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EADE — Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita — Programa II — Filosofia e Ciência Espíritas

 

Roteiro 26

 

Estudo Científico dos Fatos Espíritas

Objetivo:

» Analisar as contribuições científicas à investigação dos fatos espíritas.


 

IDEIAS PRINCIPAIS

  • A manifestação maciça dos Espíritos, ocorrida de forma organizada em partes do mundo, no século XIX, caracterizou os fatos espíritas e sua amplitude. Tais fatos despertaram a atenção de todos os segmentos da sociedade, inclusive dos representantes da Ciência, muitos dos quais decidiram investigar a fundo os fenômenos intermediados pelos médiuns.

  • A pesquisa científica, realizada por personalidades conhecidas, nos séculos XIX e XX, resultou na produção de análises consistentes que vieram comprovar, não só a existência e sobrevivência do Espírito, após a morte do corpo físico, mas também o intercâmbio entre os dois Planos da vida, o físico e o espiritual.

  • São citadas neste Roteiro de Estudo as contribuições de alguns estudiosos e cientistas na elucidação dos fatos espíritas.

 


 

SUBSÍDIOS

 

Desde o século XIX, época do surgimento da Doutrina Espírita até os dias atuais, os fatos espíritas despertam a atenção de alguns cientistas e estudiosos, para estudá-los ou criticá-los. Tais fatos, porém, jamais lhes permaneceram indiferentes. Sem a pretensão de ter esgotado o assunto apresentamos, em seguida, breve revisão do trabalho realizado por alguns pesquisadores, citados em ordem alfabética.

1. ESTUDIOSOS E CIENTISTAS QUE INVESTIGARAM OS FATOS ESPÍRITAS

  • Alexandre Aksakof (1832-1903) W — professor pesquisador da Academia de Leipizig, diplomata e conselheiro do czar russo, Alexandre III W, doutor em Filosofia, notabilizou-se na investigação e na análise dos fenômenos espíritas durante o século XIX. Realizou diversas pesquisas com alguns dos mais conhecidos sensitivos da época, publicando os resultados em livros, como Um Caso de Desmaterialização, e Animismo e Espiritismo (ambos pela Editora FEB).

  • Alfred Russel Wallace (1823-1913) W — famoso naturalista inglês, geógrafo, antropólogo e biólogo evolucionista, íntimo colaborador de Charles Darwin. Em 1865 Wallace investigou os fenômenos das mesas girantes, ainda tão em voga na Europa, e a mediunidade dos senhores Marshall e Cuppy, entre outros, afirmando, mais tarde, que as comunicações com os Espíritos “estavam inteiramente comprovadas pela Ciência, tão bem, como quaisquer fatos, provados por outras ciências.”

  • Carl Gustav Jung (1875-1961) W — nascido na Suíça, foi um dos maiores psiquiatras do século XIX. Discípulo de Freud, W fundou a escola analítica da Psicologia, que trouxe novas e significativas contribuições ao estudo da mente e das doenças a ela associadas. Em suas pesquisas mostrou interesse pela mediunidade, uma vez que sua vida sempre esteve marcada por experiências que envolviam fenômenos de clarividência, sonhos premonitórios e psicocinesia. W Em 1977 afirmou: “Não hesito em declarar que tenho observado um número suficiente de tais fenômenos [os mediúnicos] para estar completamente convencido de sua realidade.” Em 1902, a dissertação para obter o título de médico tinha este título: Sobre a Psicologia e a Patologia dos Fenômenos Chamados Ocultos [“On the Psychology and Pathology of So-Called Occult Phenomena”]. Neste trabalho, que durou cerca de um ano para realizar, contou com a ação mediúnica de sua prima, uma jovem de 15 anos.

  • Charles Richet (1850-1935) W — médico e fisiologista francês de renome internacional. Prêmio Nobel de Medicina, em 1913. Estudou, com muita dedicação, os fatos espíritas relacionados à obsessão, descritos em sua obra Tratado de Metapsíquica [Traité de métapsychique - Google Books] . Tal obra é, sem dúvida, um verdadeiro arcabouço de experiências psíquicas, analisadas junto a pacientes portadores de demência e outros distúrbios mentais.

  • Cesare Lombroso (1835-1909) W — médico e cientista italiano, considerado pai da moderna criminalística pelas contribuições fornecidas nos campos da antropologia, da sociologia e da psicologia criminais. Seu livro Hipnotismo e Mediunidade (editora FEB) é notável estudo de comprovação dos fatos espíritas, intermediados, em especial, pela médium napolitana Eusápia Palatino.

