Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Vozes da Outra Margem — Familiares diversos


CAPÍTULO 5


“A moto foi apenas um apelido para a terminação”

Como a ideia de morte pode encontrar espaço na mente de um jovem saudável de 17 anos, no máximo de vigor físico, sem problemas existenciais, vivendo em harmonia com a família, namorada e vários amigos?

Foi o que aconteceu com Moacyr Porazza Júnior, Jú entre os íntimos, alguns meses antes de sua desencarnação, ocorrida em acidente de moto, na Capital paulista, onde residia, a 1.° de junho de 1980.

Quatro meses antes do acidente fatal, ele fez um impressionante desenho numa folha de caderno (reproduzido ao lado, nos livro impresso), no qual registrou uma previsão de sua morte e o entregou à namorada Lilian, chamada Li na intimidade. Seria uma simples brincadeira de um jovem folgazão? Tudo nos leva a não pensar assim, com base em outras informações relatadas adiante, as quais nos permitem incluir esse desenho num conjunto de premonições.

Observemos que o desenho é significativo, onde vemos a urna funerária e o túmulo ornamentados com seu capacete de motoqueiro (sua moto era Yamaha) e ele separa, pela primeira vez, JU de LI, porque o seu prazer era escrever sempre seu nome e o da namorada juntos: JULI. Na lápide do túmulo escreveu: “Aqui jaz Júnior *22/10/62 † 06/4/85”. Ao lado das figuras, à direita, redigiu, em poucas palavras, a história de um motoqueiro apaixonado, sem relação com sua vida.

Embora nesse desenho previsse sua morte e a separação de Li para uma data longínqua: 6 de abril de 1985 (que também tem algum fundamento, pois Li casou-se com Ralf uma semana após esta data), apenas dois meses depois, Júnior passou a apresentar grande mudança em sua personalidade, tornando-se angustiado e apreensivo sem causa aparente, inclusive, em alguns dias, mostrando-se possuído de medo inexplicável. Em várias noites, tomado desse estranho medo, chegou a dormir no quarto dos pais, pedindo preces à sua mãe.

Nessa época, para combater crises de angústia, Júnior ouvia música clássica, hábito que nunca teve…

Certo dia, chegou a perguntar à progenitora: “Se eu morresse amanhã, o que a senhora faria?” — recebendo uma repreensão de D. Wilma para que não brincasse com assunto tão sério.

No período desses fatos, que antecederam, por dois meses, o acidente fatal, sua mãe também sentiu-se angustiada, sem motivo aparente.

Dias antes do desencarne, Júnior revelou à namorada grande interesse pela música: “Começo, Meio e Fim”, de autoria de Tavito, Ney Azambuja e Paulo Sérgio Vale, cantada por Tavito. (Recentemente, com sucesso, foi relançada na voz de Zizi Possi, em disco da Philips, 1986, intitulado “Zizi”.) Quando a ouviam, ao sintonizar um programa radiofônico noturno, ele exclamou: “Precisamos gravar essa música, senão não vai dar tempo”. E não explicou porque o tempo estava tão curto…

A letra dessa música, transcrita a seguir, é realmente significativa, como se ele mesmo, Jú, estivesse dizendo à Li: “Ah! coração / Se apronta para recomeçar / Ah! coração / Esquece esse medo de amar / De novo.”; ou como se estivesse dizendo a si mesmo, às vésperas de recomeçar Nova Vida, no Mais Além: “Precisa aprender / A começar de novo”:


“Começo, Meio e Fim


  A vida tem sons

  Que prá gente ouvir

  Precisa entender

  Que um amor de verdade

  É feito canção

  Qualquer coisa assim

  Que tem seu começo

  Seu meio e seu fim.

  A vida tem sons

  Que prá gente ouvir

  Precisa aprender

  A começar de novo.

  É como tocar

  O mesmo violão

  E nele compor

  Uma nova canção

  Que fale de amor

  Que faça chorar

  Que toque mais forte

  Esse meu coração

  Ah! coração

  Se apronta para recomeçar

  Ah! coração

  Esquece esse medo de amar

  De novo.”


Na antevéspera do acidente, no último dia de aula em que compareceu, uma sexta-feira, 30 de maio de 1980, Júnior escolheu e leu em classe este trecho do romance Música ao Longe, de Érico Veríssimo (3ª ed., 1973, Ed. Globo, p. 11):

“E se eu morrer? Se eu morrer, depois da missa de sétimo dia mamãe toda de preto vem chorando reunir as minhas coisas. Encontra este livro, abre, lê e fica sabendo todos os meus segredos.

