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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Complementar

Módulo I — Vida no Mundo Espiritual

 

Roteiro 5

 

Sorte das crianças depois da morte

 

Objetivo Geral: Propiciar conhecimentos da vida no Mundo Espiritual.

Objetivos Específicos: Identificar as causas espirituais da desencarnação na infância. — Dar informações sobre a situação das crianças depois da morte do corpo [Consulte por idade a Relação de Mensagens familiares].


 

CONTEÚDO BÁSICO

 

  • Não tendo podido praticar o mal, o Espírito de uma criança que morreu em tenra idade pertence a alguma das categorias superiores? Se não fez o mal, igualmente não fez o bem e Deus não o isenta das provas que tenha de padecer. Se for um Espírito puro, não o é pelo fato de ter animado apenas uma criança, mas porque já progredira até à pureza. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 198.

  • A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espírito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar, e sua morte, também não raro, constitui provação ou expiação para os pais. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 199.

  • Quando […] o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva, assumindo o comando mental de si mesmo, adquire o poder de facilmente desprender se das imposições da forma […]. Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam o caminho não é o mesmo […]. É por esse motivo que não podemos prescindir dos períodos de recuperação para quem se afasta do veículo físico, na fase infantil. André Luiz: Entre a Terra e o Céu. Cap. X.

  • No mundo espiritual há diversas instituições devotadas ao acolhimento e ao reajuste de Espíritos desencarnados na infância. André Luiz: Entre a Terra e o Céu. Cap. IX, 4ª página [v. também o cap. 11]. — Rev. G. Vale Owen: A vida além do véu. Cap. IV. (7)

 


 

SUGESTÕES DIDÁTICAS

 

Introdução:

  • Apresentar o assunto e o objetivo da aula.

  • Entregar a cada participante uma cópia do texto Doce Bilhete, do Espírito Itamar, psicografia de Francisco Cândido Xavier, que deverá ser lido individual e silenciosamente. (Veja anexo [Obs. Este roteiro não possui nenhum anexo]).

  • Após a leitura, interpretar, em conjunto com a turma, as ideias do autor, expressas no texto.

 

Desenvolvimento:

  • Em seguida, fazer uma exposição sobre as causas espirituais da morte na infância, tendo como base o item 1 dos Subsídios deste roteiro. Estimular a participação de todos, seja por meio de perguntas, adequadamente inseridas durante a explanação, seja respondendo dúvidas.

  • Solicitar, então, à turma que se organize em três grupos para a realização das seguintes atividades:

    Grupo 1: Leitura do item 2 dos Subsídios; elaboração de quadro-mural contendo as principais características do Espírito da criança após a morte do corpo físico; apresentação do trabalho por um relator, previamente indicado pelo grupo.

    Grupo 2: Leitura dos itens 2 e 2.1 dos Subsídios (Lar da Bênção); elaboração de quadro-mural contendo as principais características desta localidade espiritual de auxílio à criança; apresentação do trabalho por um relator, previamente indicado pelo grupo.

    Grupo 3: Leitura dos itens 2 e 2.2 dos Subsídios (Cidade de Castrel); elaboração de quadro-mural contendo as principais características desta localidade espiritual de auxílio à criança; apresentação do trabalho por um relator, previamente indicado pelo grupo.

  • Observação: colocar à disposição dos grupos materiais para a realização do quadro-mural: cartolinas, pincéis hidrográficos de cores variadas, fita adesiva, etc.

  • Ouvir as conclusões do grupo fazendo os comentários pertinentes.

 

Conclusão:

  • Concluir a aula, relembrando o ensinamento milenar — “A natureza não dá saltos” — , relacionando-o ao desenvolvimento paulatino do Espírito da criança após a morte do corpo físico.

 

Avaliação:

  • O estudo será considerado satisfatório, se: a) a turma participar, efetivamente, da interpretação das ideias do texto mediúnico e da exposição sobre a sorte das crianças após a desencarnação; b) registrar no quadro-mural informações sobre as instituições espirituais de auxílio à criança; c) participar da exposição feita pelo monitor.

 

Técnica(s):

  • Leitura; interpretação de texto; exposição; estudo em grupos.

 

Recurso(s):

  • Texto psicografado; Subsídios do roteiro.

