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EADE — Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita — Programa II — Filosofia e Ciência Espíritas


Roteiro 19


O Plano Físico

Objetivos:

» Descrever as principais características do Plano físico, segundo o conhecimento científico e espírita.

» Esclarecer o significado de consciência ecológica.



IDEIAS PRINCIPAIS

  • Os estudos científicos sobre a natureza física do Planeta são desenvolvidos por diferentes áreas do conhecimento: Física, Química, Biologia, Matemática, Geologia, etc., genericamente denominadas Ciências da Terra.

  • Considerando a forma estrutural do Planeta, os estudos científicos se concentram nas organizações existentes nos quatro ambientes terrestres: litosfera, atmosfera, hidrosfera e biosfera.

  • Para o Espiritismo, a Terra é apenas uma das inúmeras moradas existentes no Universo e que oferecem, […] aos Espíritos que neles encarnam, estações apropriadas ao seu adiantamento. Allan Kardec: O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo III, item, 2.

  • A consciência ecológica W é processo educativo que propõe desenvolver mentalidade de saber utilizar os benefícios oferecidos pelo Planeta a todas as manifestações da vida, sem depredar ou destruir a Natureza.



 

SUBSÍDIOS


No planeta Terra sabemos da existência de dois Planos: o físico e o espiritual. O primeiro tem sido objeto de estudo da Ciência, o segundo da Doutrina Espírita.

O Plano físico é local onde se coloca em prática os planos reencarnatórios do Espírito, sendo que a Natureza planetária é estudada pelas ciências da Terra, ou geociências, cujos conhecimentos abrangem áreas distintas — Física, Química, Biologia, Matemática — que usualmente se interrelacionam. Por meio do conhecimento oferecido por essas áreas, cientistas e estudiosos analisam a estrutura material do Planeta e as diferentes manifestações da vida: microbiana, vegetal, animal e humana. Contudo, as atividades científicas enfocam mais a superfície terrestre, local onde a vida se manifesta plenamente.

Considerando a forma do Planeta, uma esfera achatada nos polos, e a sua natureza, a moradia terrestre está dividida em quatro ambientes ou geosferas: W

  • Litosfera W (ou crosta terrestre) — camada sólida mais externa da Terra é formada por rochas e minerais, compreendendo a crosta continental e oceânica. Nessas localidades predominam a vida microbiana, vegetal, animal e a humana.

  • Atmosfera W — trata-se de uma camada gasosa que envolve a Terra, de aproximadamente 800 quilômetros de extensão, contados na vertical, a partir da superfície do Planeta. É formada de gases, principalmente nitrogênio e oxigênio, mas há outros, em proporções menores. Encontra-se também nesse espaço o vapor de água e o dióxido de enxofre.

  • Hidrosfera W — esfera composta por toda água que existe no Planeta: águas glaciais, águas dos oceanos e mares, dos rios, das fontes, dos lagos e também as dos lençóis subterrâneos. As águas marinhas e salobras correspondem a 97,4% e, apenas 2,6% são água doce, fato que demonstra a importância da água salgada para a vida planetária.

  • Biosfera W — comumente denominada “esfera da vida”, é um ambiente que abrange as porções de terra, mar e águas continentais habitadas pelos seres vivos. O homem encontra-se totalmente integrado à biosfera há milhares de anos, de forma que não é possível imaginar a sobrevivência da espécie humana terráquea fora desse ambiente.

Acredita-se que a Terra tenha mais de 4,4 bilhões de anos, mas há locais na superfície planetária que são relativamente recentes: cerca de 100 milhões de anos.

As informações que se seguem, (1) retiradas da internet, fornecem esclarecimentos básicos sobre a origem e a formação da Terra.


