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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Complementar

Módulo I — Vida no Mundo Espiritual

 

Roteiro 9

 

Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas. Espíritos protetores

 

Objetivo Geral: Propiciar conhecimentos da vida no Mundo Espiritual.

Objetivo Específico: Explicar por que os Espíritos votam afeição a certas pessoas. — Identificar o papel dos Espíritos protetores.


 

CONTEÚDO BÁSICO

 

  • Os Espíritos se afeiçoam de preferência a certas pessoas? Os bons Espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorarem. Os Espíritos inferiores com os homens viciosos, ou que podem tornar se tais. Daí suas afeições, como consequência da conformidade dos sentimentos. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 484.

  • Todos temos, ligado a nós, desde o nosso nascimento, um Espírito bom, que nos tomou sob a sua proteção. Desempenha, junto de nós, a missão de um pai para com seu filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso, através das provações da vida. Sente-se feliz, quando correspondemos à sua solicitude; sofre, quando nos vê sucumbir […]. Invocamo-lo, então, como nosso anjo guardião, nosso bom gênio […]. Além do Anjo guardião, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protetores que, embora menos elevados, não são menos bons e magnânimos. Contamo-los entre amigos, ou parentes, ou, até, entre pessoas que não conhecemos na existência atual. Eles nos assistem com seus conselhos e, não raro, intervindo nos atos da nossa vida. Allan Kardec: O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. XXVIII, item 11.

 


 

SUGESTÕES DIDÁTICAS

 

Introdução:

  • Realizar uma breve exposição do assunto, tendo como base o conteúdo básico deste roteiro.

 

Desenvolvimento:

  • Em seguida, dividir a turma em dois grupos.

  • Pedir-lhes que realizem a seguinte tarefa:

    Grupo 1: leitura da questões 489 a 495 - primeiro parágrafo, de O Livro dos Espíritos.

    Grupo 2: leitura da questões 513 e 514, de O Livro dos Espíritos.

  • Concluída a leitura, solicitar aos participantes a formação de um grande círculo para discussão do assunto, objeto deste roteiro.

  • Observação: sugerimos que o monitor prepare um questionário, tendo como referência os Subsídios, com a finalidade de dinamizar a discussão circular.

 

Conclusão:

  • Destacar, ao final, o pensamento dos Espíritos Superiores assinalados, respectivamente, nas referências 12, 16 e 17.

 

Avaliação:

  • O estudo será considerado satisfatório, se os participantes opinarem, com acerto, nas atividades da discussão circular.

 

Técnica(s):

  • Exposição; leitura; discussão circular.

 

Recurso(s):

  • Conteúdo básico e  Subsídios deste roteiro; O Livro dos Espíritos.

 


 

SUBSÍDIOS

 

1. Os Espíritos Simpáticos

Ensina a Doutrina Espírita que os Espíritos se afeiçoam de preferência a certas pessoas. Os bons Espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorarem. Os Espíritos inferiores com os homens viciosos, ou que podem tornar se tais. Daí suas afeições, como consequência da conformidade dos sentimentos. (3) Nem sempre, contudo, é exclusivamente moral a afeição que os Espíritos dedicam aos encarnados. Com efeito, a […] verdadeira afeição nada tem de carnal; mas, quando um Espírito se apega a uma pessoa, nem sempre o faz só por afeição. À estima que essa pessoa lhe inspira pode agregar se uma reminiscência das paixões humanas. (4) Assim, os Espíritos denominados […] simpáticos são os que se sentem atraídos para o nosso lado por afeições particulares e ainda por uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto para o bem como para o mal. De ordinário, a duração de suas relações se acha subordinada às circunstâncias. (14) Muitas vezes um Espírito se une particularmente a um indivíduo para protegê-lo. É o chamado irmão espiritual, bom Espírito ou bom gênio (5), Espírito familiar (13), ou, ainda, anjo de guarda ou guardião. Esta última denominação se destaca, por designar o […] Espírito protetor, pertencente a uma ordem elevada. (6) Há, desse modo, […], gradações na proteção e na simpatia. (13)

Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por laços mais ou menos duráveis, com o fim de lhes serem úteis, dentro dos limites do poder, quase sempre muito restrito, de que dispõem. São bons, porém muitas vezes pouco adiantados e mesmo um tanto levianos. Ocupam-se de boamente com as particularidades da vida íntima e só atuam por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores. (14) A missão do anjo de guarda, por sua vez, é a […] de um pai com relação aos filhos; a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida. (7) Essa proteção é exercida desde o nascimento até a desencarnação do indivíduo […] e muitas vezes o acompanha na vida espírita, depois da morte, e mesmo através de muitas existências corpóreas […]. (8) Quando vê que seus conselhos são inúteis pode o Espírito protetor afastar-se temporariamente do seu protegido, respeitando-lhe o livre-arbítrio, mas […] não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então o homem quem tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame. (9)

