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EPM — Estudo e Prática da Mediunidade

PROGRAMA II — MÓDULO DE ESTUDO Nº V
FUNDAMENTAÇÃO ESPÍRITA — ATENDIMENTO AOS ESPÍRITOS COMUNICANTES

Roteiro 5


Esclarecimento aos Espíritos que sofrem (3)


Objetivo específico: Esclarecer a respeito do atendimento espírita aos Espíritos que sofrem e se comunicam na reunião mediúnica.



SUBSÍDIOS


Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem. Judas (Epístola de Judas, 10)


1. ATENDIMENTO A ESPÍRITOS PORTADORES DE GRAVES SOFRIMENTOS


Incluímos nessa categoria: suicidas que planejaram a própria desencarnação; perseguidores e obsessores endurecidos; portadores de sérias deformações perispirituais (ovoidização e zoantropia).


1.1 — Suicidas que planejaram a própria desencarnação


Os suicidas revelam sofrimentos atrozes em suas manifestações mediúnicas. «Sua alma, posto que separada do corpo, está ainda completamente imersa no que poderia chamar-se o turbilhão da matéria corporal: vivazes lhes são as ideias terrenas, a ponto de se acreditar encarnado.» (1) No além-túmulo passam por terrível «[…] suplício pela sensação dos vermes que corroem o corpo, sem falarmos da sua duração, que deverá equivaler ao tempo de vida abreviada.» (2)

Nessas condições, o diálogo deve ser saturado de ternura e de vibrações amorosas. A compaixão é o sentimento que deve predominar nessa conversa fraterna, durante a qual os trabalhadores espirituais retiram da equipe mediúnica as energias magnéticas necessárias para aliviar dores e reparar lesões perispirituais presentes nos suicidas.

O desabafo, carregado de remorso, é típico das manifestações mediúnicas dos suicidas, ainda que todos, sem exceção, tenham recebido os primeiros socorros nas instituições existentes no mundo espiritual. Os componentes do grupo devem ouvi-los com paciência e ampará-los com bondade, envolvendo-os em boas vibrações.

O desabafo de um suicida pode revelar-se confuso na sua primeira manifestação na reunião mediúnica. Em comunicações posteriores, à medida que o auxílio proveniente de ambos os Planos de vida é por ele absorvido, consegue expressar-se com mais clareza, ainda que se revele marcado pela dor, pelo remorso e por fixações mentais. Nesta situação, o dialogador deverá agir com muito tato na condução do esclarecimento, por não desconhecer as implicações que o ato suicida resultará no planejamento das futuras reencarnações do Espírito. A palavra fraterna do doutrinador lembrará ao sofredor que, ainda que justiça divina se manifeste, por ser lei natural, não está destituída da Bondade e da Misericórdia; que Jesus afirmou “não ser os sãos que necessitam de médico, mas sim os doentes” (Mateus, 9:12); que o amor é norma que rege o Universo, etc.

Importa considerar que nem todos os médiuns psicofônicos e de esclarecimento (doutrinadores) revelam possuir condições, espirituais e doutrinárias, para prestarem atendimento a Espíritos suicidas. Por outro lado, não devemos esquecer que o trabalho maior é realizado pelos benfeitores espirituais que, a despeito de auxiliá-los com amor e dedicação, não os mantêm desinformados a respeito das futuras provações. Relacionamos, em seguida algumas delas, retiradas da obra mediúnica recebida por Yvonne Pereira, Memórias de um Suicida: (7)

  • O suicida é um Espírito criminoso, falido nos compromissos que tinha para com as Leis sábias, justas e imutáveis estabelecidas pelo Criador, e que se vê obrigado a repetir a experiência na Terra, tomando corpo novo, uma vez que destruiu aquele que a Lei lhe confiara para instrumento de auxílio na conquista do próprio aperfeiçoamento.

  • O Espírito de um suicida voltará a novo corpo terreno em condições muito penosas de sofrimento, agravadas pelas resultantes do grande desequilíbrio que o desesperado gesto provocou no seu corpo astral, isto é, no perispírito.

  • A volta de um suicida a um novo corpo carnal é a lei. É lei inevitável, irrevogável! É expiação irremediável, à qual terá de se submeter voluntariamente ou não.

