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EPM — Estudo e Prática da Mediunidade

PROGRAMA II — MÓDULO DE ESTUDO Nº IV
FUNDAMENTAÇÃO ESPÍRITA — OS ESPÍRITOS COMUNICANTES

Roteiro 2


Manifestação mediúnica dos bons Espíritos


Objetivo específico: Analisar os caracteres dos bons Espíritos que se comunicam na reunião mediúnica.



SUBSÍDIOS


Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus. Jesus (Mateus, 5:16)


 Os benfeitores espirituais estão classificados na Escala Espírita, existente em O Livro dos Espíritos, como “Bons Espíritos”. As comunicações destes orientadores da Vida Maior ocorrem, em geral, no início ou no final da reunião. Alguns tipos de mediunidade são, preferencialmente, utilizadas nas suas comunicações com o Plano físico, como a psicofonia, a psicografia e a vidência. O que não quer dizer que os demais médiuns não lhes captam a presença e as elevadas vibrações que irradiam. «O bom Espírito […] não é somente aquele que te faz bem, mas, acima de tudo, o que te ensina a fazer bem aos outros para que sejas igualmente um Espírito bom.» (20) Dentro deste raciocínio, em perfeita sintonia com a passagem evangélica acima citada, esses Espíritos se assemelham a professores dedicados, atentos aos processos de melhoria dos seus discípulos. «Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade. […] Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, conforme a categoria que ocupem, os traços da existência corporal, assim na forma da linguagem, como nos hábitos […].» (1) Pode-se também afirmar que «a aproximação dos bons, […] é tão agradável como a brisa suave e fresca de uma tarde primaveril. A influência deles se torna tão sutil que o médium se sente transportado, enlevado, persuadido de que não está sendo influenciado […].» (17)

Os bons Espíritos mais adiantados reúnem o saber às qualidades morais. São Espíritos que desenvolveram a capacidade de resplandecer a própria luz, sobretudo pelas exemplificações que oferecem. Tendo Jesus como referência, seus conselhos, ações e ponderações nos mostram o caminho seguro da redenção espiritual.


“Brilhe vossa luz” — disse-nos o Mestre — , (Mt) e muitas vezes julgamo-nos unicamente no dever de buscar as alturas mentais. […] É indiscutível que não podemos menosprezar a educação da inteligência, mesmo porque a escola, em todos os planos, é obra sublime com que nos cabe honrar o Senhor, mas Jesus, com a referência, convidava-nos ao exercício constante das boas obras, seja onde for, pois somente o coração tem o poder de tocar o coração, e, somente aperfeiçoando os nossos sentimentos, conseguiremos nutrir a chama espiritual em nós […]. (19)


As reuniões sérias são conduzidas e orientadas pelos bons Espíritos, que trazem bons conselhos e orientações seguras ao grupo mediúnico. É importante ressaltar que eles respeitam a condução dos trabalhos feita pelos encarnados, orientando-os com discrição sempre que detectam alguma impropriedade.


1. CARACTERES DOS BONS ESPÍRITOS COMUNICANTES NA REUNIÃO MEDIÚNICA


Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Jesus (João, 13:35)


Os caracteres dos bons Espíritos, expressos na questão 107 de O Livro dos Espíritos, são claramente identificados nas manifestações que esses Espíritos produzem no grupo mediúnico. Tais comunicações revelam, igualmente, as suas diferentes posições evolutivas que, vistas de forma global, fazem relação com o registro do apóstolo João.

Considerando que na prática mediúnica é essencial saber distinguir se uma mensagem provém, efetivamente, de um benfeitor espiritual, tendo em vista as mistificações produzidas por Espíritos não comprometidos com a verdade, destacamos, em seguida, alguns caracteres dos Orientadores Espirituais.