  • Elisabeth Kübler-Ross (1926-2004) W — médica suíça, naturalizada americana, foi figura de destaque no meio acadêmico e médico do século XX. Dedicou toda a sua vida aos pacientes portadores de doenças terminais, ou com enfermidades graves, internados no CTI (Centro de Terapia Intensiva) dos hospitais por onde trabalhou. Conheceu o fenômeno da morte de perto, vindo a publicar livros sobre o assunto e também, sobre a Experiência de Quase MorteW tendo como base os casos clínicos que acompanhou. Seus livros são referências em ambos os assuntos e entre eles citamos: Sobre a morte e o morrer - Google Books - . Martins Fontes, 1969; Morte: estágio final da evolução - Google Books - . Record, 1975; Perguntas e respostas sobre a morte e o morrer - Google Books - . Martins Fontes, 1979; A morte: um amanhecer - Google Books - . Pensamento, 1991; A roda da vida: memórias do viver e do morrer - Google Books - . GMT, 1998.

  • Ernesto Bozzano (1862-1943) W — conhecido filósofo italiano do século XX, professor de filosofia científica da Universidade de Turim. Estudou, em profundidade, a metapsíquica e os fatos espíritas, publicando inúmeras obras que refletem não só o pesquisador profícuo que foi, mas também o produto de suas experiências e investigações. Citamos, em seguida, as principais, seguidas do ano em que se dedicou à pesquisa: Hipótese espírita e teoria científica, 1903; Dos casos de identificação espírita, 1909; A crise da morte, 1930-52; Investigação sobre as manifestações supranormais, 1931-40; Xenoglossia, 1933; Dos fenômenos de bilocação, 1934; Dos fenômenos de possessão, 1936; Animismo ou Espiritismo?, 1938; Povos primitivos e manifestações paranormais, 1941-46; Dos fenômenos de telestesia, 1942; Música transcendental, 1944; Os mortos voltam, 1947; Literatura de além-túmulo, 1947; As visões dos moribundas, 1947; A psique domina a matéria, 1948; Os animais têm alma?, 1950; Pensamento e vontade, 1967; e Os fenômenos de transfiguração, 1967. [Consulte a relação dos livros de Ernesto Bozzano no Google Books]

  • Frederic W H. Myers (1843-1901) W — poeta inglês e professor de cultura clássica da Universidade de Cambridge-Inglaterra, considerado gênio em razão de suas ideias e inteligência. Fundou, junto com outros pesquisadores, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Cambridge W com o objetivo de investigar fatos espíritas, como telepatia, hipnotismo, assombrações e alucinações, contando, para isso, com o auxílio de vários médiuns. Os resultados de suas pesquisas foram publicados nas edições da Sociedade Psíquica, mas dois dos seus livros são bastante conhecidos: A Personalidade humana e Os fantasmas vivem. O estudioso defendia a teoria de que, se o mundo espiritual alguma vez se manifestasse aos seres humanos encarnados, uma investigação séria deveria ser feita para descobrir sinais inconfundíveis ou reveladores. Acrescentou, também: “se todas as tentativas para se verificar cientificamente a intervenção de um outro mundo fossem definitivamente mostradas fúteis, isso seria um golpe terrível, um golpe mortal, em todas as nossas esperanças de uma outra vida, assim como na religião tradicional.” [Consulte a relação dos livros de Frederic Myers no Google Books]

  • Gustave Geley (1868-1924) W — médico francês, com doutorado em Medicina e filósofo de grande envergadura intelectual do século XX. Notável pesquisador dos fatos espíritas, sobretudo os relacionados aos fenômenos de materialização. É referência obrigatória quando se deseja estudar este tema. No Brasil, dois livros seus são bastante conhecidos: O ser subconsciente (editora FEB); e Resumo da Doutrina Espírita (editora LAKE). Dedicou-se com tamanho afinco ao estudo dos fatos espíritas que, aos 42 anos de idade, abandonou a prática médica para dedicar-se, exclusivamente, às pesquisas desse gênero. Em uma de suas obras, publicada na Espanha, afirmou: “A Doutrina Espírita é muito grandiosa para não impor aos pensadores uma discussão profunda. Bom número deles concluiu, seguramente, considerando que uma doutrina baseada sobre fatos experimentais tão numerosos e tão precisos, e acordes com todos os conhecimentos científicos nos diversos ramos de atividade humana, dando solução muito clara e muito satisfatória aos grandes problemas psicológicos e metafísicos, é verossímil; muito mais verdadeira; é muito provavelmente verdadeira.” (Del Inconsciente al Consciente, pag. 9, Casa Editorial Maucci- Barcelona).