A Terra é o terceiro planeta a partir do Sol. É o quinto maior e mais massivo dos oito planetas do Sistema Solar, sendo o maior e o mais massivo dos quatro planetas rochosos. Além disso, é também o corpo celeste mais denso do Sistema Solar. A Terra também é chamada de Mundo ou Planeta Azul. Abrigo de milhões de espécies de seres vivos, que incluem os humanos, a Terra é o único lugar no Universo onde a existência de vida é conhecida. O planeta formou-se 4,54 bilhões (mil milhões) de anos atrás, e as primeiras evidências de vida surgiram um bilhão de anos depois. Desde então, a biosfera terrestre alterou significantemente a atmosfera do planeta, permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, bem como a formação de uma camada de ozónio. Esta, em conjunto com o campo magnético terrestre, absorve as ondas do espectro eletromagnético perigosos à vida (raios gama, X e a maior parte da radiação ultravioleta), permitindo a vida no Planeta. As propriedades físicas do planeta, bem como sua história geológica e sua órbita, permitiram que a vida persistisse durante este período. Acredita-se que a Terra poderá suportar vida por outros 1,5 bilhão (mil milhão) de anos. Após este período, o brilho do Sol terá aumentado, aumentando a temperatura no planeta, tornando o suporte da biosfera insuportável. (1)


Muito mais que estrutura física ou geológica, o planeta Terra é plano divino para o aprimoramento de um grupo de Espíritos, conhecido como Humanidade Terrestre. Segundo Emmanuel, (2) a Terra


é um magneto enorme, gigantesco aparelho cósmico em que fazemos, a pleno céu, nossa viagem evolutiva. Comboio imenso, a deslocar-se sobre si mesmo e girando em torno do Sol, podemos comparar as classes sociais que o habitam a grandes vagões de categorias diversas. […] Temos aí o símbolo das reencarnações. De corpo em corpo, como quem se utiliza de variadas vestiduras, peregrina o Espírito de existência em existência, buscando aquisições novas para o tesouro de amor e sabedoria que lhe constituirá divina garantia no campo da eternidade. De quando em quando, permutamos lugar com os nossos vizinhos e companheiros. (2)


Esclarece também o benfeitor espiritual que no Plano físico, local onde transcorre a existência carnal, é que o Espírito “[…] encontra multiplicados meios de exercício e luta para a aquisição e fixação dos dons de que se necessita para respirar em mais altos climas.” (3)

Sendo assim, o ser humano deve aprender a preservar a moradia que lhe serve de processo evolutivo, educando-se, desde a mais tenra infância, como desfrutar dos seus benefícios sem provocar-lhe qualquer tipo de agressão. A consciência ecológica é meta que todo Espírito esclarecido almeja, a fim de que o Planeta ofereça boas condições de vida aos seus habitantes. Neste sentido, ensinam os orientadores (4) da Codificação Espírita:


Deus não podia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe conceder os meios indispensáveis. É por essa razão que faz a Terra produzir de modo a fornecer o necessário a todos os seus habitantes, visto que só o necessário é útil; o supérfluo nunca o é. (4)


Entretanto, assinala Allan Kardec: “A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar os bens que ela dá, segundo as leis de justiça, de caridade e amor ao próximo.” (5)

O consumo passa a ser questão primordial quando se analisa o equilíbrio planetário, porque, em razão da compulsiva necessidade de consumo, ou consumo abusivo, o homem desenvolveu mentalidade predadora contra a Natureza, capaz de pôr em risco a vida no Planeta.

Importa considerar que a exploração sistemática e predatória dos recursos naturais, ao longo dos milênios, está provocando o esgotamento, a extinção de muitos elementos, produzindo uma série de modificações ambientais como, por exemplo, o fim de certos tipos de combustível (petróleo), escassez de água, aumento do aquecimento global e a poluição generalizada da Natureza.

O confrade André Trigueiro, em seu livro Espiritismo e Ecologia aponta: “Enquanto os ecologistas usam ferramentas cada vez mais sofisticadas para medir os impactos do consumo sobre os recursos naturais, os espíritas denunciam os problemas éticos decorrentes do consumismo.” (6) Considera, porém, que


em linhas gerais, ecologistas e ambientalistas apregoam valores que soam bastante ameaçadores a quem se acostumou a enxergar a Natureza como um gigantesco supermercado do qual basta retirar o que se deseja das prateleiras sem nenhuma preocupação com os limites do estoque. (7)


Sendo assim, é necessário que a nova geração de Espíritos receba, no lar e na escola, uma educação que tenha como base a construção da consciência ecológica, pertinente, madura, distante tanto das manifestações ingênuas da fé — segundo as quais Deus sempre suprirá a Humanidade de recursos ilimitados de sobrevivência física, mesmo que o homem não se esforce para manter o equilíbrio planetário — ou de posicionamentos ideológicos radicais que estipulam ser a natureza intocável. É preciso, na verdade, estabelecer um ponto de equilíbrio entre essas duas posições.

