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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Complementar

Módulo V — Da Prática Mediúnica

 

Roteiro 2

 

Identificação das fontes de comunicação mediúnica

 

Objetivo Geral: Dar condições de entendimento da prática mediúnica.

Objetivo Específico: Analisar as principais dificuldades na identificação das fontes de comunicação mediúnica.


 

CONTEÚDO BÁSICO

 

  • É por vezes muito difícil distinguir, num dado efeito, o que provém diretamente da alma do médium do que promana de uma causa estranha [Espírito desencarnado], porque com frequência as duas ações se confundem e convalidam. […] Mas, do fato de ser difícil fazer se uma distinção como essa não se segue seja ela impossível. Allan Kardec: Obras Póstumas. Primeira Parte, item: Controvérsias sobre a ideia da existência de seres intermediários entre o homem e Deus, p. 92.

  • A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo. É que, com efeito, os Espíritos não nos trazem um ato de notoriedade e sabe-se com que facilidade alguns dentre eles tomam nomes que nunca lhes pertenceram. Esta, por isso mesmo, é, depois da obsessão, uma das maiores dificuldades do Espiritismo prático. Allan Kardec: O Livro dos Médiuns. Cap. XXIV, item 255.

  • Os […] Espíritos devem ser julgados, como homens; pela linguagem de que usam. Allan Kardec: O Livro dos Médiuns. Cap. XXIV, item 263.

 


 

SUGESTÕES DIDÁTICAS

 

Introdução:

  • Solicitar a um dos participantes que — após dividir quadro-de-giz, ou branco, em duas colunas — escrever, na primeira: FENÔMENO MEDIÚNICO e, na segunda: FENÔMENO ANÍMICO.

  • Em seguida, pedir à turma que preencha as duas colunas com palavras-chave, isto é, palavras cujo significado explica, identifica o contexto.

  • Realizar breve comentário sobre o exercício realizado, correlacionando-o aos objetivos do roteiro.

 

Desenvolvimento:

  • Dividir a turma em três grupos orientando-os na realização das tarefas que se seguem.

    1) Leitura dos três itens dos Subsídios, assim especificados:

    Grupo I: Distinção entre fenômeno mediúnico e fenômeno anímico.

    Grupo II: Linguagem utilizada nas comunicações.

    Grupo III: Identificação do Espírito comunicante.

    2) Troca de ideias sobre o assunto lido.

    3) Elaboração de uma síntese sobre o assunto, para ser apresentada, em plenária, por um dos colegas indicado pelo grupo.

  • Ouvir os relatos, promovendo um debate sobre as ideias apresentadas na síntese.

 

Conclusão:

  • Projetar, em transparência, um roteiro que caracterize a prática mediúnica segura, tendo como base os capítulos 4 (Do médium) e 27 (Perante a mediunidade) do livro Conduta Espírita, do Espírito André Luiz, edição FEB (veja anexo).

 

Avaliação:

  • O estudo será considerado satisfatório, se os participantes analisarem, no trabalho em grupo, as principais dificuldades na identificação das fontes de comunicação mediúnica.

 

Técnica(s):

  • Explosão de ideias; leitura; trabalho em grupo.

 

Recurso(s):

  • Quadro-de-giz ou branco; Subsídios deste roteiro; transparências; retroprojetor; capítulos do livro Conduta Espírita.

 


 

SUBSÍDIOS

 

Uma das maiores dificuldades que o médium encontra para a realização da sua tarefa — sobretudo se ele é iniciante — diz respeito à procedência das comunicações que transmite, ainda que tenha conhecimentos sobre os fenômenos anímicos e os mediúnicos. O assunto desperta, naturalmente, algumas indagações: é possível saber com segurança se a comunicação é mediúnica, propriamente dita, ou é anímica? Será que sob […] a evocação de certas imagens, o pensamento do médium não se tornaria sujeito a determinadas associações, interferindo automaticamente no intercâmbio entre os homens da Terra e os habitantes do Além? (9). Poderíamos definir […] o limite onde cessa a ação própria da alma e começa a dos Espíritos? (8).

Saber distinguir se a comunicação é do próprio médium ou de um Espírito demanda tempo e aprendizado. Faz-se necessário observar com atenção a natureza das comunicações (veja módulo III, roteiro 4 do Programa Complementar), a linguagem e a identidade dos Espíritos comunicantes. Não se trata, porém, de tarefa de fácil execução. Entretanto, é possível analisaras principais dificuldades para identificar as fontes de comunicação mediúnica.

