam pelos diversos graus da hierarquia espírita até atingirem a perfeição moral; a relação constante dos Espíritos desencarnados com os homens (Espíritos encarnados); a existência do perispírito, como envoltório semimaterial do Espírito, e os ensinos morais dos Espíritos Superiores, que podem ser sintetizados, como os do Cristo, na máxima evangélica fazer aos outros o que desejaríamos que os outros nos fizessem(Lc) — Allan Kardec: O Livro dos Espíritos. Introdução — item 6.

 


 

SUGESTÕES DIDÁTICAS

 

Introdução:

  • Introduzir o tema, esclarecendo que uma doutrina (científica, filosófica ou religiosa), para ser considerada como tal, deve conter princípios norteadores dos seus ensinamentos. Similarmente, o Espiritismo também possui os seus princípios doutrinários, identificados por Allan Kardec como pontos principais da Doutrina.

  • Acrescentar que, tendo como base esses pontos principais, Allan Kardec codificou a Doutrina transmitida pelos Espíritos Superiores, no século XIX.

 

Desenvolvimento:

  • Em seguida, solicitar aos participantes que façam leitura silenciosa dos pontos principais do Espiritismo por eles resumidos na atividade extraclasse.

  • Aproveitar o período de tempo da leitura para afixar, no mural da sala de aula, três folhas de papel pardo. A primeira dessas folhas deve conter o registro de alguns pontos principais da Doutrina Espírita, identificados pelo Codificador do Espiritismo e inseridos na introdução 6 de O Livro dos Espíritos.

  • Pedir à turma que, individualmente ou em grupo, escreva nas folhas em branco os demais pontos principais da Doutrina que estão faltando no cartaz parcialmente preenchido.

  • Verificar, junto com os participantes, se todos os pontos assinalados por Kardec estão registrados nos demais cartazes, acrescentando os que faltam ou eliminando os repetidos.

 

Conclusão:

  • Fazer o fechamento da reunião indicando, nos registros, os pontos principais da Doutrina Espírita que estão mais relacionados às nossas necessidades de aprendizado no Plano físico.

 

Avaliação:

  • O Estudo será considerado satisfatório, se: a) a maioria dos participantes realizar atividade extraclasse; b) os registros nos cartazes indicarem que houve correto entendimento do assunto.

 

Técnica(s):

  • Exposição; leitura.

 

Recurso(s):

  • O Livro dos Espíritos; cartazes; pincéis hidrográficos de cores variadas; folhas de papel pardo; fita adesiva.

 


 

SUBSÍDIOS

 

Allan Kardec, na Introdução de O Livro dos Espíritos, item 6, trata dos pontos principais dos ensinos transmitidos pelos Espíritos Superiores. Ressalta, primeiramente, que […] os próprios seres que se comunicam se designam a si mesmos pelo nome de Espíritos ou Gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós constituímos o mundo corporal durante a vida terrena. (1) (Lde)

Passa, em seguida, a resumir esses pontos principais:

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos. O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.

Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade. Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos […]. (1) (Lde)

A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório. Há no homem três coisas: , o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; , a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; , o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito. […] O laço ou períspírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições. (2) (Lde)

O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.

Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. (3) (Lde)

Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus de hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral. (3) (Lde)

Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante. (3) (Lde)

Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos. (4) (Lde)

A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal. (4) (Lde)

As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição. […] (Lde) Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo. Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós. (4) (Lde)

Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo. (4) (Lde)

As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal; é-lhes um gozo ver nos sucumbir e assemelhar-nos a eles. (5) (Lde)

As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discerniras boas das más inspirações. […] Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação. […] Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos Superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. (6) (Lde)

Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade […]. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, amiúde, trivial e até grosseira. (6) (Lde)

A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer a bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações. […] Ensinam [os Espíritos Superiores] […] que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra. Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conforme os seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final. (7) (Lde)

Eis, assim, os pontos principais da Doutrina Espírita, que serão desenvolvidos no transcorrer deste Curso.

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Introdução, item 6, p. 23.

2. Idem - p. 23-24.

3. Id. - p. 24.

4. Id. - p. 25.

5. Id. - p. 25-26.

6. Id. - p. 26.

7. Id. - p. 27.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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