  • Sucumbindo ao suicídio o homem rejeita e destrói ensejo sagrado, facultado por lei, para a conquista de situações honrosas e dignificantes para a própria consciência […].

  • Na Espiritualidade raramente o suicida permanecerá durante muito tempo. Descerá à reencarnação prestamente, tal seja o acervo das danosas consequências acarretadas; ou adiará o cumprimento daquela inalienável necessidade caso as circunstâncias atenuantes forneçam capacidade para o ingresso em cursos de aprendizado edificante, que facilitarão as pelejas futuras em prol de sua mesma reabilitação.

  • O suicida é como que um clandestino da Espiritualidade. As leis que regulam a harmonia do mundo invisível são contrariadas com sua presença […]; e tolerados são e amparados e convenientemente encaminhados porque a excelência das mesmas […] estabeleceu que a todos os pecadores sejam incessantemente renovadas as oportunidades de corrigenda e reabilitação!

  • Renascendo em novo corpo carnal, remontará o suicida à programação de trabalhos e prélios diversos aos quais imaginou erradamente poder escapar pelos atalhos do suicídio; experimentará novamente tarefas, provações semelhantes ou absolutamente idênticas às que pretendera arredar; passará inevitavelmente pela tentação do mesmo suicídio, porque ele mesmo se colocou nessa difícil circunstância carreando para a reencarnação expiatória as amargas sequências do passado delituoso! […].

  • O estado indefinível, de angústia inconsolável, de inquietação aflitiva e tristeza e insatisfações permanentes; as situações anormais que se decalcam e sucedem na alma, na mente e na vida de um suicida reencarnado […], após existências expiatórias, testemunhos severos onde seus valores morais serão duramente comprovados, acompanhando-se de lágrimas ininterruptas, realizações nobilitantes; renúncias dolorosas de que se não poderá isentar… […].

1.2 — Perseguidores e obsessores endurecidos São Espíritos imperfeitos que sofrem e fazem sofrer. Percebe-se que em alguns a inteligência está «[…] aliada à maldade ou à malícia; seja, porém, qual for o grau que tenham alcançado de desenvolvimento intelectual, suas ideias são pouco elevadas e mais ou menos abjetos seus sentimentos.» (3) O conhecimento que eles têm do mundo espiritual está restrito as ideias existentes no meio onde vivem, o no Plano espiritual, as quais refletem, por sua vez, os conhecimentos que tinham quando encarnados. São facilmente reconhecidos pela linguagem que utilizam, cujas palavras se lhes revelam o caráter, em geral saturado sentimentos de inveja, rancor e ciúme, entre outros.

Os obsessores, que podem ter, ou não, ligações pretéritas com os encarnados assemelham-se a predadores que perseguem e são perseguidos, na tentativa de aplacarem as amarguras que carregam dentro de si. Na verdade, são criaturas extremamente infelizes que vagueiam pelas paragens de dor e de sombra existentes no Plano espiritual, ferindo e sendo feridos, escarnecendo e sendo escarnecidos.

As suas manifestações são saturadas de rancor e ódio; revelam-se inflexíveis e neles há escassos sentimentos de piedade. Suas emanações mentais são carregadas, retirando muita energia dos circunstantes. O trato com Espíritos obsessores requer trabalho mais apurado dos médiuns e demais componentes da reunião.

Durante o diálogo, o doutrinador deve respeitar a sua dor, refletindo que, hoje, ele se revela como perseguidor porque entende que foi perseguido no passado. Na verdade, Espíritos que obsidiam encarnados por desacertos ocorridos entre eles, em reencarnações anteriores, se sentem como vítimas, desacreditadas da justiça dos homens e da divina. Por este motivo, julgam que devem fazer “o acerto de contas”, agindo como justiceiros.

 Caso o Espírito permaneça irredutível, depois de prestadas explicações sobre a infabilidade da justiça divina e de que cedo ou tarde todas as coisas serão acertadas, o doutrinador, que se mantém em sintonia com os benfeitores espirituais, pode propor-lhe, intuitivamente, rever os acontecimentos, à época em que eles ocorreram. Os trabalhadores da equipe espiritual fazem então o comunicante regredir ao passado, atuando no centro de sua memória cerebral, cujas lembranças aí existentes, poderão ser projetadas numa tela fluídica, denominada “condensador ectoplásmico.” (13) Áulus, orientador citado no livro Nos Domínios da Mediunidade, informa a utilidade deste aparelho:


Tem a propriedade de concentrar em si os raios de força projetados pelos componentes da reunião, reproduzindo as imagens que fluem do pensamento da entidade comunicante, não só para a nossa observação, mas também para a análise do doutrinador, que as recebe em seu campo intuitivo, agora auxiliado pelas energias magnéticas do nosso Plano. […] [O] hóspede espiritual apenas contempla os reflexos da mente de si mesmo, à maneira de pessoa que se examina, através de um espelho.”