 

1. Distinção entre fenômeno mediúnico e fenômeno anímico

É por vezes muito difícil distinguir, num dado efeito, o que provém diretamente da alma do médium do que promana de uma causa estranha, porque com frequência as duas ações se confundem e convalidam. É assim que nas curas por imposição das mãos, o Espírito do médium pode atuar por si só, ou com a assistência de outro Espírito; que a inspiração poética ou artística pode ter dupla origem. Mas, do fato de ser difícil fazer se uma distinção como essa não se segue seja impossível. Não raro, a dualidade é evidente e, em todos os casos, quase sempre ressalta de atenta observação. (8)

Outro ponto que deve ser levado em conta, na distinção de um e do outro fenômeno, além da observação assinalada por Kardec, é o conhecimento sobre mediunidade: seus mecanismos, as influências a que o médium está sujeito etc. Buscando símbolo mais singelo, figuremos o médium como sendo uma ponte a ligar duas esferas, entre as quais se estabeleceu aparente solução de continuidade, em virtude da diferenciação da matéria do campo vibratório. Para ser instrumento relativamente exato, é-lhe imprescindível haver aprendido a ceder, e nem todos os artífices da oficina mediúnica realizam, a breve trecho, tal aquisição, que reclama devoção à felicidade do próximo, elevada compreensão do bem coletivo, avançado espírito de concurso fraterno e de serena superioridade nos atritos com a opinião alheia. (11) No mediunismo comum, portanto, o colaborador servirá com a matéria mental que lhe é própria, sofrendo-lhe as imprecisões naturais diante da investigação terrestre; e, após adaptar se aos imperativos mais nobres da renúncia pessoal, edificará, não de improviso, mas à custa de trabalho incessante, o templo interior de serviço, no qual reconhecerá a superioridade do programa divino acima dos caprichos humanos. Atingida essa realização, estará preparado para sintonizar se com o maior número de desencarnados e encarnados, oferecendo-lhes, como a ponte benfeitora, oportunidade de se encontrarem uns com os outros, na posição evolutiva em que permaneçam, através de entendimentos construtivos. (12)

Sendo assim, as influências anímicas diminuirão com o passar do tempo ­sem jamais cessar de todo — , à medida que o médium adquirir mais conhecimento e mais experiência, porque a mediunidade, como tudo na vida, tem […] sua evolução, seu campo, sua rota. Não é possível laurear o estudante no curso superior, sem que ele tenha tido suficiente aplicação nos cursos preparatórios, através de alguns anos de luta, de esforço, de disciplina. (10)

 

2. Linguagem utilizada nas comunicações

Os […] Espíritos devem ser julgados, como os homens, pela linguagem de que usam. Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas que lhe são desconhecidas; pelo estilo, pelas ideias, por uma imensidade de indícios, enfim, verificará se aquelas pessoas são instruídas ou ignorantes, polidas ou mal-educadas, superficiais, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais, etc. Assim, também, com os Espíritos. Devemos considerá-los correspondentes que nunca vimos e procurar conhecer o que pensaríamos do saber e do caráter de um homem que dissesse ou escrevesse tais coisas. Pode estabelecer-se como regra invariável e sem exceção que — a linguagem dos Espíritos está sempre em relação com o grau de elevação a que já tenham chegado. Os Espíritos realmente superiores não só dizem unicamente coisas boas, como também as dizem em termos isentos, de modo absoluto, de toda trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se uma única expressão denotando baixeza as macula, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade; com mais forte razão, se o conjunto do ditado fere as conveniências pela sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua procedência, quer pelos pensamentos que exprime, quer pela forma, e, ainda mesmo que algum Espírito queira iludir-nos sobre a sua pretensa superioridade, bastará conversemos algum tempo com ele para a apreciarmos. (5)