 


 

SUBSÍDIOS

 

1. Causas espirituais da morte na infância

É comum, no nosso planeta, a morte na infância, mesmo no que se refere às comunidades que desfrutam de melhor qualidade de vida. A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espírito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar, e sua morte, também não raro, constitui provação ou expiação para os pais. (4) O esclarecimento e o consolo oferecidos pelo Espiritismo tornam mais leve a tristeza que representa, em especial, a morte na infância. Se […] há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há também aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da família. (1)

Analisando esta questão de perto, Allan Kardec assim se expressa: Que dizer, enfim, dessas crianças que morrem em tenra idade e da vida só conheceram sofrimentos? Problemas são esses que ainda nenhuma filosofia pôde resolver, anomalias que nenhuma religião pôde justificar, e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus, se se verificasse a hipótese de ser criada a alma ao mesmo tempo que o corpo e de estar a sua sorte irrevogavelmente determinada após a permanência de alguns instantes na Terra. Que fizeram essas almas, que acabam de sair das mãos do Criador, para se verem, neste mundo, a braços com tantas misérias e para merecerem no futuro uma recompensa ou uma punição qualquer, visto que não hão podido praticar nem o bem, nem o mal? Todavia, por virtude do axioma segundo o qual todo efeito tem uma causa, tais misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ora, ao efeito precedendo sempre a causa, se esta não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência precedente. Por outro lado, não podendo Deus punir alguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez, se somos punidos, é que fizemos o mal; se esse mal não o fizemos na presente vida, tê-lo-emos feito noutra. É uma alternativa a que ninguém pode fugir e em que a lógica decide de que parte se acha a justiça de Deus. (2)

O Espírito Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris, em mensagem datada de 1863, esclarece, pondera e aconselha: Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições, os mais moços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica um que está forte e tem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos cheios de decepções; pois leva os que são úteis e deixa os que para nada mais servem; pois despedaça o coração de uma mãe, privando-a da inocente criatura que era toda a sua alegria.

Humanos, é nesse ponto que precisais elevar vos acima do terra-a-terra da vida, para compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal, a sábia previdência onde pensais divisara cega fatalidade do destino. Porque haveis de avaliar a justiça divina pela vossa? Podeis supor que o Senhor dos mundos se aplique, por mero capricho, a vos infligir penas cruéis? Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses se tornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano.

Crede-me, a morte é preferível, numa encarnação de vinte anos, a esses vergonhosos desregramentos que pungem famílias respeitáveis, dilaceram corações de mães e fazem que antes do tempo embranqueçam os cabelos dos pais. Frequentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra. É uma horrenda desgraça, dizeis, ver cortado o fio de uma vida tão prenhe de esperanças! De que esperanças falais? Das da Terra, onde o liberto houvera podido brilhar, abrir caminho e enriquecer? Sempre essa visão estreita, incapaz de elevar se acima da matéria. Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida, ao vosso parecer tão cheia de esperanças? Quem vos diz que ela não seria saturada de amarguras? Desdenhais então das esperanças da vida futura, ao ponto de lhe preferirdes as da vida efêmera que arrastais na Terra? Supondes então que mais vale uma posição elevada entre os homens, do que entre os Espíritos bem-aventurados? Em vez de vos queixardes, regozijai-vos quando praz a Deus retirar deste vale de misérias um de seus filhos. Não será egoístico desejardes que ele aí continuasse para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe naquele que carece de fé e que vê na morte uma separação eterna. Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães, sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma revolta contra a vontade de Deus. Vós, que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração a chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os abençoe, em vós sentireis fortes consolações, dessas que secam as lágrimas; sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão o porvir que o soberano Senhor prometeu. (3) Por outro lado, reflitamos com Kardec: se […] uma única existência tivesse o homem e se, extinguindo-se-lhe ela, sua sorte ficasse decidida para a eternidade, qual seria o mérito de metade do gênero humano, da que morre na infância, para gozar, sem esforços, da felicidade eterna e com que direito se acharia isenta das condições, às vezes tão duras, a que se vê submetida a outra metade? Semelhante ordem de coisas não corresponderia à justiça de Deus. Com a reencarnação, a igualdade é real para todos. O futuro a todos toca sem exceção e sem favor para quem quer que seja. Os retardatários só de si mesmos se podem queixar. Forçoso é que o homem tenha o merecimento de seus atos, como tem deles a responsabilidade. (5)

 

2. Sorte das crianças depois da morte

Ao desencarnar, o Espírito que animava o corpo de uma criança nem sempre retorna de imediato à fase adulta. É bem verdade que volta ao seu precedente vigor, uma vez que não sofre mais as limitações da vida no plano material. Entretanto, não readquire a anterior lucidez, senão quando se tenha completamente separado daquele envoltório, isto é, quando mais nenhum laço exista entre ele e o corpo. (6) O livro Entre a Terra e o Céu, de André Luiz, registra — a respeito da sorte das crianças após a desencarnação — interessante diálogo entre os Espíritos Hilário e Blandina, esta ao que parece, a vigilante mais responsável pelos pequeninos na instituição espiritual Lar da Bênção:

Antigamente, na Terra [considerou Hilário], conforme a teologia clássica, supúnhamos que os inocentes, depois da morte, permaneciam recolhidos ao descanso do limbo, sem a glória do Céu e sem o tormento do inferno, e, nos últimos tempos, com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino desencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto…

Em muitas situações, é o que acontece — esclareceu Blandina, afetuosa — ; quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva, assumindo o comando mental de si mesmo, adquire o poder de facilmente desprender se das imposições da forma, superando as dificuldades da desencarnação prematura. Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira. Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo. Almas ainda encarceradas no automatismo inconsciente, acham-se relativamente longe do autogoverno. Jazem conduzidas pela Natureza, à maneira das criancinhas no colo maternal. Não sabem desatar os laços que as aprisionam aos rígidos princípios que orientam o mundo das formas e, por isso, exigem tempo para se renovarem no justo desenvolvimento. É por esse motivo que não podemos prescindir dos períodos de recuperação para quem se afasta do veículo físico, na fase infantil, de vez que, depois do conflito biológico da reencarnação ou da desencarnação, para quantos se acham nos primeiros degraus da conquista de poder mental, o tempo deve funcionar como elemento indispensável de restauração. E a variação desse tempo dependerá da aplicação pessoal do aprendiz à aquisição de luz interior, através do próprio aperfeiçoamento moral. (10)

Essas considerações justificam, assim, a existência de inúmeras instituições de auxílio à infância no Plano espiritual, seja para adequá-las à realidade da nova moradia seja para assisti-la numa nova encarnação. A título de ilustração, citaremos alguns exemplos extraídos da literatura espírita.

 

2.1 — Lar da Bênção

É uma […] importante Colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal. (9) Essa Colônia, situada no espaço espiritual correspondente às terras brasileiras, tem como objetivo preparar mães para a maternidade responsável e atender às crianças que desencarnam e encarnam. Tais crianças encontram aí o apoio necessário ao seu reajustamento espiritual. Assim é que, nos primeiros momentos como libertos do corpo físico, ou enquanto lhes dure o equilíbrio, são abençoadas pela assistência superior e amiga dos benfeitores espirituais do Lar da Bênção e pelo afeto inesquecível daquelas que foram suas genitoras, as quais, ainda presas aos liames da carne, são, no entanto, levadas à Colônia para auxiliar e acompanhar o reerguimento dos filhos. (11)

 

2.2 — Cidade de Castrel

Essa Colônia espiritual, cujas informações nos chegaram com a primeira edição do livro acima citado (1920), tem como tarefa básica o atendimento à infância. Recebe Espíritos desencarnados na infância, prepara-os para a nova realidade da vida, reintegra-os aos Planos que lhes são destinados após terem retornado à forma adulta, ou prepara Espíritos para a reencarnação, acompanhando-os na fase infantil. Apesar de a linguagem predominante no livro não ser atual, é uma obra de leitura agradável, que muito nos esclarece. A Colônia, situada entre montanhas, possui uma cúpula dourada no centro, cercada por um terraço cheio de colunas. (7) Uma longa rua corta a cidade de um extremo ao outro, formando uma alameda, onde estão localizadas as residências dos seus dirigentes. Há muitos terrenos, espaçosos edifícios e construções para o atendimento à criança. (7) Vivem aí muitos trabalhadores do campo, dedicados à horticultura, e muitos da cidade, dedicados a tarefas juntos à infância. É uma localidade muito bela e iluminada; há muitas fontes de água e predominância de ambiente harmônico. O desejo do bem é a nota reinante. (8)

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. V, item 6, p. 101.

2. Idem, ibidem - p. 101-102.

3. Idem - Item 21, p. 115-116.

4. Idem - O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 85. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004, questão 199, p 133.

5. Id. - Questão 199a - comentário, p. 134.

6. Id. - Questão 381, p. 210.

7. OWEN, Vale G. A Vida Além do Véu. Tradução de Carlos Imbassahy. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Cap. IV (Cidade e os domínios de Castrel), p. 127.

8. Idem, ibidem - p. 127-142.

9. XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Pelo Espírito André Luiz. 21. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1997. Cap. 9 (Lar da Bênção), p. 71.

10. Id. - Cap. 10 (Preciosa conversação), p. 83-84.

11. Id. - Capítulos 9 e 11, p. 71-94.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.