  • Hernani Guimarães Andrade (1913-2003) W — pesquisador brasileiro, engenheiro, fundador do Instituto Brasileiro de pesquisas Psicobiofísicas (IBPP), procurou comprovar cientificamente a existência da reencarnação. Desenvolveu notáveis investigações sobre o obsessão e a transcomunicação instrumental. Além disso, realizou pesquisas laboratoriais para detectar o que denominou Campo biomagnético (CBM) ou Modelo organizador biológico (MOB), que é o perispírito, da terminologia espírita usual. As obras publicadas por ele são consideradas de referência, pela seriedade e lucidez das ideias desenvolvidas: Espírito, perispírito e alma (Editora Pensamento); Matéria psi (Editora Pensamento); Morte — Uma luz no fim do túnel (Editora FE); Morte, renascimento e evolução (Editora FE); Parapsicologia experimental (Editora Pensamento); Parapsicologia uma visão panorâmica (Editora FE); Poltergeist: algumas ocorrências no Brasil (Editora Pensamento); Psi quântica (Editora Didier); Reencarnação no Brasil; (Editora O Clarim); Reencarnação e você (Editora CEAC); Renasceu por amor (Editora FE); Transcomunicação através dos tempos (Editora FE); Teoria corpuscular do Espírito (Editora Didier). [Consulte a relação dos livros de Hernani Guimarães Andrade no Google Books]

  • Hemendra Nath Banerjee (1929-1985) — indiano, psicólogo, parapsicólogo pesquisador científico, diretor do Departamento de Parapsicologia da Universidade de Rajasthan-Índia. Iniciou uma série de investigações a respeito de diversos casos de crianças que recordavam existências anteriores, chegando a catalogar três mil casos. Tais casos, disse ele, são numerosos na Índia, bem como em diversos países do Oriente. Em seu livro Vida pretérita e futura, publicado em 1979, relata 25 anos de estudos sobre a reencarnação. Esta afirmação, contida no referido livro, delineia a abrangência do seu trabalho:

Durante anos, os pesquisadores parapsicólogos que estudam os casos de reencarnação têm sido considerados charlatões, e seus estudos classificados como de efêmero valor. Mas, depois de mais de vinte e cinco anos de pesquisas neste campo, em que estudei mais de 1.100 casos de reencarnação em todo o mundo, e publiquei vários trabalhos sobre o assunto, a crítica diminuiu e surgiu maior interesse. Os fatos que cada vez mais chegam ao nosso conhecimento são tão impressionantes, que agora a comunidade científica passou a considerá-los como dignos de pesquisa. Desde o começo, decidi formar um centro de estudos internacional sobre a reencarnação Seu objetivo seria estudar cientificamente casos de vidas anteriores em todo o mundo e coligir dados relativos aos mesmos. Minhas pesquisas de um quarto de século convenceram-me de que há muitas pessoas, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, dotadas de memórias diferentes, o que não se pode obter por vias normais. Chamo esse tipo de memória de “memória extracerebral”, porque as afirmações dos sujeitos de possuírem lembranças de vidas anteriores parecem ser independentes do cérebro, principal repositório da memória. É fato científico que ninguém é capaz de lembrar o que não aprendeu anteriormente. Os casos descritos neste livro não se baseiam no ouvir dizer nem em estórias de jornais; baseiam-se em pesquisas que fiz através de rigorosos métodos científicos. Meu estudo sobre a reencarnação foi concebido à luz de várias hipóteses, tais como, a fraude, a captação de lembranças através de meios normais, e a percepção extrassensorial. (BANERJEE, 1987, p. 13-14) [Consulte a relação dos livros de Hemendra Nath Banerjee no Google Books] .