 

2. A Doutrina dos Anjos Guardiões

Afirmam os Espíritos São Luís e Santo Agostinho: É uma doutrina, esta, dos anjos guardiães, que, pelo seu encanto e doçura, devera converter os mais incrédulos. Não vos parece grandemente consoladora a ideia de terdes sempre junto de vós seres que vos são superiores, prontos sempre a vos aconselhar e amparar, a vos ajudar na ascensão da abrupta montanha do bem; mais sinceros e dedicados amigos do que todos os que mais intimamente se vos liguem na Terra? Eles se acham ao vosso lado por ordem de Deus. Foi Deus quem aí os colocou e, aí permanecendo por amor de Deus, desempenham bela, porém penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco. Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos a quem não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhes ouve os ponderados conselhos.

Ah! se conhecêsseis bem esta verdade! Quanto vos ajudaria nos momentos de crise! Quanto vos livraria dos maus Espíritos! Mas, oh! quantas vezes, no dia solene, não se verá esse anjo constrangido a vos observar: “Não te aconselhei isto? Entretanto, não o fizeste. Não te mostrei o abismo? Contudo, nele te precipitaste! Não fiz ecoar na tua consciência a voz da verdade? Preferiste, no entanto, seguir os conselhos da mentira!” Oh! interrogai os vossos anjos guardiães; estabelecei entre eles e vós essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos. Não penseis em lhes ocultar nada, pois que eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. Pensai no futuro; procurai adiantar vos na vida presente. Assim fazendo, encurtareis vossas provas e mais felizes tornareis as vossas existências. Vamos, homens, coragem! De uma vez por todas, lançai para longe todos os preconceitos e ideias preconcebidas. Entrai na nova senda que diante dos passos se vos abre. Caminhai! Tendes guias, segui-os, que a meta não vos pode faltar, porquanto essa meta é o próprio Deus.

Aos que considerem impossível que Espíritos verdadeiramente elevados se consagrem a tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que nós vos influenciamos as almas, estando embora muitos milhões de léguas distantes de vós. O espaço, para nós, nada é, e, não obstante viverem noutro mundo, os nossos Espíritos conservam suas ligações com os vossos. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas ficai certos de que Deus não nos impôs tarefa superior às nossas forças e de que não vos deixou sós na Terra, sem amigos e sem amparo. Cada anjo de guarda tem o seu protegido, pelo qual vela, como o pai pelo filho. Alegra-se, quando o vê no bom caminho; sofre, quando lhe ele despreza os conselhos. Não receeis fatigar-nos com as vossas perguntas. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco. Sereis assim mais fortes e mais felizes. (10)

A respeito desse assunto, assinala Kardec: Nada tem de surpreendente a doutrina dos anjos guardiães, a velarem pelos seus protegidos, mau grado à distância que medeia entre os mundos. É, ao contrário, grandiosa e sublime. Não vemos na Terra o pai velar pelo filho, ainda que de muito longe, e auxiliá-lo com seus conselhos correspondendo-se com ele? Que motivo de espanto haverá, então, em que os Espíritos possam, de um outro mundo, guiar os que, habitantes da Terra, eles tomaram sob sua proteção, uma vez que, para eles, a distância que vai de um mundo a outro é menor do que a que, neste planeta, separa os continentes? Não dispõem, além disso, do fluido universal, que entrelaça todos os mundos, tornando-os solidários; veículo imenso da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o da transmissão do som? (11)

Neste ponto, é oportuno esclarecer que os anjos, segundo o Espiritismo, não constituem seres privilegiados na Criação. São apenas Espíritos […] chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes, porém, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes […]. (1) Uma dessas funções consiste em assistir os homens, ajudando-os a progredirem. Desse modo, embora o anjo propriamente dito seja aquele que se elevou na hierarquia espiritual até atingir o estado de puro Espírito (1), o chamado anjo guardião pode pertencer a uma ordem elevada (6) sem, necessariamente, haver alcançado a perfeição moral.

