Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Religião dos Espíritos — Emmanuel


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Louvor do Natal

Reunião pública de 18 de Dezembro de 1959

Questão n.° 1017 de “O Livro dos Espíritos”


1 Senhor Jesus!

Quando vieste ao mundo, numerosos conquistadores haviam passado, cimentando reinos de pedra com sangue e lágrimas.

2 Na retaguarda dos carros de ouro e púrpura, em que lhes fulgia a vitória, alastravam-se, como rastros da morte, a degradação e a pilhagem, a maldição do solo envilecido e o choro das vítimas indefesas.

3 Levantavam-se, poderosos, em palácios fortificados e faziam leis de baraço e cutelo, para serem, logo após, esquecidos no rol dos carrascos da Humanidade.

4 Entretanto, Senhor, nasceste nas palhas e permaneceste lembrado para sempre.

5 Ninguém sabe até hoje quais tenham sido os tratadores de animais que te ofertaram esburacada manta por leito simples, e ignora-se quem foi o benfeitor que te arrancou ao desconforto da estrebaria para o clima do lar.

6 Cresceste sem nada pedir que não fosse o culto à verdadeira fraternidade.

7 Escolheste vilarejos anônimos para a moldura de tua palavra sublime… Buscaste para companheiros de tua obra homens rudes, cujas mãos calejadas não lhes favoreciam os voos do pensamento. E conversaste com a multidão, sem propaganda condicionada.

8 No entanto, ninguém conhece o nome das crianças que te pousaram nos joelhos amigos, nem das mães fatigadas a quem te dirigiste na via pública!

9 A História, que homenageava Júlio César, discutia Horácio, enaltecia Tibério, comentava Virgílio e admirava Mecenas, não te quis conhecer em pessoa, ao lado de tua revelação, mas o povo te guardou a presença divina e as personagens de tua epopeia chamam-se “o cego Bartimeu”, ( † ) “o homem de mão mirrada”, ( † ) “o servo do centurião”, ( † ) “o mancebo rico”, ( † ) “a mulher cananeia”, ( † ) “o gago de Decápolis”, ( † ) “a sogra de Pedro”, ( † ) “Lázaro, o irmão de Marta e Maria”… ( † )

10 Ainda assim, Senhor, sem finanças e sem cobertura política, sem assessores e sem armas, venceste os séculos e estás diante de nós, tão vivo hoje quanto ontem, chamando-nos o espírito ao amor e à humildade que exemplificaste, para que surjam, na Terra, sem dissensão e sem violência, o trabalho e a riqueza, a tranquilidade e a alegria, como bênção de todos.

11 É por isso que, emocionados, recordando-te a manjedoura, ( † ) repetimos em prece:

— Salve, Cristo! os que aspiram a conquistar desde agora, em si mesmos, a luz de teu reino e a força de tua paz, te glorificam e te saúdam!…


.Emmanuel



Essa é a 75ª lição do livro “Antologia Mediúnica do Natal”, editado pela FEB em 1966.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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