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EPM — Estudo e Prática da Mediunidade

PROGRAMA II — MÓDULO DE ESTUDO Nº IV
PRÁTICA

 

Experimentação mediúnica

 

Objetivo específico: Citar orientações de apoio aos médiuns principiantes de psicografia e de vidência.


 

Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto. Jesus (João, 7:6)

 

Esse alerta de Jesus nos faz refletir que devemos nos esforçar para saber identificar as oportunidades de melhoria espiritual, concedidas por ele ao longo de nossa existência.

 

O bom trabalhador, no entanto, compreende, antes de tudo, o sentido profundo da oportunidade que recebeu. Valoriza todos os elementos colocados em seus caminhos, como respeita as possibilidades alheias. […] Nesse sentido, a lição do Mestre reveste-se de maravilhosa significação. […] Os cegos de espírito continuarão queixosos; no entanto, os que acordaram para Jesus sabem que sua época de trabalho redentor está pronta, não passou, nem está por vir. É o dia de hoje, é o ensejo bendito de servir, em nome do Senhor, aqui e agora… (4)

1. ORIENTAÇÕES AO MÉDIUM PRINCIPIANTE RELATIVAS A MEDIUNIDADE DE PSICOGRAFIA E DE VIDÊNCIA

 

No que diz respeito à psicografia, um dos primeiros indícios da sua ocorrência é a vontade ou impulso para escrever que assalta o médium. Allan Kardec especifica outros detalhes:

 

Ocorre […] uma espécie de frêmito no braço e na mão. Pouco a pouco, a mão é arrastada por uma impulsão que ela não logra dominar. Muitas vezes, não traça senão riscos insignificantes; depois, os caracteres se desenham cada vez mais nitidamente e a escrita acaba por adquirir a rapidez da escrita ordinária. Em todos os casos, deve-se entregar a mão ao seu movimento natural e não oferecer resistência, nem propeli-la. Alguns médiuns escrevem desde o princípio correntemente com facilidade, às vezes mesmo desde a primeira sessão, o que é muito raro. Outros, durante muito tempo, traçam riscos e fazem verdadeiros exercícios caligráficos. Dizem os Espíritos que é para lhes soltar a mão. (2)

 

Importa considerar que, em alguns médiuns, a faculdade desenvolve plenamente, produzindo ditados de significativa envergadura moral ou intelectual. Noutros, a faculdade se revela singela, sendo utilizada pelos orientadores espirituais para transmitir apoio e conforto aos encarnados. Nesta situação, o médium deve estudar mais, inclusive a gramática, a fim de oferecer melhores recursos para o benfeitor espiritual que deseja se manifestar. Há, entretanto, médiuns cuja faculdade se revela incipiente e não evolui, restringindo-se a sinais, frases soltas, ideias incompletas após meses e até anos de exercício mediúnico. «Quando, ao cabo de alguns meses, nada mais obtém do que coisas insignificantes, ora um sim, ora um não ou letras sem conexão, é inútil continuarem, será gastar papel em pura perda. São médiuns, mas médiuns improdutivos.» (3)

Mesmo em se tratando dos médiuns produtivos, «[…] as primeiras comunicações obtidas devem considerar-se meros exercícios, tarefa que é confiada a Espíritos secundários. Não se lhes deve dar muita importância, visto que procedem de Espíritos empregados, por assim dizer, como mestres de escrita, para desembaraçarem o médium principiante.» (3)

 Os ditados psicográficos, produzidos nos grupos iniciantes, só devem ser lidos na reunião, depois de realizadas as devidas correções, assim mesmo, se o texto revelar coerência doutrinária espírita e moral evangélica. Estas mensagens permanecerão em poder do dirigente do grupo, arquivando-as de forma apropriada, pelo tempo definido como necessário. A vidência não é manifestação incomum nas reuniões mediúnicas. Ocorre, em geral, sob a forma intuitiva, mais fugaz e imprecisa. Raramente ocorre nitidamente, como na de clarividência. A visão acidental e fortuita de um Espírito, numa circunstância especial, é muito frequente. Contudo, a visão habitual de Espíritos ou do plano espiritual é excepcional. Normalmente, os médiuns videntes e outros (psicofônicos, psicógrafos) recebem imagens que são captadas pela mente, semelhantemente ao processo telepático. «Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam lembrança precisa do que viram.» (1)

Estes assuntos serão aprofundados no Módulo de Estudo n.º 5, o próximo deste Curso.

 

2. DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DA PRÁTICA MEDIÚNICA

  • Fazer breves comentários sobre o conteúdo espírita contido no item 1, anterior.

  • O desenvolvimento das etapas da reunião e a avaliação da prática mediúnica seguem o roteiro estabelecido nas sessões anteriores: informa-se a respeito do bem estar geral dos participantes; escuta com atenção os seus relatos, apresentados de forma objetiva, prestando esclarecimentos, se necessário; informa que as mensagens psicográficas serão avaliadas em outro momento, fora da reunião, optando-se, ou não, pela sua posterior leitura no grupo; observa se as impressões descritas pelos videntes são coerentes com o trabalho que acabou de ser realizado; analisa, finalmente, se as entidades espirituais sofredoras foram, efetivamente, atendidas no grupo, em função da cooperação prestada pelos médiuns psicofônicos e ou pelo dialogador. É sempre importante identificar as lições trazidas ao grupo pelos benfeitores espirituais.

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 78. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Segunda parte. Cap. 14, item 167, p. 219.

2. Idem - Cap. 17, item 210, p. 261-262.

3. Idem, ibidem - p. 262.

4. XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 73 (Oportunidade), p. 161-162.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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