Não. Preciso destruir este diário antes de morrer. O pior é que a gente nunca sabe quando vem a hora da morte.”


E, horas antes do desenlace do jovem motoqueiro, chegou a vez do seu progenitor e da avó materna entrarem na faixa do abençoado processo premonitório, que sob a supervisão de Benfeitores Espirituais — refletindo a Justiça e a Misericórdia Divinas —, preparava os corações, amortecendo o doloroso e rude impacto da programada separação brusca.

Às 22:30 horas do sábado, dia 31 de maio, Sr. Moacyr começou a se impacientar. Júnior havia saído, como fazia habitualmente, e estava na residência da namorada. Dª Wilma e a filha Patrícia deitaram mais cedo e dormiam tranquilamente. Portanto, não havia motivo para que o pai se angustiasse, aguardando a volta do filho, que não costumava retornar cedo para casa. Aproximadamente, aos 30 minutos do dia seguinte, entrando no domingo, Sr. Moacyr, preocupado com o filho, chegou a acordar a esposa, que não se preocupou com a questão, pois estava tudo normal. Ainda ansioso, o progenitor telefonou à casa de Lilian, a 1:05 horas, pensando em buscar o filho de automóvel, obtendo a resposta que Júnior havia acabado de sair de moto, com destino ao seu lar. O acidente já havia ocorrido 5 minutos antes!

E a vovó, Dª Olga Faria, residente num sítio do município de Ferraz de Vasconcelos, em torno das 23 horas daquele sábado, também sentiu muita angústia, com “pressão no peito”, e teve inexplicável vontade de dirigir-se à residência da filha, Dª Wilma, não concretizada pelo avançado da hora!


Quatro meses depois, a 11 de outubro de 1980, em Uberaba, outra madrugada — agora de paz e reconforto — se tornaria igualmente inesquecível para a família Porazza. Foi quando, pelo lápis de Chico Xavier, o Júnior voltou, como veremos a seguir, confirmando suas sensações premonitórias pois tudo obedecia a uma Determinação Superior —, ao afirmar: “A moto foi apenas um apelido para a terminação. (…) No íntimo, sabia que o tempo me faria passaporte num cavalo de aço (…) Despedi-me de nossa querida Lilian com uma tristeza esquisita no coração:


PRIMEIRA CARTA


1 Querido papai Moacyr e querida mãezinha Wilma, n estou presente com a vovó Maria n e com o meu avô Celestino, n e peço que me abençoem.

2 Quero abraçá-los com a nossa Lilian n e com a nossa Patrícia; n mas esse anseio se transforma nos votos de paz e felicidade que formulo ao Mais Alto por nós todos.

3 A moto foi apenas um apelido para a terminação.

4 A morte é uma palavra sem existência. Não posso referir-me à libertação do corpo físico, tomando por base de minhas informações a esse vocábulo que, afinal de contas, não passa de máscara de ilusório terror para a maioria das criaturas.

5 Perdoem-me vocês todos se voltei de repente. No íntimo, sabia que o tempo me faria passaporte, num cavalo de aço, sob as rédeas de minha vontade.

6 Tudo se me afirmava perfeito em matéria de controle, mas a velocidade estava entre as máquinas do trânsito e eu mesmo.

7 Aliás, ao que me lembro, era domingo. Despedi-me da nossa querida Lilian com uma tristeza esquisita no coração. 8 De quando a quando nós dois fazíamos um resumo ligeiro dos pequenos desacordos, em que por vezes nos achávamos de mergulho total, mas sinceramente, naquela hora, a sombra que me possuía era mesmo uma espécie de entardecer por dentro da gente. Queria expressar alegria, no entanto, o meu sorriso era mais uma careta de menino doente.

9 Depois foi a disparada. Tinha ciúmes da máquina que me obedecia com tanta segurança. Pensava nisso, refletindo nas distâncias a que ela consequentemente me transportava a fim de refazer pensamentos e reavaliar meus problemas, quando o choque me apagou. 10 Se alguma ideia estava sobrando em minha cabeça, ainda não sei. O negócio era cair de uma vez e dormir sem pensar.

