Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Revelação — Jair Presente


9


Em defesa dos animais

  1 No termo do ano passado,

  Tive um chamado ideal:

  Devia dar assistência

  Aos serviços do Natal.


  2 Fiz preces, rogando a Deus

  Paz na mente, amor e luz,

  Sabendo que aquela data

  Era a Festa de Jesus.


  3 Comecei a trabalhar

  Testando-me a confiança…

  Que Deus me desse mais força,

  Mais apoio na esperança.


  4 Fiquei, porém, desgostoso,

  Pois no Grande Feriado

  Só se falava da festa,

  Jesus não era lembrado.


  5 Primeiro fui à Mansão

  Do meu amigo João Dias.

  Ele estava entusiasmado

  Comendo duas cotias.


  6 Então fui ver Dona Eulália,

  Conhecida por Luloca.

  Ela e o marido traçavam

  Língua de boi com paçoca.


  7 Fui ao encalço do pastor,

  Pregador “cara e coroa”.

  Ele estava em grande pressa,

  Temperando uma leitoa.


  8 Encontrei, no galinheiro,

  Vasta frota de perus.

  Coitados, nenhum deles

  Quis falar sobre Jesus.


  9 Recordei Dona Germana,

  Famosa em fazer angu.

  Germana e o filho trinchavam

  Lombo de porco e tutu.


  10 Muito triste, procurei

  A casa de João Chichorro.

  No entanto, revi o amigo

  Comendo o próprio cachorro.


  11 Fui no pouso da Donana,

  A caridade segura.

  Ela estava degustando

  Farofa com tanajura.


  12 Parei na casa de Lauro

  Que vivia no descanso.

  Vi Cocota, a esposa dele,

  Cortando a goela de um ganso.


  13 Vacilando, entrei no lar

  Do companheiro João Tato.

  O amigo se achava à mesa,

  Comendo carne de gato.


  14 Procurei seguir em frente,

  Parei no Bar de Ciloca.

  Ela se achava “arrumando”

  Cinco quilos de minhoca.


  15 Em seguida, busquei

  O sítio de Adão do Embalo.

  Dizendo ter muita fome,

  Comia o próprio cavalo.


  16 Passei na casa de Antônio,

  O antigo dono dos tangos.

  João não dançava, comia,

  Só de uma vez, cinco frangos.


  17 Em total abatimento,

  Lembrei-me do Hevi da Cruz…

  Se visse tanta matança

  O que diria Jesus!


  18 Em qualquer parte onde eu ia,

  Estavam potes de borco.

  Carnes de gado no abate,

  Carne de cabra e de porco.


  19 Por que, meu Deus, perguntei,

  Neste dia sem igual,

  Há tanta morte

  Sobre as horas do Natal?


  20 O homem do dia a dia

  Matava só por prazer…

  O homem não acharia

  Outra coisa pra comer?


  21 As espécies de animais

  Recebem nos dias seus,

  A bondade e a proteção

  Que chegam do amor de Deus.


  22 Ante o Natal de Jesus,

  Guardando os princípios sãos,

  Comer carne, não tanto,

  Deus bendirá vossas mãos.


.Jair Presente


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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