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EPM — Estudo e Prática da Mediunidade

PROGRAMA II — MÓDULO DE ESTUDO Nº IV
FUNDAMENTAÇÃO ESPÍRITA — OS ESPÍRITOS COMUNICANTES

 

Roteiro 3

 

Manifestação mediúnica dos Espíritos Imperfeitos (1)

 

Objetivo específico: Identificar as características dos Espíritos imperfeitos que se comunicam na reunião mediúnica.


 

SUBSÍDIOS

 

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos. Jesus (Lucas, 5: 31)

 

 Os necessitados e sofredores que se manifestam na reunião mediúnica fazem parte de uma vasta categoria denominada Espíritos imperfeitos, cujos caracteres podem ser assim resumidos: «Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequentes.» (1) A aproximação dessas entidades produz uma certa agitação no sistema nervoso do médium, fazendo-o experimentar sensações que revelam o estado de sofrimento em que se encontram. (22) Estes irmãos são almas enfermas que chegam ao grupo mediúnico em busca de socorro, cabendo-nos a tarefa de auxiliá-los com fraternidade.

 

Quem dispõe de palavra esclarecida, ajude ao companheiro, ensinando-lhe a ciência da frase correta e expressiva. Quem desfruta o equilíbrio orgânico, não despreze a possibilidade de auxiliar o doente. Quem conseguiu acender alguma luz de fé no próprio Espírito, suporte com paciência o infeliz que ainda não se abriu à mínima noção de responsabilidade perante o Senhor, auxiliando-o a desvencilhar-se das trevas. […] Quem estime a prática da caridade, compadeça-se das almas endurecidas, beneficiando-as com as vibrações da prece. Quem já esteja entesourando a humildade não se afaste do orgulhoso, conferindo-lhe, com o exemplo, os elementos indispensáveis ao reajuste. Quem seja detentor da bondade não a recuse assistência aos maus, de vez que a maldade resulta invariavelmente da revolta ou O da ignorância. Quem estiver em companhia da paz, ajude aos desesperados. Quem guarde alegria, divida a graça do contentamento com os tristes. Asseverou o Senhor que os sãos não precisam de médico, mas, sim, os enfermos. Lembra-te dos que transitam no mundo entre dificuldades maiores que as tuas. A vida não reclama o teu sacrifício integral, em favor dos outros, mas, a benefício de ti mesmo, não desdenhes fazer alguma coisa na extensão da felicidade comum. (26)

 

1. PERCEPÇÃO MEDIÚNICA DOS ESPÍRITOS IMPERFEITOS

 

Os médiuns harmonizados conseguem perceber, durante a comunicação, se um Espírito necessitado ou sofredor é bom ou se possui graves imperfeições morais. A respeito, esclarece Allan Kardec:

 

Muitos médiuns reconhecem os bons e os maus Espíritos pela impressão agradável ou penosa que experimentam à aproximação deles. Perguntamos se a impressão desagradável, a agitação convulsiva, o mal-estar são sempre indícios da má natureza dos Espíritos que se manifestam? O médium experimenta as sensações do estado em que se encontra o Espírito que dele se aproxima. Quando ditoso, o Espírito é tranquilo, leve, refletido; quando infeliz, é agitado, febril, e essa agitação se transmite naturalmente ao sistema nervoso do médium. Em suma, dá-se o que se dá com o homem na Terra: o bom é calmo, tranquilo; o mau está constantemente agitado. (21)

 

O médium esclarecido, que possui alguma prática, sabe distinguir nuances do caráter dos Espíritos comunicantes, administrando as más sensações captadas com equilíbrio.

 

Os médiuns deverão receber elucidações bastante claras e precisas, porque há Espíritos sofredores, bons; sofredores, maus; instruídos ou ignorantes, como felizes e desgraçados. Os sofredores maus, em geral, deixam no médium a sensação de forte calor ou frio intenso, mal-estar inexplicável, angústia tal, cujo término só se verifica depois de certo tempo, ou mais rapidamente com a incorporação de um Espírito bom, ou do próprio Guia do médium. (24)

 

Há também outros indícios que permitem ao médium detectar outras necessidades dos Espíritos que se manifestam por seu intermédio.