  • Suas mensagens sempre suscitam bons pensamentos e inspiram bons sentimentos. (2) «Guarda, porém, a convicção de que todos eles são agentes do bem para todos e com todos, buscando agir através de todos em favor de todos.» (21)

  • A linguagem que eles utilizam nas comunicações é «[…] digna, nobre, elevada, sem eiva de trivialidade; tudo dizem com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam, nem se jactam de seu saber, ou da posição que ocupam entre os outros.» (3) Léon Denis nos relata, a propósito, que o grupo mediúnico do qual fazia parte achava-se sob a proteção de dois Espíritos, sendo que um deles foi designado pelos médiuns como “Espírito Azul”, por apresentar-se envolvido num véu azul todas as vezes que se manifestava no grupo. (14)

Este Espírito lia […] no recesso dos corações, escrutava-lhes [perscrutar, inquirir] os mais secretos refolhos e, com admirável tato, numa voz doce e penetrante, pelo médium sonambulizado, nos ensinava a melhor nos conhecermos e nos indicava os meios de nos aperfeiçoarmos. […]. Quando o “Espírito Azul” se incorporava, nós o reconhecíamos às primeiras frases proferidas, pelas suaves inflexões da voz; aguardávamos suas palavras e apreciações com verdadeira avidez. Ao retirar-se, deixava-nos sob uma impressão profunda, como se uma alma angélica tivesse pairado sobre nós […]. (15)

  • «Os Espíritos Superiores se exprimem com simplicidade, sem prolixidade. Têm o estilo conciso, sem exclusão da poesia das ideias e das expressões, claro, inteligível a todos, sem demandar esforço para ser compreendido. Têm a arte de dizer muitas coisas em poucas palavras […].» (4)

  • Os bons Espíritos jamais impõem as suas ideias, pois «[…] nunca ordenam; […] aconselham e, se não são escutados, retiram-se.» (5)

  • Não há contradições nem lisonja em suas mensagens; «[…] aprovam o bem feito, mas sempre com reserva.» (6)

  • Eles também não se prendem a detalhes. «Os Espíritos Superiores desprezam, em tudo, as puerilidades da forma. Só os Espíritos vulgares ligam importância a particularidades mesquinhas, incompatíveis com ideias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e de fraude, da parte de um Espírito que tome um nome imponente.» (7)

Os grandes Instrutores da Espiritualidade utilizam-se dos médiuns para a transmissão de mensagens edificantes, enriquecendo o Mundo com novas revelações, conselhos e exortações que favorecem a definitiva integração a programas emancipadores. […] Onde se congreguem criaturas animadas pelo desejo de “fazer o bem”, sem interesses inconfessáveis e sem ideia de recompensa, aí estarão, compassivos e generosos, os mensageiros do Senhor. (16)

  • «Os bons Espíritos são muito escrupulosos no tocante às atitudes que hajam de aconselhar. Elas, qualquer que seja o caso, nunca deixam de objetivar um fim sério e eminentemente útil.» (8) Os bons Espíritos guardam também uma prudente reserva «[…] sobre todos os assuntos que podem trazer comprometimento. Repugna-lhes desvendar o mal, enquanto que os Espíritos levianos, ou malfazejos apraz pô-lo em evidência. Ao passo que os bons procuram atenuar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a cizânia, por meio de insinuações pérfidas.» (9)

  • «Os bons Espíritos só prescrevem o bem. Máxima nenhuma, nenhum conselho, que se não conformem estritamente com a pura caridade evangélica, podem ser obra de bons Espíritos.» (10) Também jamais «[…] aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança.» (11)

  • «Da parte dos Espíritos Superiores, gracejo é muitas vezes fino e vivo, nunca, porém, trivial.» (12)

Em síntese, esclarece Kardec, estudando-se «[…] cuidadosamente o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral, reconhecem-se-lhes a natureza e o grau de confiança que devem merecer. O bom-senso não poderia enganar.» (13) Esta orientação faz eco com outra, de André Luiz, que considera ser os benfeitores “vanguardeiros do progresso, sem serem infalíveis”:


São altos expoentes de fraternidade e conhecimento superior, porém, guardam ainda consigo probabilidades naturais de desacerto. Primam pela boa vontade, pela cultura e pelo próprio sacrifício no auxílio incessante aos companheiros reencarnados, mas podem ser vítimas de equívocos, que se apressam, contudo, a corrigir, sem a vaidade que, em muitas circunstâncias, prejudica os doutos da Terra. (18)


 A mensagem de Emmanuel, inserida abaixo, é um exemplo ilustrativo de alguns caracteres comuns aos benfeitores espirituais que se comunicam na reunião mediúnica. Após o texto, inserimos um quadro com uma síntese onde destacamos características dos bons Espíritos estudadas neste Roteiro, o qual poderá ser utilizado como exercício.