A regressão da memória e a subsequente projeção na te)a fluídica é um recurso de grande valia no atendimento a obsessores e a Espíritos portadores de ideias fixas. Entretanto, o «[…] êxito do trabalho depende da colaboração de todos os componentes do grupo… […].» (14) Não podemos jamais esquecer, como alerta o orientador Áulus, que « […] as energias ectoplásmicas são fornecidas pelo conjunto dos companheiros encarnados […].» (14)

Os participantes do grupo mediúnico devem ficar atentos em relação a determinadas técnicas obsessivas utilizadas pelos obsessores, ou por perseguidores que agem em seu nome, existentes no Plano espiritual.


São amplamente utilizados, nos processos obsessivos, os métodos da hipnose e do magnetismo, que contam, no Além, com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução, tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores, como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões. (5)


Os magnetizadores e hipnotizadores, para alcançarem o domínio de suas vítimas manipulam, também, «[…] com extrema habilidade os dispositivos da culpa, e da cobrança, ou seja, a própria lei de causa e efeito. O Espírito culpado, convencido dessa culpabilidade, cede e entrega-se.» (6)

O doutrinador e demais participantes do grupo mediúnico não devem ficar decepcionados se o processo desobsessivo não se resolve rapidamente. André Luiz nos informa que «[…] nem sempre a desobsessão real consiste em desfazer o processo obsessivo, de imediato, de vez que, em casos diversos, a separação de obsidiado e obsessor deve ser praticada lentamente […].» (15)


2. ESPÍRITOS COM SÉRIAS DEFORMAÇÕES PERISPIRITUAIS

  • Ovoidização

No livro Libertação, o Espírito André Luiz descreve os ovóides e o processo de ovoidização, a partir de um posto de observação, localizado em região inferior do Plano espiritual, onde ele e seus companheiros, Gúbio e Elói, se encontravam.


Reparei, […] não longe de nós, como que ligadas às personalidades sob nosso exame, certas formas indecisas, obscuras. Semelhavam-se a pequenas esferas ovóides, cada uma das quais pouco maior que um crânio humano. Variavam profusamente nas particularidades. Algumas denunciavam movimento próprio, ao jeito de grandes amebas, respirando naquele clima espiritual; outras, contudo, pareciam em repouso, aparentemente inertes, ligadas ao halo vital das personalidades em movimento. […] Grande número de entidades […] transportavam essas esferas vivas, como que imantadas às irradiações que lhes eram próprias. […] Nunca havia observado, antes, tal fenômeno. […] Inquieto, recorri ao instrutor [Gúbio], rogando-lhe ajuda. […]

— Sabes […] que o vaso perispirítico é também transformável e perecível, embora estruturado em tipo de matéria mais rarefeita. […]

— Viste companheiros — prosseguiu o orientador -, que se desfizeram dele, rumo a esferas sublimes, cuja grandeza por enquanto não nos é dado sondar, e observaste irmãos que se submeteram a operações redutivas e desintegradoras dos elementos perispiríticos para renascerem na carne terrestre. Os primeiros são servidores enobrecidos e gloriosos, no dever bem cumprido, enquanto os segundos são colegas nossos, que já merecem a reencarnação trabalhada por valores intercessores, mas, tanto quanto ocorre aos companheiros respeitáveis desses dois tipos, os ignorantes e os maus, os transviados e os criminosos também perdem, um dia, a forma perispiritual. Pela densidade da mente, saturada de impulsos inferiores, não conseguem elevar-se e gravitam em derredor das paixões absorventes que por muitos anos elegeram em centro de interesses fundamentais. Grande número, nessas circunstâncias, mormente os participantes de condenáveis delitos, imantam-se aos que se lhes associaram nos crimes. (10)