A expressão “consciência ecológica” implica, sobretudo, garantia da sustentabilidade da vida no Planeta. Neste aspecto, ensinam os Espíritos da Codificação que é preciso desenvolver entendimento das leis de destruição e de preservação, usando os recursos da Natureza sem abuso.

A palavra sustentabilidade é atualmente muito empregada quando se refere à consciência ecológica: traduz-se como “[…] conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana.” (8)

A principal proposta da sustentabilidade é

ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais. A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até o planeta inteiro. Para um empreendimento humano ser sustentável, tem de ter em vista 4 requisitos básicos. Esse empreendimento tem de ser:

  • ecologicamente correto;
  • economicamente viável;
  • socialmente justo; e
  • culturalmente aceito. (8)

Retornando às considerações de André Trigueiro, (9) fazemos nossas as suas palavras:


segundo o Espiritismo, a necessidade de destruição não se dá por igual em todos os mundos, e será cada vez menos necessária quanto mais evoluído física e moralmente for o planeta em questão. Importa reconhecer o gênero de destruição sobre o qual estamos falando. Um, de origem natural, conspira em favor da manutenção da vida; o outro, de origem antrópica, determina impactos negativos sobre os ciclos da Natureza, precipitando cenários de desconforto ambiental crescente. Há uma questão moral embutida nessa situação. Se entendermos que as práticas sustentáveis, em seus diferentes aspectos, significam fazer o bem, não ser sustentável — ou a inação num cenário de crise global — ajuda a desequilibrar a balança para o outro lado. Se não existe neutralidade no Universo, e cada ação ou inação reverbera de maneira distinta na forma como interagimos constantemente com o cosmos, é importante que a tomada de consciência se desdobre na direção de novas ações, novas rotinas, novas escolhas em favor da vida. (9)


ORIENTAÇÕES AO MONITOR


1. Como motivação inicial ao estudo, pedir aos participantes que leiam, atenta e silenciosamente, o texto de André Luiz, inserido em anexo.

2. Em seguida, analisar, em plenário, as principais ideias desenvolvidas pelo Espírito.

3. Realizar breve exposição sobre o conhecimento científico relacionado à constituição da Terra, desenvolvido neste Roteiro de Estudo.

4. Pedir aos participantes que localizem no Roteiro as ideias espíritas sobre o assunto, esclarecendo-as.

5. Fechar o estudo com análise do conceito de consciência ecológica, seu significado e importância.


OBSERVAÇÃO: informar à turma que o assunto da próxima reunião (A Desencarnação) será desenvolvido por meio da dinâmica Foro de Debates. Assim, convidar três pessoas para debater o assunto, após a realização de breve exposição. (veja descrição da dinâmica no anexo do próximo Roteiro de Estudo).

 

ANEXO - TEXTO PARA LEITURA E REFLEXÃO

Ouvindo a Natureza - André Luiz



REFERÊNCIAS

1. Origem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra

2. XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Pelo espírito Emmanuel. 11. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Capítulo 8 ( A Terra), p. 39-40.

3. Idem - Capítulo 2 (No Plano carnal), p. 16.

4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009, questão 704, p. 440.

5. Idem - O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Capítulo 25, item 8, p. 444.

6. TRIGUEIRO, André. Espiritismo e ecologia. 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Capítulo O consumo segundo o Espiritismo, p. 68.

7. Idem ibidem -  p. 70.

8. Origem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sustentabilidade

9. TRIGUEIRO, André. Espiritismo e ecologia. Op. Cit. Capítulo: Lei de destruição, p. 49.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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