O Caminho Escritura do Espiritismo Cristão
Doutrina espírita - 2ª parte.

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Viajaram mais cedo — Familiares diversos


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Luíza Corrêa Jardim

São Paulo (SP), 13 de março de 1939.
São Paulo (SP), 04 de março de 1962.

Filha única de Maria Mion Corrêa Jardim e Jorge Corrêa Jardim (desencarnado), professora primária, cursou Química Industrial na Faculdade Oswaldo Cruz, de São Paulo.

Poetisa, ufóloga, aluna exemplar, deixou lindos sonetos em sua curta existência na Terra.




DEPOIMENTO


Quando recebi a mensagem, não conseguia lê-la. Senti-me outra, parece que, por dentro, tudo mudou em mim.

Em casa, as coisas se modificaram. Sinto minha filha a acompanhar-me qual uma santa que não me abandona nunca.

Maria Mion Corrêa Jardim




MENSAGEM


1 Querida mamãe Maria, abraço-a com o meu pai pelo coração, nosso querido companheiro Afonso Avelino.  n

2 Mais de vinte anos se passaram e a sua dor materna escondida nos seus sorrisos de paciência me espera as notícias.

3 Mãe querida, ninguém decifra este mistério: as mães vencendo o tempo e a morte e ressuscitando os filhos considerados mortos para que lhes contem como vivem ou o que lhes aconteceu…

4 Minha avó Luíza  n me diz que eu devo falar sem receio, pois aqui todos estudam o que há na morte, tanto quanto o que existe na vida.

5 Mamãe, você se recordará de que naquela noite de março, há vinte anos passados, o papai Jorge  n estava mais áspero, mais difícil. Encerrou-nos as duas em casa, fechou as portas e me disse que eu não poderia continuar em nossa casa.

6 Pobre papai! Não era ele. Alguém o possuía, movimentando-lhe os impulsos contra nós. Chorei em silêncio e vi que o meu pranto encontrava ligação nos seus olhos…

7 Tudo ouvimos do que nos foi por ele dito, talvez sem o mínimo de pensamentos dele próprio nas frases que pronunciava.

8 Confesso-lhe que eu estava arrasada. Tinha meus pais por única riqueza da vida, e se era meu pai Jorge quem me separava do lar, comecei a rezar pedindo a Jesus me desse uma direção para onde ir…

9 Deitei-me, mas o sono não vinha…
O medo do amanhã tomara conta de minh’alma e, a custo, procurei uma drágea de tranquilizante que me desse algum repouso, e, sorvendo-a, consegui dormir.

10 As emoções daquela noite e daquele dia eram fortes demais e, não sei porque, o sedativo, sem que eu tivesse a menor ideia disso, me paralisou o coração.

11 A princípio, alguma disritmia, depois uma dor muito profunda…

12 O suor abundante molhou travesseiros e roupas de cama e, em seguida, senti-me sem capacidade de movimento. 13 Pouco a pouco, tive a impressão de que desapareceria de mim própria…

14 Então, foi um torpor no qual sonhava, querendo acordar em meu corpo sem poder…

15 Escutei os seus gritos, tentando-me despertar…
— “Minha filha! Minha filha! Não me deixe sozinha”; entretanto, eu não conseguia responder que ali me achava ao seu lado, intentando levantar o corpo que se fizera frio e enrijecido.

16 No auge de minha aflição vi alguém que me socorria.

17 Dormi profundamente.
Mais tarde, foi o encontro da vovó Luíza que me encorajava.

18 Mostrou-me que o papai Jorge era possuído por forças estranhas a ele próprio e pude ver, por mim mesma, que ele, embora transformado a meu respeito, continuava dominado por alguém que as vidas passadas lhe impunham.

19 Acompanhamo-lo doente, qual se fez com os dias que se seguiram à minha desencarnação, e segui de perto a separação dele e do outro ser que o dominava, quando o papai Jorge foi retirado do corpo.

20 Cenas que não posso descrever me elucidaram sobre muitos acontecimentos tristes do mundo, e, em seguida, vovó e eu oramos para que um companheiro viesse protegê-la em sua solidão.

21 Foi quando as forças do Céu nos ouviram e o meu pai espiritual Afonso surgiu e se tornou o nosso companheiro dedicado e querido.

22 Hoje a nossa irmã Benedita,  n que lhe foi mãe na Terra, está nesta noite em nossa companhia e as três, vovó Luíza, vovó Benedita e eu, rendemos graças a Deus por termos um amigo certo ao seu lado.

23 Mãe querida, perdoe-me se falei tanto, mas os amigos espirituais, nesta reunião, decidiram que meu caso, ou o nosso caso, fosse relatado para que haja compreensão e harmonia nos grupos familiares que nos possam ler ou escutar.

24 Afonso, amigo paternal, Deus o recompense, e você, mamãe querida, receba na face cansada e sofrida, que sua filha vê sempre mais bela, um beijo de muito carinho e de muito amor, nas saudades e nas aspirações novas de sua filha


Luíza

Luíza Corrêa Jardim

24.09.1982.    


Caio Ramacciotti

Paulo de Tarso Ramacciotti



[1] Afonso Avelino - casado em segundas núpcias com D. Maria Mion Corrêa Jardim, mãe de Luíza.

[2] Luíza Corato Mion - avó materna, desencarnada em 1967.

[3] Jorge Corrêa Jardim, pai de Luíza, desencarnou 4 anos após. É interessante observar as ponderações de Luíza sobre o processo obsessivo em que seu pai estava envolvido.

[4] Benedita Camargo - mãe do Sr. Afonso Avelino, desencarnada em 1979.


Texto extraído da 1ª edição desse livro.

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