11 Quando despertei tudo estava diferente, mas a muito custo é que consegui admitir a minha transferência.

12 Chorar, chorei muito, não posso ocultar isso. Mas os parentes me acomodaram.

13 Era necessário esquecer a roupa estragada e desvincular-me da moto a fim de recuperar a tranquilidade. Nesse aprendizado, estou fazendo força.

14 Digo a Lilian o que eu disse: agora não vale muito explicar que a amo; no entanto, isso significa que a compreendo. Lilian é uma criança, e no futuro encontrará quem com mais aptidão e mais segurança poderá faze-la feliz.

15 Minhas divagações de JÚ ainda estão em meus sentimentos. Um amor para sempre num castelo de felicidade no mundo, e alegrias a dois numa ilha em que tudo fosse o reflexo de nosso carinho mútuo.

16 Isto tudo era uma visão, a visão do grande futuro. Lilian querida, perdoe-me os estorvamentos de menino que presentemente se habilita à maturidade espiritual. Auxilie à mamãe e ao papai Moacyr como sempre.

17 Quando você estiver de casamento projetado, e isso não pode aborrecer a você, se falo nisso, gostaria que você não saísse de nossa casa, tão grande é a minha confiança de que você me ocupou o lugar.

18 O amor entre nós não poderia ser uma cadeia. Por isso mesmo, estou a supor-me nas alegrias de um irmão seu, a desejar-lhe um lar feliz. Em seu lar, isto é, quando Deus lhe der uma casa nova, com alguém ao seu lado, esteja certa de que serei uma oração de alegria por seu bem-estar.

19 Isso não é falta de carinho, é carinho demais, quando o coração se ilumina de fé numa vida maior do que era essa que deixei.

20 Peço-lhe, seja companheira da Patrícia, pois você é minha presença ao lado de meus pais e de minha irmã sempre querida.

21 Mãezinha Wilma e papai Moacyr, não julguem mal a minha sede voadora. É muito difícil compreensão para os motoqueiros mas, na realidade, a moto é uma recordação de paz e agradecimento em minha vida espiritual. Por aqui, é possível haja uma cópia à minha espera.

22 Ainda ignoro muito em torno de tudo o que me rodeia. Estou escutando os meus avós, para em seguida reencontrar companheiros com mais entendimento de minhas lembranças.

23 Estudar, fiquem certos de que prosseguirei curvado sobre os livros. Isso é uma fatalidade. Quem quiser aprender que se cuide e não posso me esquecer disso.

24 Agora é um beijo à família: papai Moacyr, fique com o meu reconhecimento de todos os dias; à mãezinha Wilma, juras de confiança total de meu carinho; à nossa Patrícia, conserva a minha esperança de um futuro mais feliz para nós todos, e aos amigos que nos assistem, aqui deixo meus votos de paz.

25 E, para a querida Lilian, todo o amor de seu príncipe de araque, transformado em seu amor de coração para hoje e para sempre.


.Jú

Moacyr Porazza Júnior.


IDENTIFICAÇÕES


1 — papai Moacyr e mãezinha Wilma — Moacyr Porazza e Wilma Faria Porazza, seus pais, residentes em São Paulo, à Rua Pacapiá, 4 — Mooca.

2 — vovó Maria — Maria Martins Faria, bisavó materna, desencarnada em 1960.

3 — avô Celestino — Celestino Rafael Porazza, avô paterno, desencarnado em 1941.

4 — Lilian — Lilian Graziano, namorada.

5 — Patrícia — Patrícia de Cássia Porazza, irmã.


SEGUNDA CARTA n


1 Querida mãezinha Wilma e querido papai Moacyr. Estamos reunidos nas preces de sempre, rogando a Deus que nos proteja e nos abençoem.

2 Não importa que as nossas lembranças do aniversário venham a ser articuladas com o atraso de um dia — 23 substituindo o 22. n Tudo bem. Não perdi a minha oportunidade de trabalhar com os amigos para comemorar.

3 Agradeço aos pais queridos por todas as manifestações de carinho. Outubro é realmente um mês que parece feito para mim, tão grande o meu arquivo de recordações, entrando pela vida afora e saindo com a mesma esperança com que entrei.

4 Creiam. Não desejo rememorar a noite da moto, mas é preciso resguardar na memória aqueles pensamentos conflitados de que o centro era eu, com o meu balanço encerrado para a revisão dos meus quase vinte anos de permanência na experiência física.