 Os Espíritos em estado de ovoidização «[…] dormitam em estranhos pesadelos. Registram-nos os apelos, mas respondem-nos, de modo vago, dentro da nova forma em que se segregam, incapazes que são, provisoriamente, de se exteriorizarem de maneira completa, sem os veículos mais densos que perderam, com agravo de responsabilidade, na inércia ou na prática do mal.» (11) Importa considerar que entidades perversas ou rebeldes podem mobilizar os Espíritos ovóides (11) e justapô-los ao perispírito de quem deseja obsidiar, mantendo-os sob pernicioso comando mental, como esclarece André Luiz, ao observar esquálida parasitada por três ovóides. (12)

Provavelmente, não haverá manifestação psicofônica, propriamente dita, de entidades que se encontram na forma de ovóides, em razão das possíveis dificuldades que ocorreriam durante as sintonias mediúnicas. Entretanto, nos grupos mediúnicos onde os participantes demonstram segurança de conhecimento espírita e evangélico, firmeza moral e aperfeiçoados recursos psíquicos, há médiuns que assinalam a presença deles, trazidos à reunião por benfeitores espirituais a fim de se beneficiarem das energias magnéticas dos encarnados. Entretanto, os médiuns psicofônicos conseguem viabilizar a manifestação de Espíritos obsidiados que possuem ovóides imantados no perispírito. Em geral, são comunicações difíceis e breves, que acontecem no espaço de tempo necessário para o doutrinador envolvê-los nas vibrações da prece e do passe.

  • Zoantropia

Trata-se de um processo obsessivo utilizado por obsessores que dominam a técnica da hipnose, da sugestão mental e da manipulação das energias magnéticas. Estes obsessores conseguem insinuar na mente dos obsidiados ideias e imagens terríveis, com a finalidade de modificar-lhes a forma perispirítica e dar-lhe a aparência semelhante a de um animal.

Um termo correlato à zoantropia é a licantropia, que tem o significado de forma perispiritual semelhante a lobo.

No livro Libertação, há referências a respeito da ação perniciosa da hipnose sobre o perispírito de uma mulher desencarnada, presa de remorsos pelos abortos que provocou. Sob o domínio do magnetizador das trevas, autodenominado “julgador da justiça”, a pobre criatura adquiriu a aparência de uma loba. A seguinte narrativa de André Luiz descreve como ocorreu a transformação:


E incidindo toda a força magnética que lhe era peculiar, através das mãos, sobre uma pobre mulher que o fixava, estarrecida, ordenou-lhe com voz soturna:

— Venha! venha!

Com expressão de sonâmbula, a infeliz obedeceu à ordem, destacando-se da multidão e colocando-se, em baixo, sob os raios positivos da atenção dele.

— Confesse! confesse! — determinou o desapiedado julgador, conhecendo a organização frágil e passiva a que se dirigia. […].

E como se estivesse sob a ação de droga misteriosa que a obrigasse a desnudar o íntimo, diante de nós, falou, em voz alta e pausada:

— Matei quatro filhinhos inocentes e tenros… e combinei o assassínio do meu intolerável esposo… O crime, porém, é um monstro vivo. Perseguiu-me, enquanto me demorei no corpo… Tentei fugir-lhe através de todos os recursos, em vão… e por mais buscasse afogar o infortúnio em “bebidas de prazer”, mais me chafurdei… no charco de mim mesma … […].

Em vigorosa demonstração de poder, afirmou, triunfante, o magistrado:

— Como libertar semelhante fera humana ao preço de rogativas e lágrimas?

Em seguida, fixando sobre ela as irradiações que lhe emanavam do temível olhar, asseverou peremptório:

— A sentença foi lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba…

À medida que repetia a afirmação, qual se procurasse persuadi-la a sentir-se na condição do irracional mencionado, notei que a mulher, profundamente influenciável, modificava a expressão fisionômica. Entortou-se-lhe a boca, a cerviz curvou-se, espontânea, para a frente, os olhos alteraram-se, dentro das órbitas. Simiesca expressão revestia-lhe o rosto. Via-se, patente, naquela exibição de poder, o efeito do hipnotismo sobre o corpo perispirítico. (9)


Não dispomos de maiores esclarecimentos sobre as implicações e os detalhes da zoantropia.