A propósito da relação de graus evolutivos entre o anjo guardião e o seu protegido, o Espírito André Luiz apresenta o seguinte esclarecimento: Será justo lembrar que estamos plasmando nossa individualidade imperecível no espaço e no tempo, ao preço de continuadas e difíceis experiências. A ideia de um ente divinizado e perfeito, invariavelmente ao nosso lado, ao dispor de nossos caprichos ou ao sabor de nossas dívidas, não concorda com a justiça. Que governo terrestre destacaria um de seus ministros mais sábios e especializados na garantia do bem de todos para colar se, indefinidamente, ao destino de um só homem, quase sempre renitente cultor de complicados enigmas e necessitado, por isso mesmo, das mais severas lições da vida? por que haveria de obrigar se um arcanjo a descer da Luz Eterna para seguir, passo a passo, um homem deliberadamente egoísta ou preguiçoso? Tudo exige lógica, bom-senso. (16) Essas considerações, todavia, não significam que os anjos de guarda permaneçam distantes de nós, uma vez que o […] Sol está com o verme, amparando-o na furna, a milhões e milhões de quilômetros, sem que o verme esteja com o Sol. (16) Assim, entre nós e os nossos anjos guardiões pode existir uma grande desigualdade evolutiva. Tal circunstância, porém, não nos afasta da sua constante proteção, embora a sua influência possa exercer-se à distância. Teremos, no entanto, sempre a nossa volta Espíritos protetores, uma vez que, em […] qualquer região, convivem conosco os Espíritos familiares de nossa vida e de nossa luta. Dos seres mais embrutecidos aos mais sublimados, temos a corrente de amor, cujos elos podemos simbolizar nas almas que se querem ou que se afinam umas com as outras, dentro da infinita gradação do progresso. (17) É o que também ensinam os Instrutores da Codificação Espírita: Todo homem tem um Espírito que por ele vela, mas as missões são relativas ao fim que visam. Não dais a uma criança, que está aprendendo a ler, um professor de filosofia. O progresso do Espírito familiar guarda relação com o do Espírito protegido. Tendo um Espírito que vela por vós, podeis tornar-vos, a vosso turno, o protetor de outro que vos seja inferior e os progressos que este realize, com o auxílio que lhe dispensardes, contribuirão para o vosso adiantamento. Deus não exige do Espírito mais do que comportem a sua natureza e o grau de elevação a que já chegou. (12)

Todos temos, assim, […] um desses Gênios tutelares que nos inspira nas horas difíceis e dirige-nos pelo bom caminho. […] Saber que temos um amigo fiel e sempre disposto a socorrer nos, de perto como de longe, influenciando-nos a grandes distâncias ou conservando-se junto de nós nas provações; saber que ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte inapreciável de força moral. O pensamento de que testemunhas benévolas e invisíveis veem todos os nossos atos, regozijando-se ou entristecendo-se, deve inspirar-nos mais sabedoria e circunspecção. É por essa proteção oculta que se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne. É por essa assistência contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as amizades duradouras e desinteressadas. O amor que anima o Espírito elevado vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres sem cessar, revertendo tudo para Deus, pai das almas, foco de todas as potências efetivas. (15)

Podemos, então, dizer que, além dos Espíritos que nos são simpáticos, de um modo geral, todos […] temos, ligado a nós, desde o nosso nascimento, um Espírito bom, que nos tomou sob a sua proteção. Desempenha, junto de nós, a missão de um pai para com seu filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso, através das provações da vida. Sente-se feliz, quando correspondemos à sua solicitude; sofre, quando nos vê sucumbir. Seu nome pouco importa, pois bem pode dar se que não tenha nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como nosso anjo guardião, nosso bom gênio. Podemos mesmo invocá-lo sob o nome de qualquer Espírito superior, que mais viva e particular simpatia nos inspire. Além do Anjo guardião, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protetores que, embora menos elevados, não são menos bons e magnânimos. Contamo-los entre amigos, ou parentes, ou, até, entre pessoas que não conhecemos na existência atual. Eles nos assistem com seus conselhos e, não raro, intervindo nos atos da nossa vida. […] Deus, em o nosso anjo guardião, nos deu um guia  principal e superior e, nos Espíritos protetores e familiares, guias secundários. (2)

 


 

ANEXO

 

A Prece

(João de Deus)

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. 54. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Primeira parte, cap. VIII, item 13, p. 113.

2. Idem - O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. XXVIII, item 11, p. 398-399.

3. Idem - O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 84. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Questão 484, p. 254.

4. Id. - Questão 485, p. 254.

5. Id. - Questão 489, p. 255.

6. Id. - Questão 490, p. 255.

7. Id. - Questão 491, p. 256.

8. Id. - Questão 492, p. 256.

9. Id. - Questão 495, p. 256.

10. Idem, ibidem - p. 256-257.

11. Idem, ibidem - p. 258.

12. Id. - Questão 509, p. 262.

13. Id. - Questão 514, p. 263.

14. Id. - Questão 514 - comentário, p. 264.

15. DENIS, Leon. Depois da Morte. Tradução de João Lourenço de Souza. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Parte Quarta (Além-Túmulo), cap. XXXV (A Vida Superior), p. 225.

16.  XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Pelo Espírito André Luiz. 21. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Cap. 33 (Aprendizado), p. 276-277.

17. Idem, ibidem. - p. 278.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.