  • Ian Stevenson (1918-2007) W — médico canadense radicado nos Estados Unidos, onde desencarnou, foi pesquisador do Departamento de Medicina Psiquiátrica da Universidade de Virgínia-EUA. Referência obrigatória quando o assunto é reencarnação, pois estudou 2.600 casos, a maioria em crianças que, em dado momento de suas vidas, sem uma razão muito clara para isso, passaram a dizer que tinham sido outra pessoa em vida diferente, lembrando-se com impressionante nitidez de fatos e situações vividas, assim como o nome de pessoas e de cidades. No Brasil, seu livro mais conhecido é 20 casos sugestivos de reencarnação. Mas o professor Stenvenson publicou centenas de artigos na imprensa especializada e cerca de dez livros abordando temas relacionados à memória extracerebral. A sua obra, Reencarnação e biologia, publicada em dois volumes, em 1997, merece destaque, especialmente o estudo da etiologia das marcas e defeitos de nascimento. No primeiro volume ele descreve marcas de nascimento na pele de bebês recém-nascidos que não podiam ser explicadas pela herança genética. No segundo volume ele se concentra em deformidades e outras anomalias com as quais as crianças nasciam, mas que não podiam ser explicadas pela herança genética, nem por ocorrências pré-natalinas ou perinatalinas (durante o nascimento). Este trabalho contém centenas de fotos que documentam as evidências. A editora brasileira Centro de Estudo Vida e Consciência publicou, em 2010, dois livros de Ian Stevenson: Reencarnação, Vinte Casos e Reencarnação na Europa.  [Consulte a relação dos livros de Ian Stevenson no Google Books]

  • Johann Karl Friedrich Zöllner (1834-1882) W — astrônomo e físico alemão, professor de grande prestígio da Universidade de Leipzig pelos seus trabalhos no campo da física (foi o criador da ilusão ótica) e nas dimensões da matéria. Segundo o cientista, a matéria apresenta, além das três dimensões conhecidas, especificadas pela geometria euclidiana, uma quarta, de natureza extrafísica, acessada pelos médiuns. Esta dimensão suplementar seria, na verdade, uma extensão da matéria, propriamente dita, sendo, porém, invisível e nem sempre perceptível pelos sentidos humanos. Realizou vários estudos práticos, apresentando evidências concretas para corroborar a sua tese, que se encontram descritas no livro: Provas científicas da sobrevivência, publicado pela EDICEL. [Consulte a relação dos livros de Friedrich Zöllner no Google Books]

  • Oliver Joseph Lodge (1851-1940) W — físico e escritor inglês de renome, sobretudo pelos trabalhos relacionados à telegrafia, às velas de ignição, ao éter, aos relâmpagos, à eletrólise e à eletricidade. Foi o inventor do telégrafo sem fio. O cientista é também lembrado pelos estudos sobre a vida após a morte, a telepatia, e manifestações mediúnicas dos Espíritos. Seu livro Raymond, a vida e a morte relata fatos comprobatórios da sobrevivência do seu filho, Raymond, morto na primeira guerra mundial, tornando-se, à época, best-seller: Mas ele publicou muitas outras obras espíritas, além das não espíritas, todas relacionadas às suas pesquisas. Eis algumas: Sobrevivência do homem, 1909; Vida e matéria, 1912; Porque creio na imortalidade da alma, 1928; Paredes fantasmas, 1929; A realidade do mundo espiritual, 1930; Convicção da sobrevivência, 1930. [Consulte a relação dos livros de Oliver Lodge no Google Books]

  • Raymond Moody (1944 -) W — parapsicólogo, filósofo e médico, natural dos Estados Unidos. É amplamente conhecido como autor de livros sobre a vida depois da morte e experiências de quase morte, um termo criado pelo próprio em 1975. Seu título mais vendido é Vida depois da vida. Moody estudou filosofia na Universidade da Virgínia, onde obteve bacharelado (1962), mestrado (1967) e doutorado ( 1969) em filosofia. Obteve também outro doutorado, em psicologia, pela Universidade da Georgia Ocidental, onde se tornou professor, nesta área. Em 1976, foi premiado com mais um doutoramento, em Medicina, pela Faculdade de Medicina da Georgia. Em 1998, obteve a titulação de Mestre em Estudos da Consciência pela Universidade de Nevada, Las Vegas. Em seguida, obteve o doutorado. Moody trabalhou como psiquiatra forense num hospital de máxima segurança do estado da Georgia. Todas as suas pesquisas sobre a sobrevivência do Espírito são, exclusivamente, de fundamentação científica. [Consulte a relação dos livros de Raymond Moody no Google Books]

  • Semyon Davidovich Kirlian (1898-1978) W e, sua esposa, Valentina Khrisanovna Kirliana (? - 1972) — ele, cientista, pesquisador e inventor russo; ela, professora e jornalista, também de nacionalidade russa. Ambos obtiveram a primeira fotografia da aura humana, em 1939, após dez anos de intensas pesquisas. Utilizou uma máquina fotográfica especial, denominada bioeletrografia ou kirliangrafia. W

