Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Ponto de encontro — Jair Presente


15


Traíras

  1 É uma estória de ficção,

  Que atiro hoje no ar,

  Um simples caso de peixes

  E uma lição de pensar.


  2 Traíra bastante idosa

  Nadava forte e serena,

  Fazendo-se acompanhar

  Por uma filha pequena.


  3 A mãe-traíra dissera

  Para a traíra-menina:

  — “Filha, é preciso aprender

  As lições que a vida ensina.


  4 Hoje, vamos rio abaixo,

  Evite lixo e barrela,

  Siga sempre junto a mim,

  No máximo de cautela.”


  5 Depois, falou das lembranças

  De queridas companheiras,

  De excursões em dias claros,

  De flores e cachoeiras.


  6 O passeio ia tranquilo

  E eis que a dupla se apoquenta,

  Vendo um pedaço vermelho

  De carne sanguinolenta.


  7 A traíra mais idosa

  Mostrou-se muito assustada,

  Pedindo, porém, à filha

  Que ficasse acomodada.


  8 Em seguida, lhe falou:

  — “Ouça, calma e fique arisca!…

  A carne que estamos vendo

  Tem nome: chama-se isca.


  9 “Dentro dela, existe um chuço

  Que tem o nome de anzol.

  Um punhal curvo e cruel

  Que se vê, à luz do sol.


  10 “Atrás dele fica um homem

  Que o governa com mão forte,

  Espalhando em nossa águas

  Terríveis quadros da morte.


  11 “Já vi muitos companheiros

  Pelo anzol, sendo arrancados

  E há quem diga que depois

  São eles estraçalhados.


  12 “Agora, fuja, filhinha,

  Cheiro de carne extravasa…

  Seja traíra correta,

  Vivendo dentro de casa.”


  13 Em seguida, foi à isca…

  Disse à filha: “Saiba disto:

  Esta carne em sangue é linda!…

  Sou traíra e não resisto.”


  14 Passou a comer a isca,

  Bocada para bocada,

  Mas quando caiu no anzol

  Logo, logo, foi pescada.


  15 A filha voltou a sós,

  A recordar mãe-traíra,

  Pensando no que escutara

  E meditando o que vira.


Jair Presente


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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