A bondade e a afabilidade são atributos essenciais dos Espíritos depurados. Não têm ódio, nem aos homens, nem aos outros Espíritos. Lamentam as fraquezas, criticam os erros, mas sempre com moderação, sem fel e sem animosidade. Admita-se que os Espíritos verdadeiramente bons não podem querer senão o bem e dizer senão coisas boas e se concluirá que tudo o que denote, na linguagem dos Espíritos, falta de bondade e de benignidade não pode provir de um bom Espírito. (6) Em se submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, em se lhes perscrutando e analisando o pensamento e as expressões, como é de uso fazer se quando se trata de julgar uma obra literária, rejeitando-se, sem hesitação, tudo o que peque contra a lógica e o bom-senso, tudo o que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser o que se está manifestando, leva-se o desânimo aos Espíritos mentirosos, que acabam por se retirar, uma vez fiquem bem convencidos de que não lograrão iludir. Repetimos: este meio é único, mas é infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os bons Espíritos nunca se ofendem com esta, pois que eles próprios a aconselham e porque nada têm que temer do exame. (7)

 

3. Identificação do Espírito comunicante

A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo. É que, com efeito, os Espíritos não nos trazem um ato de notoriedade e sabe-se com que facilidade alguns dentre eles tomam nomes que nunca lhes pertenceram. Esta, por isso mesmo, é, depois da obsessão, uma das maiores dificuldades do Espiritismo prático. Todavia, em muitos casos, a identidade absoluta não passa de questão secundária e sem importância real. A identidade dos Espíritos das personagens antigas é a mais difícil de se conseguir, tornando-se muitas vezes impossível, pelo que ficamos adstritos a uma apreciação puramente moral. […] Se um Espírito se apresenta com o nome de Fénelon, por exemplo, e diz trivialidades e puerilidades, está claro que não pode ser ele. Porém, se somente diz coisas dignas do caráter de Fénelon e que este não se furtaria a subscrever, há, senão prova material, pelo menos toda probabilidade moral de que seja de fato ele. Nesse caso, sobretudo, é que a identidade real se torna uma questão acessória. Desde que o Espírito só diz coisas aproveitáveis, pouco importa o nome sob o qual as diga. (1) À medida […] que os Espíritos se purificam e elevam na hierarquia, os caracteres distintivos de suas personalidades se apagam, de certo modo, na uniformidade da perfeição; nem por isso, entretanto, conservam eles menos suas individualidades. É o que se dá com os Espíritos superiores e os Espíritos puros. Nessa culminância, o nome que tiveram na Terra, em uma das mil existências corporais efêmeras por que passaram, é coisa absolutamente insignificante. […] De outro lado, se considerarmos o número imenso de Espíritos que, desde a origem dos tempos, devem ter galgado as fileiras mais altas e se o compararmos ao número tão restrito dos homens que hão deixado um grande nome na Terra, compreenderemos que, entre os Espíritos superiores, que podem comunicar se, a maioria deve carecer de nomes para nós. (2)

Portanto, se numa reunião mediúnica um Espírito superior se comunica sob o nome de uma personagem conhecida, nada […] prova que seja exatamente o Espírito dessa personagem; porém, se ele nada diz que desminta o caráter desta última, há presunção de ser o próprio e, em todos os casos, se pode dizer que, se não é ele, é um Espírito do mesmo grau de elevação, ou talvez até um enviado seu. Em resumo, a questão de nome é secundária, podendo-se considerar o nome como simples indício da categoria que ocupa o Espírito na escala espírita. (3)

Muito mais fácil de se comprovar é a identidade, quando se trata de Espíritos contemporâneos, cujos caracteres e hábitos se conhecem, porque, precisamente, esses hábitos, de que eles ainda não tiveram tempo de despojar se, são que os fazem reconhecíveis e desde logo dizemos que isso constitui um dos sinais mais seguros de identidade. Pode, sem dúvida, o Espírito dar provas desta, atendendo ao pedido que se lhe faça; mas, assim só procede quando lhe convenha. (4)

 


 

ANEXO

Textos do livro Conduta Espírita

 

CAPÍTULO 4: DO MÉDIUM

 

Esquivar-se à suposição de que detém responsabilidades ou missões de avultada transcendência, reconhecendo-se humilde portador de tarefas comuns, conquanto graves e importantes como as de qualquer outra pessoa.

O seareiro do Cristo é sempre servo, e servo do amor.

 

*

 

No horário disponível entre as obrigações familiares e o trabalho que lhe garante a subsistência, vencer os imprevistos que lhe possam impedir o comparecimento às sessões, tais como visitas inesperadas, fenômenos climatéricos e outros motivos, sustentando lealdade ao próprio dever.

Sem euforia íntima não há exercício mediúnico produtivo.