  • William Jackson Crawford (1881-1920) — professor do Instituto Técnico e da Universidade de Belfast-Irlanda, estudou, em profundidade, a levitação de objetos. Graças aos componentes do “Círculo Goligher” — grupo de médiuns do qual se destacava a senhorita Kathlen Goligher — , [http://www.bvespirita.com/Biografia%20-%20William%20Jackson%20Crawford.pdf] pôde comprovar a formação de uma alavanca (cantilever), construída com ectoplasma, de que se valiam os Espíritos para levitarem objetos pesados, como mesas, como consta no livro de sua autoria: Mecânica psíquica, editora LAKE. [William Jackson Crawford (1881-1920) “Enciclopédia do Ocultismo e da Parapsicologia.” 2001. Encyclopedia.com. 25 May. 2001 Encyclopedia.com.. 25 de Maio. 2012]

  • William Crookes (1832-1919) W — químico e físico inglês, descobridor do elemento químico tálio, inventor do radiômetro, desenvolveu reconhecidas pesquisas no campo da espectrometria. Estudou intensamente, por cinco anos, a materialização de Espíritos, cujos detalhes estão reproduzidos no livro Fatos espíritas (editora FEB). O relatório de Crookes sobre a sua pesquisa, em 1874, conclui que os fenômenos mediúnicos de materialização não podiam ser explicados como prestidigitação. Crookes não estava só nessa opinião, pois companheiros cientistas também passaram a confirmar a veracidade da comunicação de Espíritos. [Consulte a relação dos livros de William Crookes no Google Books]

  • William James (1842-1910) W — filósofo e psicólogo estadunidense, reconhecido como um dos cinco psicólogos mais importantes da história da Psicologia, foi considerado, ao lado de Charles Sanders Peirce, W um dos fundadores do pragmatismo. Ele escreveu livros influentes sobre Psicologia, variedades da experiência religiosa e do misticismo, e sobre a filosofia do pragmatismo (ou psicologismo behaviorista). Foi também grande pesquisador de fenômenos parapsíquicos, estudando por mais de duas décadas os fatos mediúnicos intermediados pela médium Leonora Piper. W Em conhecido artigo publicado na Revista de Pesquisas Psíquicas W dos Estados Unidos, edição 1889-1890, analisa o fenômeno do transe e do transe mediúnico, assinalando: “Minha impressão é que a Sra. Piper é portadora de poderes supranormais.” [Consulte a relação dos livros de William James no Google Books]

2. PESQUISAS CIENTÍFICAS RELACIONADAS AOS FATOS ESPÍRITAS

 

2.1. Fenômenos Psicocinéticos e Fenômenos Extrassensoriais

 

No século XX surge a Parapsicologia, W também conhecida como Pesquisa Psi — na verdade, é a Metapsíquica W de Richet sob nova roupagem — , que foi considerada disciplina científica do currículo de inúmeras universidades do Mundo, sobretudo nos Estados Unidos. A Parapsicologia propõe estudar fatos supostamente catalogados como sobrenaturais, mas associados às ações humanas — são os fenômenos psicocinéticos — assim como as percepções extrassensoriais (PES).

A Parapsicologia surgiu em 1930 com o Professor Joseph Banks Rhine, W que dirigiu o primeiro laboratório de Parapsicologia do mundo, na Duke University, Carolina do Norte-EUA. O Professor Rhine é considerado o pai da Parapsicologia Moderna. Em 1940, após dez anos de estudos sérios, afirmou: “O Homem pode perceber por outra via que não a dos sentidos físicos. Esta percepção extrassensorial é extrafísica, e pode ser estudada em laboratório.”

Os fenômenos psicocinéticos, identificados por PK (psychokinesis), são caracterizados por ações diretas no meio ambiente. Quando estas ações produzem efeitos maiores, e são claramente observáveis, diz-se macro-PK. Se ações têm pouco impacto chamam-se micro-PK.