A gênese desse processo é, obviamente, a culpa. Somente nos expomos ao resgate, pela dor ou pelo amor, na medida em que erramos. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida, pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilíbrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre arbítrio. […] Por conseguinte, a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. […] Entra em cena, aí, a fria equipe das trevas. Se o caso comporta, digamos, a “solução” da deformação perispiritual, é encaminhado a competentes manipuladores da hipnose e do magnetismo […]. É claro que o hipnotizador, ou magnetizador, não pode moldar, à sua vontade, o perispírito da vítima, mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais, de forma que o Espírito, manipulado com perícia, acaba aceitando as sugestões e promover, no seu corpo perispiritual, as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas, funcionam como agente da vingança, por conta própria ou alheia. (4)


 A obsessão por zoantropia equivale à subjugação, exigindo-se tratamento médico e internação do obsidiado em casas psiquiátricas. O passe, a prece, as irradiações mentais e a água fluidificada são recursos espíritas que proporcionam significativo alívio ao doente. Os obsessores podem ser atendidos nas reuniões mediúnicas que oferecem condições, se for este o planejamento dos benfeitores espirituais.

A tarefa de atendimento a Espíritos portadores de sérios problemas, como os citados neste Roteiro, não deve ser confiada a iniciantes nos trabalhos mediúnicos. Requer espírito de equipe, disciplina e educação da faculdade psíquica, harmonia íntima e dedicação ao estudo, além de verdadeiro esforço de melhoria moral, condições que são adquiridas ao longo dos anos de prática mediúnica séria.

Na introdução deste Roteiro, inserimos uma citação de Judas (Jud) que nos alerta sobre a imprudência de emitir opiniões erradas, de “dizer mal” — como afirma o autor da epístola — sobre coisas que nada ou pouco sabemos. Muitas mágoas, perseguições e obsessões surgidas no cenário da vida existem, e são alimentadas por tempo indefinido, porque desconhecemos, na maioria das vezes, todos os ângulos dos acontecimentos. Analisando a questão de perto, Emmanuel esclarece com sabedoria:


Em todos os lugares, encontramos pessoas sempre dispostas ao comentário desairoso e ingrato relativamente ao que não sabem. Almas levianas e inconstantes, não dominam os movimentos da vida, permanecendo subjugadas pela própria inconsciência. E são essas justamente aquelas que, em suas manifestações instintivas, se portam, no que sabem, como irracionais. Sua ação particular costuma corromper os assuntos mais sagrados, insultar as intenções mais generosas e ridiculizar os feitos mais nobres. Guardai-vos das atitudes dos murmuradores irresponsáveis. Concedeu-nos o Cristo a luz do Evangelho, para que nossa análise não esteja fria e obscura. O conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa, no caminho infinito. Somente os que ajuízam, acerca da ignorância própria, respeitando o domínio das circunstâncias que desconhecem, são capazes de produzir frutos de perfeição com as dádivas de Deus que já possuem. (8)



Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. 60. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Segunda Parte. Capítulo 5 (Suicidas), item: O suicida da samaritana, n.º 3, p. 317.

2. Idem, ibidem - N.º 18, p. 319.

3. Idem - O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007, questão 101, p. 109 .

4. MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as sombras. 22. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Segunda parte, Capítulo 2 (Os desencarnados), item: Deformações, p. 119-120.

5. Idem, ibidem - Item: Magnetizadores e hipnotizadores, p. 167.

6. Idem, ibidem - p. 169.

7. PEREIRA, Yvonne A. Memórias de um suicida. Pelo Espírito Camilo Cândido Botelho. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Primeira parte, capítulo: O reconhecimento, p. 162-165.

8. XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Capítulo 48 (Guardai-vos), p. 111-112.

9. Idem - Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 27. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Capítulo 6 (Observações e novidades), p. 86-88.

10. Idem, ibidem - p. 104-106.

11. Idem, ibidem - p. 109.

12. Idem - Capítulo 7 (Quadro doloroso), p. 116-117.

13. Idem - Nos domínios da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 32. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Capítulo7 (Socorro espiritual), p. 76.

14. Idem, ibidem - p. 77.

15. XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 26. ed. Rio de Janeiro: 2005. Capítulo 33 (Manifestação de enfermo espiritual - 2), p. 130.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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