5 Muitos disseram que a máquina, significando o meu cavalo, ficara viva e que eu, o cavaleiro, tombara morto; entretanto, continuo cada vez mais vivo, no sentido de me retomar inteiramente para a continuidade de minhas novas tarefas. Retornar-me no que fora antes de ser JÚ, a fim de prosseguir na busca de mim próprio, no que conseguira acumular em minhas experiências do passado que, por aqui, se readquire muito pouco a pouco.

6 Mãezinha Wilma e querido papai, esqueçamos estes assuntos interligados com a chamada morte, para que nos detenhamos positivamente na vida.

7 Quero dizer à querida Patrícia que o irmão prossegue o mesmo. A nossa Pat se impregnou de tal modo com as ocorrências que me transportaram para o fim do corpo, que tenho tido o cuidado possível para não mergulhá-la em pensamentos negativos.

8 Querida Pat. Desejava que a Li permanecesse encarcerada em meu afeto e lutei tanto para que a lei da mudança não nos visitasse; entretanto, Li é uma criança querida e nobre, que precisava de proteção e defesa. Estou satisfeito em lhe anotando a aceitação de meu companheiro, que continua sendo muito estimável para mim, ao invés de se demorar no luto vazio e sem a menor significação.

9 Tantos amigos deixei. Impossível que não pudesse solicitar através do pensamento a um deles para que me tomasse o lugar. Ralf e o Carlos Alberto, o amigo Senhor Graziano e tantos outros poderiam auxiliar-me a resguardar a nossa querida Lilian, na condição de irmão e de pai, qual sucede com o nosso amigo a quem me referi e, por isso mesmo, rogo a Patrícia para que colabore comigo na formação da harmonia comum.

10 Afinal de contas, aliança não é algema, e se aquele cordão de amor passou a pertencer à nossa Li, n tenho nele o meu condensador de lembranças, através do qual ainda encontro processo de ajudá-la. E o papai Moacyr me fará o obséquio de adquirir um enfeite semelhante para a nossa Pat. Isso me fará muito feliz, porquanto desejo criar vibrações de entendimento entre nós todos. A querida irmãzinha não pode esquecer que devo à família Graziano muitas gentilezas e não quererá me catalogar na lista de amigos ingratos. Tudo segue bem, se procuramos o bem e foi isso que aprendi constantemente em nossa casa.

11 Quero dizer ao papai Moacyr que o vovô Celestino Rafael veio até aqui em minha companhia, mas não apenas ele, porque o avô Giovani n desejou conhecer o nosso ambiente. A vovó Maria Martins Faria continua sendo Benfeitora incansável em meu auxílio; no entanto, comunico à mamãe que a vovó Ana Rosa n se lhe associou, fazendo de mim um menino rico de proteção. Assim é imperioso dizer que a ternura de ambas não se igualam ao amor e à bondade incessantes da mãezinha Wilma e da vovó Olga, que continuam iluminando as minhas saudades.

12 Pais queridos, de ninguém me esqueci, mas em grafando os nossos pensamentos em forma de palavras, através de instrumentos outros, os nossos amigos médiuns, n não nos é possível parar a fim de esticar as ideias. Lembro-me com muita gratidão da vovó Olga e do vovô Euclides, n da querida Tia n e de nossa querida Cristiane. n Impossível destruir por dentro do coração aquilo que possuíamos de melhor.

13 Venho cooperando como posso, a fim de acomodar as situações que involuntariamente deixei um tanto obscuras. Graças a Deus, tenho conseguido estabelecer a serenidade possível depois das agitações naturais que a mudança inesperada me impôs. E a caravana vai seguindo sempre — sempre para melhor — porque eu mesmo me integrei na turma de companheiros que atuam no Perseverança, n para entesourar as energias de que necessito a fim de estudar com eficiência.

14 Mãezinha Wilma, peço-lhe agradecer a todos os amigos por mim.

15 Imagine que a dona das transformações irreversíveis, considerada a indesejável de cinco letras, viajava de moto em minha companhia e não me cedeu qualquer ponta de tempo a fim de me entregar à cortesia. Fiz a viagem para cá aos trambolhões, contudo tenho os pais queridos e a querida Pat, em meu lugar, a fim de traduzirem a gratidão.

16 A prima Alzira n recebeu as lembranças que lhe foram dirigidas e tanto a prima, quanto a nossa amiga e irmã Carolina Galucci n me recomendaram interpretar-lhes o reconhecimento.