Os principais fatos analisados pela Parapsicologia são: telepatia (transmissão do pensamento e emoções), clarividência (visualização de coisas e acontecimentos do mundo físico, através de um corpo opaco ou à distância), clariaudiência (percepções de sons, ruídos, frases, músicas, provenientes do Plano físico e extrafísico, não escutados por pessoas comuns), precognição (conhecimento fatos que ainda não aconteceram), retrocognição (relatos de acontecimentos ocorridos no passado, por meio da PES), psicocinesia (ação anímica sobre a matéria por meio da mente),

Os fenômenos extrassensoriais, identificados pela sigla PES (percepção extrassensorial) estão divididos em dois tipos: PSI-GAMA (telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglosia, etc.). PSI-KAPA (levitação, transportes, desvios de pequenos corpos, etc.). Alguns parapsicólogos modernos utilizam uma terceira categoria de fenômenos paranormais: os PSI-TETA, que são os fenômenos mediúnicos, propriamente ditos.

A Doutrina Espírita considera os fenômenos paranormais, ou extrassensoriais, como de dois tipos: anímicos e mediúnicos. Os primeiros, assim denominados por Alexandre Aksakof, W ao se apropriar da expressão latina “anima” (alma), designam os fenômenos paranormais produzidos pela própria alma humana. O Codificador preferiu chamá-los de fenômenos de emancipação da alma. Os segundos, originalmente designados por Allan Kardec, indicam a faculdade inerente às pessoas de se comunicarem com seres extracorpóreos. Para o Espiritismo, os fenômenos mediúnicos podem apresentar duas formas de manifestação: de efeitos físicos — se revela ação no meio ambiente — , e de efeitos intelectuais — se a ação está relacionada ao conhecimento ou ao intelecto.

Vemos, então, que os fenômenos mediúnicos e de emancipação da alma são os mesmos fenômenos paranormais ou PES, da parapsicologia. Mas, enquanto 0 foco principal da Parapsicologia são os fenômenos anímicos ou psicocinéticos, o Espiritismo se concentra mais nos mediúnicos.

 

2.2. Parapsicologia Forense

 

Na atualidade, há grande impulso para o estudo das ações dos chamados parapsicólogos forenses, ou médiuns, segundo a terminologia espírita. São conhecidos como investigadores psíquicos (do inglês Psychic Witness), W em especial nos Estados Unidos. Trata-se de médiuns que trabalham em conjunto com a polícia na investigação de crimes de difícil solução (inexistência de testemunhas, escassez de provas, excesso de suspeitos, etc.). A Lei americana obriga a polícia a ouvir todos os que dizem saber algo sobre a investigação, incluindo aqueles que se intitulam médiuns ou sensitivos, desde que se apresentem voluntariamente para auxiliar, pois não faz parte do procedimento policial ir em busca de médiuns para a solução de crimes.

Lembramos que no Brasil certos textos psicografados por Francisco Cândido Xavier já foram incorporados a processos criminais na forma de provas documentais. [v. Lealdade, capítulos 4, 6 e 8]

 

2.3. Psicotrônica

 

Na década de 1970 surge uma vertente da Parapsicologia na República Tcheca (antiga Tchecoslováquia): a Psicotrônica [O termo psicotrônica foi criado em 1967 por Zdeněk Rejdák W (1934-2004)]. A finalidade da Psicotrônica é estudar fenômenos psiconeurológicos do homem e dos outros seres vivos, e os fenômenos bioenergéticos, envolvidos na produção de efeitos físicos e processo de cura de enfermidades. A Psicotrônica não considera a ação dos Espíritos: tudo é provocado pelo cérebro.

 

2.4. Transcomunicação Instrumental-TCI

 

A abrangência dos fatos espíritas teve novo impulso quando estudiosos verificaram ser possível aos Espíritos comunicarem-se, também, por meio de instrumentos e máquinas, quais sejam: gravadores de vozes, de rádio, televisão, telefone, computador, entre outros. Esse tipo de comunicação foi cunhado como Transcomunicação Instrumental (TCI).

A origem da moderna TCI está situada no início do século XX, quando alguns cientistas, como Thomas Alva Edison e Atila Von Szalay [Vide informações sobre esse fotógrafo americano em: Fenômenos de Voz Eletrônica] , entre outros, começaram suas experiências em TCI, utilizando aparelhos pouco sofisticados. Em termos históricos, acredita-se que a primeira obra sobre o assunto foi Vozes do além pelo telefone, de Oscar D’Argonnel, publicada, no Rio de Janeiro, em 1925. O autor foi conhecido pesquisador espírita brasileiro do começo do século XX.