 

*

 

Preparar a própria alma em prece e meditação, antes da atividade mediúnica, evitando, porém, concentrar-se mentalmente para semelhante mister durante as explanações doutrinárias, salvo quando lhe caibam tarefas especiais concomitantes, a fim de que não se prive do ensinamento.

A oração é luz na alma refletindo a Luz Divina.

 

*

 

Controlar as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimentos de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos.

O medianeiro será sempre o responsável direto pela mensagem de que se faz portador.

 

*

 

Silenciar qualquer prurido de evidência pessoal na produção desse ou daquele fenômeno. A espontaneidade é o selo de crédito em nossas comunicações com o Reino do Espírito. Mesmo indiretamente, não retirar proveito material das produções que obtenha.

Não há serviço santificante na mediunidade vinculada a interesses inferiores.

 

*

 

Extinguir obstáculos, preocupações e impressões negativas que se relacionem com o intercâmbio mediúnico, quais sejam, a questão da consciência vigilante ou da inconsciência sonambúlica durante o transe, os temores inúteis e as suscetibilidades doentias, guiando-se pela fé raciocinada e pelo devotamento aos semelhantes.

Quem se propõe avançar no bem, deve olvidar toda causa de perturbação.

 

*

 

Ainda quando provenha de círculos bem-intencionados, recusar o tóxico da lisonja.

No rastro do orgulho, segue a ruína.

 

*

 

Fugir aos perigos que ameaçam a mediunidade, como sejam a ambição, a ausência de autocrítica, a falta de perseverança no bem e a vaidade com que se julga invulnerável.

O medianeiro carrega consigo os maiores inimigos de si próprio.

 

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” — Paulo. (I CORÍNTIOS, 12:7.) (13)

 


 

CAPÍTULO 27: PERANTE A MEDIUNIDADE

 

Reprimir qualquer iniciativa tendente a assinalar a mediunidade, o médium ou os fatos mediúnicos como extraordinários ou místicos.

O intercâmbio mediúnico é acontecimento natural e o médium é um ser humano como qualquer outro.

 

*

 

Certificar-se de que o exercício natural da mediunidade não exime o médium da obrigação de viver profissão honesta na sociedade a que pertence.

Não pode haver assistência digna onde não há dever dignamente cumprido.

 

*

 

Precaver-se contra as petições inadequadas junto à mediunidade.

Os médiuns são companheiros comuns que devem viver normalmente as experiências e as provas que lhes cabem.

 

*

 

Por nenhuma razão elogiar o medianeiro pelos resultados obtidos através dele, lembrando-se que é sempre possível agradecer sem lisonjear.

Para nós, todo o bem puro e nobre procede de Jesus-Cristo, nosso Mestre e Senhor.

 

*

 

Ainda mesmo premido por extensas dificuldades, colocar o exercício da mediunidade acima dos eventos efêmeros e limitados que varrem constantemente os panoramas sociais e religiosos da Terra.

A mediunidade nunca será talento para ser enterrado no solo do comodismo.

 

*

 

Conversar sobre fenômenos mediúnicos e princípios espíritas apenas em ambientes receptivos.

Há terrenos que ainda não estão amanhados para a semeadura.

 

*

 

Prosseguir sem vacilações no consolo e no esclarecimento das almas, esquecendo espinheiros e pedras do vale humano, para conquistar a luz da imortalidade que fulgura nos cimos da vida.

Desenvolver-se alguém mediunicamente, a bem do próximo, é ascender em espiritualidade.

 

“E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu espírito derramarei sobre toda carne.” — (ATOS, 2:17.) (14)

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 74. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. XXIV, item 255, p. 324-325.

2. Idem - Item 256, p. 325.

3. Idem, ibidem - p. 326.

4. Id. - Item 257, p. 327.

5. Id. - Item 263, p. 330-331.

6. Id. - Item. 264, p. 331.

7. Id. - Item 266, p. 332.

8. Idem - Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 36. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Primeira Parte, item: Controvérsias sobre a ideia da existência de seres intermediários entre o homem e Deus, p. 92.

9. XAVIER, Francisco Cândido. No Mundo Maior. Pelo Espírito André Luiz. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. 9 (Mediunidade), p. 149.

10. Idem, ibidem - p. 150-151.

11. Idem, ibidem - p. 152-153.

12. Idem, ibidem - p. 154.

13. VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 4 (Do médium), p. 27-30.

14. Id. - Cap. 27 (Perante a mediunidade), p. 99 -101.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.