 

Os […] Espíritos, queiram ou não, transmitem aos médiuns as sensações de suas próprias dores, gestos e expressões fisionômicas, assaz denunciadoras. […] Com exceção dos Espíritos elevados, a primeira impressão que causam os Espíritos, ao se aproximarem dos médiuns, é uma espécie de choque elétrico, ou uma formigação semelhante à que sentimos quando deixamos por longo tempo um membro, sem movimento, ou em posição forçada. Logo depois, uma impressão de peso ou leveza apodera-se da pessoa, parecendo que o corpo cresce como um balão. […] Se observarmos atentamente o médium e notarmos contrações fisionômicas análogas às das pessoas que desejem esconder seus sofrimentos, poderemos concluir, sem medo de errar, que nos encontramos diante de um impostor. A simulação é sempre indício veemente de inferioridade. […]” (25)

 

2. CARACTERÍSTICAS DOS ESPÍRITOS IMPERFEITOS

 

Em O Livro dos Espíritos, encontramos relacionadas cinco classes Espíritos imperfeitos ou sofredores, os quais se manifestam usualmente nos grupos mediúnicos: Espíritos impuros, inclinados ao mal, buscam enganar e trazer a discórdia. (2) Espíritos levianos são entidades ignorantes, zombeteiras e maliciosas. (3) Pseudo-sábios que «[…] creem saber mais do que realmente sabem.» (4) Espíritos neutros: «Nem bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal.» (5) Espíritos batedores e perturbadores: «Manifestam geralmente sua presença por efeitos sensíveis e físicos […].» (6)

As carências reveladas pelos Espíritos imperfeitos, durante a manifestação mediúnica, estão relacionadas às ações que eles realizaram, quando encarnados, e no grau de perturbação espiritual que ainda possuem. Há uma escala quase infinita entre os Espíritos que sofrem. Suas necessidades são semelhantes, jamais iguais. Por isto, devem ser tratados com gentileza, afeto e solidariedade.

 

Depois da morte, os Espíritos endurecidos, egoístas e maus são logo presas de uma dúvida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro. Olham em torno de si e nada veem que possa aproveitar ao exercício da sua maldade — o que os desespera, visto como o insulamento e a inércia são intoleráveis aos maus Espíritos. […]. Não lhe bastando esse motejo, atiram-se para a terra quais abutres famintos, procurando entre os homens uma alma que lhe dê fácil acesso às tentações. (23)

 

O Livro dos Médiuns orienta que é importante saber distinguir as diferentes categorias de Espíritos comunicantes, em especial, os imperfeitos, a fim de que os trabalhadores do grupo mediúnico aprendam auxiliá-los com proveito. «Pode ser-nos indiferente a individualidade deles; suas qualidades, nunca.» (7) Necessário se faz questionar: «É bom, ou mau, o Espírito que se comunica? Em que grau da escala espírita se encontra? Eis as questões capitais.» (7)

Os Espíritos imperfeitos, que é o grupo predominante nas comunicações mediúnicas, são reconhecidos por algumas características. Apresentamos, em seguida, algumas delas.

  • A linguagem dos «[…] Espíritos inferiores ou vulgares sempre algo refletem das paixões humanas. Toda expressão que denote baixeza, pretensão, arrogância, fanfarronice, acrimônia, é indício característico de inferioridade e de embuste, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.» (8)

  • «Não se deve julgar a qualidade do Espírito pela forma material, nem pela correção de estilo. É preciso sondar-lhe o íntimo, analisar-lhe as palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Qualquer ofensa à lógica, à razão e à ponderação não pode deixar dúvida sobre a sua procedência. Seja qual for o nome com que se ostente o Espírito.» (9)

  • «Deve-se desconfiar dos nomes singulares e ridículos, que alguns Espíritos adotam, quando querem impor-se à credulidade; fora soberanamente absurdo tomar a sério semelhantes nomes.» (13)

  • «Deve-se igualmente desconfiar dos Espíritos que com muita facilidade se apresentam, dando nomes extremamente venerados, e não lhes aceitar o que digam, senão com muita reserva. […] Por esse meio, lisonjeiam a vaidade do médium e dela se aproveitam frequentemente para induzi-lo a atitudes lamentáveis e ridículas.» (14)