Em 1959, Friedrich Jüergenson, W russo naturalizado sueco, começou a obter gravações de vozes dos Espíritos com regularidade, culminando na publicação de um livro sobre o assunto, em 1964. Foi quando a transcomunicação tornou-se mundialmente conhecida. Os resultados de Jüergenson estimularam o psicólogo e literato lituano Konstantin Raudive (1909-1974) W a iniciar pesquisas sobre o tema, em 1965, transformando-se em um dos maiores estudiosos do assunto, em todo o Planeta. Raudive realizou a proeza de gravar 72 mil frases dos Espíritos, que estão publicadas em sua obra O inaudível torna-se audível, antes de dedicar-se à TCI.

 

2.5. Bioenergia Humana

 

A palavra bioenergiaW integrante do vocabulário dos parapsicólogos, é conhecida pelos espíritas como fluido ou energia vital. Esta energia pode ser transmitida por meio da imposição das mãos (passe espírita), pela prece e por irradiações mentais, estando o beneficiário presente ou ausente.

Estudos acadêmicos sérios, que tratam dos efeitos da bioenergia, estão sendo desenvolvidos por pesquisadores, no Brasil e no exterior. Atualmente, há uma série de pesquisas que abrangem interação da bioenergia humana com diferentes materiais e situações, quais sejam: modificações da molécula de água; crescimento e tratamento de plantas doentes; tratamento de pessoas hipertensas, com câncer e com infecções; processos de cicatrização; cultivo de tecidos embrionários, etc.

A pesquisa, muito atual, relacionada à bioenergia, envolve “o poder da oração”. Uma das grandes autoridades mundiais nesse campo é Jeff Levin , médico epidemiologista social, formado em religião, sociologia, saúde pública, medicina preventiva e gerontologia na Universidade Duke, Carolina do Norte-EUA. É também pesquisador do National Institute for Healthcare Research, e seus estudos podem ser definidos como epidemiologia da religião — o estudo científico de como fatores espirituais previnem a incidência de enfermidades em determinadas regiões e a mortalidade, e como promovem a saúde e o bem-estar — estabelecendo, assim, o relacionamento existente entre ciência, medicina e espiritualidade. Recomendamos a leitura do seu livro: Deus, fé e saúde , publicado no Brasil pela Editora Cultrix.

 

2.6. Ação Espiritual em Doentes

 

No Brasil e fora do país, alguns pesquisadores estão desenvolvendo estudos relacionados à ação dos bons Espíritos na recuperação de doentes. Neste sentido, é relevante citar a pesquisa realizada pelos médicos psiquiatras Frederico Leão e Francisco Lotufo , ambos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que constataram significativas melhoras clínicas e comportamentais em 650 pacientes portadores de deficiências mentais e múltiplas, depois de submetê-los ao auxílio espiritual de Espíritos benfeitores, durante reuniões mediúnicas. Como resultado do estudo, os autores sugerem a “aplicação do modelo de prática das comunicações mediúnicas como terapia complementar.”

A propósito, o livro Psiquiatria e Espiritismo, publicado pela FEB, fornece amplos esclarecimentos sobre a mente e as doenças mentais.

Os brasileiros Jorge Andréa, W psiquiatra, e Nubor Orlando Facure, neurocientista, fundador do Instituto do Cérebro, da Universidade de Campinas-UNICAMP São Paulo, são exemplos de estudiosos que pesquisam e publicam trabalhos envolvendo os benefícios da mediunidade. O Professor Facure procura compreender, nos estudos que realiza, a relação entre os núcleos de base dos automatismos psicomotores e aqueles que geram o fenômeno da mediunidade. Em entrevista concedida à revista Universo Espírita (N° 35, Ano 3), aponta que há um tipo de neurônio, o neurônio espelho, que pode ser responsável pela “sintonia mediúnica”, a qual permite “sentirmos no lugar do outro”, como ocorre durante os transes mediúnicos.

Recomendamos a leitura destes livros de Nubor Facure: Muito além dos neurônios; Interação mente e cérebro; e As bases neurológicas das atividades espirituais. De Jorge Andréa: Limites entre processo obsessivo; Doenças mentais; Forças sexuais da alma.

Outra estudiosa do assunto, no Brasil, é a médica Marlene Rossi Severino Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil. Recomendamos a leitura destes livros de sua autoria: Epífise: Glândula da Vida Mental; A Obsessão e as suas Máscaras.

 

2.7. Reencarnação

 

As lembranças de vidas passadas ocorrem de duas formas: espontâneas foco das pesquisas de Banerjee, Stevenson e Hernani — , e provocadas. Nesta situação, a pessoa é submetida à hipnose ou sugestão hipnótica, usuais na Terapia de Vidas Passadas - TVP. W Este tipo de recordação induzida é mais um instrumento terapêutico, de auxílio a pessoas que revelam distonias mentais e/ou comportamentais, devendo, portanto, ser conduzida de forma segura, com moral e ética, por médicos ou psicólogos.