OBREIROS

(Emmanuel)


CARACTERES DOS BONS ESPÍRITOS IDENTIFICADOS NA MENSAGEM MEDIÚNICA

A linguagem é objetiva, sem prolixidade, digna e elevada. Estes aspectos são encontrados ao longo do texto.

A construção frasal é exata, cada uma refletindo ideia específica, sem derivações ou divagações. Exemplo: “A maioria dos devotos deseja iniciar a viagem, além da morte, com títulos de santos; todavia, não há maneira mais acertada de refletirmos em nossa posição, com verdade, além daquela em que nos enquadramos na condição de trabalhadores.”

A utilização de comparações ou de símbolos é feita com simplicidade e elegância de estilo, de fácil entendimento pelo leitor, culto ou desprovido de maiores conhecimentos. Exemplo: “O mundo é departamento da Casa Divina. Cátedras e enxadas não constituem elementos de divisão humilhante, e sim degraus hierárquicos para cooperadores diferentes”.

As ideias estão desenvolvidas de forma direta, harmônicas entre si, não identificando estilo rebuscado ou empolado. Exemplo: “O caminho edificante desdobra-se para todos […]. Aqui, abrem-se covas na terra produtiva, ali, manuseiam- se livros para o sulco da inteligência, mas o espírito é o fundamento vivo do serviço manifestado. Classificam-se os trabalhadores em posições diferentes, contudo, o campo é um só.”

As instruções transmitidas suscitam bons pensamentos, confiabilidade e inspiram bons sentimentos. Os bons Espíritos aconselham sem imposição. Exemplo: “No centro das realidades, pois, não se preocupe ninguém com os títulos condecorativos, mesmo porque o trabalho é complexo, em todos os setores de, ação dignificante, e o resultado é sempre fruto da cooperação bem vivida.”

Faz referência a comportamentos inadequados, porém de forma construtiva e com prudente reserva. Exemplo: “Muita gente preocupa-se durante a existência inteira em como talhar as vestimentas para o concerto celestial, enquanto crentes inumeráveis anotam cuidadosamente as mágoas terrestres, no propósito de desfiá-las em rosário imenso de queixas, diante do Senhor, à busca de destaque no mundo futuro.”

Prescreve o bem de acordo com a pura caridade evangélica, a que faz referência e se fundamenta. Exemplo: “Eis o motivo pelo qual julgamos com Paulo que a maior vitória do discípulo será apresentar-se, um dia, ao Senhor, como obreiro aprovado.”



Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 88. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006, questão 107, p. 112.

2. Idem - O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 78. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Segunda parte. Capítulo 24, item 267, 2ª questão, p. 345.

3. Idem, ibidem - 4ª questão, p. 345.

4. Idem, ibidem - 9ª questão, p. 346.

5. Idem, ibidem - 10ª questão, p. 347.

6. Idem, ibidem - 11ª questão, p. 347.

7. Idem, ibidem - 12ª questão, p. 347.

8. Idem, ibidem - 15ª questão, p. 348.

9. Idem, ibidem - 16ª questão, p. 348.

10. Idem, ibidem - 17ª questão, p. 348.

11. Idem, ibidem - 18ª questão, p. 348.

12. Idem, ibidem - 24ª questão, p. 349.

13. Idem, ibidem - 25ª questão, p. 349.

14. DENIS, Léon. No invisível. Tradução de Leopoldo Cirne. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Capítulo 11 (Aplicação moral e frutos do Espiritismo). Nota de rodapé, p. 126.

15. Idem, ibidem - p. 126-127.

16. PERALVA, Martins. Estudando a mediunidade. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Capítulo 29 (Objetivos do mediunismo), p. 159-160.

17. VALENTE, Aurélio A. Sessões práticas e doutrinárias do Espiritismo. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Capítulo 8 (Das manifestações dos vivos e dos mortos), p. 164.

18. XAVIER, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 33. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Capítulo 16 (Mandato mediúnico), p. 176-177.

19. Idem - Palavras de vida eterna. Pelo Espírito Emmanuel. 33. ed. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã, 2005. Capítulo 13 (Boas obras), p. 39-40.

20. Idem - Seara dos médiuns. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Item: Bons Espíritos, p. 152.

21. Idem, ibidem - Item: Benfeitores desencarnados, p. 234.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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