17 Papai querido, não admita a tristeza em seus diálogos com seu filho. Não nos perdemos um do outro. Estou vivo e agora disponho de forças novas para estudar e ser-lhes útil.

18 Até que aquela minha câmara lenta na focalização de livros n era meu prenúncio de que me cabia reunir recursos íntimos para tomar novo caminho, nestas bandas, onde por enquanto estou dividido entre a casa da Terra e o Lar da Vida Espiritual. Tudo, porém, caminha para o progresso de que carecemos para acertar.

19 Desejaria escrever mais, apesar de saber que me excedi nas saudades que precisava exteriorizar em forma de desinibição, mas tenho instruções do vovô Celestino para terminar.

20 Pais queridos, tenho tão pouco a lhes oferecer, que me deram no mundo tudo aquilo de bom e belo, que me favoreceu em todos os instantes da vida, mas, com as lembranças a todos os familiares queridos, entrego aos dois, todo o coração de filho que lhes deposita na fronte aquele beijo molhado de lágrimas de reconhecimento por me sentir hoje, como sempre, o filho que recebeu entre os homens os melhores pais do mundo. n

21 Abraços de muito amor e saudade do filho reconhecido de sempre,


.Jú

Moacyr Porazza Júnior.


NOTAS E IDENTIFICAÇÕES


6 — Carta psicografada por Francisco C. Xavier, em reunião pública do GEP, Uberaba, na noite de 23/10/1981.

7 — lembranças do aniversário (…) 23 substituindo o 22. — Júnior nasceu a 22/10/1962.

8 — aquele cordão de amor passou a pertencer à nossa Li — Quando Patrícia se lembrou da corrente de prata que seu irmão usava no pescoço, e pretendeu guardá-la como recordação, seu pai, logo após o acidente e espontaneamente, já havia doado tal objeto à Lilian.

9 — avô Giovanni — João Porazza, bisavô paterno, desencarnado em 1923.

10 — vovó Ana Rosa — Ana Rosa Augusta Marques da Cruz, bisavó materna, desencarnada em 1971.

11 — grafando os nossos pensamentos em forma de palavras, através de instrumentos outros, os nossos amigos médiuns — Após a Primeira Carta recebida por Chico Xavier, em Uberaba, a 11/10/1980, Jú redigiu outras pelo saudoso médium Eurícledes Formiga, em São Paulo, que integraram os livros “Olá, Amigos” e “Motoqueiros no Além”, ambos editados pelo IDE.

12 — vovó Olga e vovô Euclides — Olga Faria e Euclides Faria, avós matemos.

13 — querida Tia — Claudete Faria de Almeida Martins, tia.

14 — Cristiane — Cristiane de Almeida Martins, prima.

15 — eu mesmo me integrei na turma de companheiros que atuam no Perseverança — Refere-se ao Centro Espírita Perseverança, de São Paulo, onde Formiga psicografava e sua mãe, hoje, é colaboradora.

16 — Alzira — Alzira Jacintha Porazza, prima paterna, desencarnada em 1980.

17 — Carolina Galucci — Amiga da família, desencarnada em 1979.

18 — aquela minha câmara lenta na focalização de livros — Seus pais confirmam o desinteresse de Júnior pelos estudos, algum tempo antes do acidente, embora cursasse a 8ª série do Colégio META.

19 — lágrimas de reconhecimento por me sentir hoje, como sempre, o filho que recebeu entre os homens os melhores pais do mundo. — Em uma das aulas de português, Júnior escreveu sobre o tema: “Uma Pessoa Importante” com as seguintes palavras:

“Para uma pessoa ser importante, ela precisa ser bastante conhecida. Mas podem haver pessoas com importância sentimental, como por exemplo, a de nossos pais na vida da gente. É tal a importância, que nunca será substituída, ao contrário das pessoas em saliência por causa de cargos elevados, pelo poder financeiro, que um dia poderão perdê-la.

Não. Nossos pais são diferentes, eles são a maior fortuna que uma pessoa jamais teve. Nunca pagaremos a dívida que temos para com eles, por nos criar e educar, preparando-nos para a vida. E sempre estão prontos para nos corrigir, orientando-nos no caminho certo.

Por causa disso, vale mais ser uma pessoa importante pelo que ela é e faz por nós, sem querer nada em troca, do que aquela que consegue destaque através de cargos, dinheiro, etc.

Para mim “uma pessoa importante” são estes: meus pais.”


.Hércio Arantes


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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