  • «Muitas vezes, os Espíritos imperfeitos se aproveitam dos meios de que dispõem, de comunicar-se, para dar conselhos pérfidos. Excitam a desconfiança e a animosidade contra os que lhes são antipáticos. Especialmente os que lhes podem desmascarar as imposturas são objeto da maior animadversão [atenção ou forte repulsa] da parte deles […].» (17)

  • «Os Espíritos dos que na Terra tiveram uma única preocupação, material ou moral, se se não desprenderam da influência da matéria, continuam sob o império das ideias terrenas e trazem consigo uma parte dos preconceitos, das predileções e mesmo das manias que tinham neste mundo. Fácil é isso de reconhecer-se pela linguagem de que se servem.» (18)

  • «Os conhecimentos de que alguns Espíritos se enfeitam, às vezes, com uma espécie de ostentação, não constituem sinal da superioridade deles. A inalterável pureza dos sentimentos morais é, a esse respeito, a verdadeira pedra de toque.» (19)

  • «Não basta se interrogue um Espírito para conhecer-se a verdade. Precisamos, antes de tudo, saber a quem nos dirigimos; porquanto, os Espíritos inferiores, ignorantes que são, tratam frivolamente das questões mais sérias. Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem, para que, no mundo espírita, se ache de posse da soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e dilatar-lhe os conhecimentos.» (20)

  • «Reconhecem-se […] os Espíritos levianos pela facilidade com que predizem o futuro e precisam fatos materiais de que não nos é dado conhecimento. […] A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação.» (10)

  • Os Espíritos imperfeitos, muito presos à vida material «[…] usam linguagem pretensiosa, ridícula, ou obscura à força de quererem pareça profunda.» (11)

  • Os Espíritos «[…] maus são imperiosos; dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam, haja o que houver. Todo Espírito que impõe trai a sua inferioridade. São exclusivistas e absolutos em suas opiniões; pretendem ter o privilégio da verdade. Exigem crença cega e jamais apelam para a razão, por saberem que a razão os desmascararia.» (12)

  • É preciso ter cuidado em relação às atitudes que os Espíritos aconselham. Os conselhos dos bons sempre visam «[…] um fim sério e eminentemente útil. Devem, pois, ter-se por suspeitos todas as que não apresentam este caráter, e cumpre refletir maduramente antes de tomá-los, a fim de evitarem-se mistificações desagradáveis.» (15)

  • Os Espíritos vingativos, perseguidores ou obsessores produzem nos médiuns sensações desagradáveis, em decorrência da ação que os seus fluidos provocam no organismo do médium. (16)

 


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 88. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Questão 101, p. 108.

2. Idem, ibidem - Questão 102, p. 110.

3. Idem, ibidem - Questão 103, p. 110.

4. Idem, ibidem - Questão 104, p. 111.

5. Idem, ibidem - Questão 105, p. 111.

6. Idem, ibidem - Questão 106, p. 111.

7. Idem - O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 79. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Segunda parte. Cap. 24 (Da identidade dos Espíritos), item 262, p. 342.

8. Idem, ibidem - Item 267, questão 4.ª, p.345.

9. Idem, ibidem - Questão 5.ª, p. 345.

10. Idem, ibidem - Questão 8.ª, p. 346.

11. Idem, ibidem - Questão 9.ª, p. 347.

12. Idem, ibidem - Questão 10.ª, p. 347.

13. Idem, ibidem - Questão 13.ª, p. 347.

14. Idem, ibidem - Questão 14.ª, p. 347.

15. Idem, ibidem - Questão 15.ª, p. 348.

16. Idem, ibidem - Questão 19.ª, p. 348.

17. Idem, ibidem - Questão 20.ª, p. 348-349.

18. Idem, ibidem - Questão 21.ª, p. 349.

19. Idem, ibidem - Questão 22.ª, p. 349.

20. Idem, ibidem - Questão 23.ª, p. 349.

21 Idem, ibidem - Item 268, questão 28.ª, p. 348-359.

22. Idem, ibidem - Comentário, p. 359.

23. Idem - O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. 59. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Segunda parte. Cap. 4, item: O castigo, p. 282-283.

24. VALENTE, Aurélio A. Sessões práticas e doutrinárias do Espiritismo. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Cap. 8 (Das manifestações dos vivos e dos mortos), p. 163.

25. Idem, ibidem - p. 165-166.

26. XAVIER, Francisco Cândido. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 35. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 28 ( Alguma coisa), p. 73-74.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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