A indicação da terapia de vidas passadas deve ser sempre submetida à análise prudente dos terapeutas. Os trabalhos do médico e psiquiatra estadunidense, Brian Weiss, W representam pioneirismo, em relação ao tema. Brian Weiss, diplomado pela Universidade de Yale, com especialização em Psiquiatria na Universidade de Columbia, foi professor de Medicina em várias faculdades americanas, antes de se dedicar a TVP. Publicou mais de quarenta ensaios científicos nas áreas de psicofarmacologia, química cerebral, distúrbios do sono, depressão, ansiedade, distúrbios causados pelo abuso de drogas e sobre o Mal de Alzheimer.

Atualmente, é diretor emérito do Departamento de Psiquiatria do Hospital Mount Sinai, em Miami. O Dr. Weiss viaja constantemente para promover palestras e workshops sobre seu trabalho e contribui para diversas publicações acadêmicas, jornais e revistas, como The Boston Globe, The Miami Herald, The Chicago Tribune e The Philadelphia Inquirer, entre outros. Os livros de sua autoria mais conhecidos são: Muitos mestres, muitas vidas; A divina sabedoria dos mestres; Só o amor é real; Meditando com Brian Weiss. [Consulte a relação dos livros de Brian Weiss no Google Books]

 

2.8. Experiência de Quase Morte (EQM) W

 

Refere-se a um conjunto de sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, associadas a hipóxia cerebral (baixo teor de oxigênio no cérebro), sendo que as mais divulgadas são “o efeito túnel” e a “experiência fora-do-corpo” (EFC), também denominada autoscopia. O termo foi cunhado por Raymond Moody, em seu livro Vida Depois da Vida - Google Books , escrito em 1975.

A Experiência de quase morte, segundo a maior parte dos pacientes, modifica-lhes para melhor a visão que têm do mundo e das pessoas. As mudanças comportamentais são significativamente positivas, sendo a principal, a perda do medo da morte (tanatofobia). Passam a valorizar mais a própria existência e a dos outros. Comumente, reavaliam os seus valores éticos e morais. Com o passar do tempo tornam-se indivíduos mais serenos e confiantes.

 

2.9. Telepatia W

 

Além das pesquisas realizadas pelos parapsicólogos em inúmeras universidades, voltadas para fins exclusivamente acadêmicos e éticos, que tratam do conhecimento das potencialidades psíquicas do ser humano, é impossível ignorar investigações de natureza militar sobre a telepatia.

Neste sentido, destacam-se trabalhos realizados pelo médico russo Leonid Vasiliev W (1891-1966) [Leonid Leonidovich Vasiliev] catedrático de fisiologia da Universidade de Leningrado, membro da Academia Soviética de Medicina. Desde a década de 1920 esse cientista soviético testava os efeitos das sugestões mentais a distância, bem como a ideia de que a irradiação eletromagnética serviria como veículo para a telepatia, ideia que foi logo descartada.

No começo da década de 1950, o Departamento de Estado Americano realizava em seus funcionários exercícios que aumentavam a capacidade intuitiva. Memorandos internos, inclusive da CIA, recomendavam que se direcionassem pesquisas “para aplicações confiáveis aos problemas práticos de segurança”. São questões que servem de alerta e que merecem detida reflexão sobre a utilização dos poderes da mente, os quais, a rigor, existem para tornar o homem melhor, especialmente em termos morais.

 

ORIENTAÇÕES AO MONITOR

 

Sugerimos que o conteúdo deste Roteiro seja desenvolvido em duas reuniões.

2. Na primeira, o monitor, em conjunto com a turma, elabora uma linha do tempo que contenha: nome do estudioso/cientista, época e local em que viveu, principais contribuições na investigação dos fatos espíritas, obras publicadas.

3. Na segunda reunião, a turma se organizará em grupos para estudar as pesquisas científicas relacionadas aos fatos espíritas (item 2 deste Roteiro).

4. Em ambas as reuniões, faz-se: a) breve exposição introdutória para fornecer visão panorâmica do assunto; b) exposição conclusiva na forma de síntese dos conteúdos estudados.

 


REFERÊNCIAS

ATENÇÃO: Todas as referências estão citadas no corpo do Roteiro.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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