O Caminho Escritura do Espiritismo Cristão
Doutrina espírita - 2ª parte.

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Ponto de encontro — Jair Presente


2

História de João Coco

1 O sitiante João Coco,
Na Roça do Sapecado,
Certo dia, amanheceu
Francamente obsedado.


2 Ele era solteirão,
Tão sóbrio quanto esquisito,
Pois João acordou aos pulos
Dando berros de cabrito.


3 Aquela perturbação,
Dolorosa e repentina,
Não aceitou tratamentos,
Zombou da própria morfina.


4 Levado a um grupo de preces,
Pelo médium, veio um Guia…
João explicou-lhe, chorando,
Tudo aquilo que sentia.


5 O protetor ouviu, calmo,
E depois falou-lhe : — “João,
Você ficará curado,
Porém, sob condição!…”


6 — “Qual é?” — perguntou, aflito,
O pobre amigo João Coco —
“Ouço vozes que me acusam
Vejo monstros, vivo louco!…”


7 O Guia expressou-se amigo
Com palavras meditadas:
— “Todos temos inimigos
Das existências passadas…


8 “Já plantamos sobre a Terra
Muita luta e sofrimento…
Colhemos os resultados
Nas provações do momento.


9 “Se você quer se curar,
Busque novas esperanças…
Dê tudo quanto tiver
Em socorro das crianças…”


10 Totalmente renovado,
João fala, exalta, elucida;
Às crianças sem amparo
Cederia a própria vida.


11 No grupo dos companheiros
Começou logo a sonhar:
Faria uma casa grande
Para os meninos sem lar.


12 Cinco anos se passaram,
Mas João Coco nada fez,
Se questionado a respeito,
Dizia apenas “talvez…”


13 A irmã, senhora Cecina,
Veio a ele interrogar:
— “João, e a casa das crianças,
Quando é que vai começar?”


14 Replicou-lhe o sitiante:
— “Espero o auxílio do Além,
A obra é de capital
E as cousas não andam bem.”


15 Em resposta ao questionário
Do jornalista Aristeu,
Disse João: “a seca é grande,
Todo o meu gado morreu.”


16 Logo após, veio a pergunta
De Dona Clara Maria;
Apertado, falou João
Que a casa demoraria.


17 Relacionando o problema,
Confessou ao Nicolau:
— “Estou pobre e sem recursos,
Vivo a laranja e mingau…”


18 Trinta janeiros se foram…
João Coco, em vida folgada,
Não atendeu a ninguém,
Nem procurou fazer nada.


19 Mas, um dia, a obsessão
Voltou a João e ele, aflito,
Pulava sem direção,
Berrando que nem cabrito.


20 O caso se complicou,
O enfermo sempre tremendo
Viu chegar outra doença
E João acabou morrendo…


21 Depois de muitos estudos,
Vieram as conclusões:
João Coco deixou ao léu
Setenta e cinco bilhões.


Jair Presente


Texto extraído da 1ª edição desse livro.

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