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Presença de Chico Xavier — Depoimentos diversos/Mensagens familiares ©

 

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Depoimento de J. Herculano Pires  n 

O SERVO FIEL  n 

 

Não seria justo fazermos uma exaltação de Francisco Cândido Xavier. No Espiritismo cada servo ocupa o seu lugar e o galardão que lhe cabe é apenas o cumprimento do dever. Mas seria injusto, no momento em que se comemoram quarenta anos de absoluta dedicação de Chico Xavier à mediunidade, silenciarmos a respeito. E mais do que isso, seria perdermos a oportunidade de chamar a atenção de nossos leitores para o exemplo que ele nos dá. Estas palavras, portanto, não serão o incenso queimado a um ídolo, mas o lembrete fraterno a todos nós, que devemos e precisamos urgentemente aprender com o médium dedicado e humilde.

Chico Xavier desenvolveu sua mediunidade psicográfica, iniciando o seu mediunato (missão mediúnica) na noite de 8 de julho de 1927, numa reunião espírita de criaturas simples e boas, na então cidadezinha de Pedro Leopoldo, sua teria natal, próximo a Belo Horizonte. Antônio Barbosa Chaves, hoje com setenta e seis anos, quase cego, morando na mesma cidade, participava daquela reunião e pôde declarar, ainda agora, aos confrades do jornal “O Espírita Mineiro”, que foram visitá-lo: “Eu vi o Chico receber a primeira mensagem!”

 


 

UM MOCINHO

 

Chico Xavier era então um mocinho de 17 anos, um adolescente. Mas tinha a sua missão e nunca deixou a mesa de trabalho. Dos 17 aos 57 anos ele serviu fielmente ao Senhor na seara mediúnica. Recebeu milhares de mensagens, publicou 92 livros, atingindo estes a 260 edições, num total de 2.045.000 volumes.  n  Além desses livros e das mensagens publicadas em jornais, revistas e folhetos, recebeu e continua recebendo milhares de mensagens particulares, dirigidas a pessoas que o procuram pedindo auxílio, esclarecimento e orientação, e que por seu caráter pessoal não são divulgadas.

O mocinho de 1927 está hoje às portas da velhice, mas não mudou em nada quanto à orientação espiritual que firmou naquela noite distante. Sua mediunidade abriu-se em várias outras direções, abundante em frutos de caridade e revelação. O mocinho de Pedro Leopoldo, entretanto, jamais se desviou do caminho reto do seu destino. Não se envaideceu, não temeu os tropeços e as dificuldades, não se acovardou com as perseguições e as ameaças, não se deixou fascinar pelas tentações de toda espécie que lhe surgiram pela frente. Esse o exemplo, o luminoso exemplo para o qual desejamos chamar a atenção de todos.

 


 

POBREZA E FIRMEZA

 

A pobreza é dura de suportar, principalmente para um jovem dotado de inteligência, num mundo de ambição e vaidade como o nosso. Chico Xavier nasceu pobre, muito pobre. Seu pai era o Sr. João Cândido Xavier, vendedor de bilhetes de loteria, e sua mãe a Sra. Maria João de Deus, criatura humilde que o deixou órfão aos cinco anos de idade, com mais oito irmãos. Crescendo, o menino fez o curso primário no grupo escolar e interrompeu os estudos para trabalhar até alta madrugada numa fiação.

Pobreza e firmeza, pois Chico Xavier continuou pobre pela vida fora, mas firme na sua conduta espírita. Hoje está aposentado, mas para chegar à aposentadoria cumpriu fielmente os seus deveres, nunca faltando ao serviço por motivos de ordem mediúnica ou doutrinária. Sempre achou que os seus deveres deviam ser cumpridos integralmente nos dois Planos, o material e o espiritual. Deu assim a César o que era de César e a Deus o que é de Deus. (Mt) Foi fiel no mínimo para ser fiel no máximo, segundo a parábola. (Mt)

 


 

ORIENTAÇÃO ESPÍRITA

 

A firmeza de Chico Xavier é também notória no tocante à orientação doutrinária. Quantos médiuns cederam à fascinação de Espíritos arrogantes, que lhes acenavam com “novas revelações” e vaidosamente caíram nas armadilhas das trevas! Chico não deu trelas à vaidade. Nasceu humilde e humilde permaneceu. Aceitou a orientação esclarecida de Emmanuel e jamais dela se afastou. Tornou-se a pedra angular do movimento espírita brasileiro, e hoje a sua influência benéfica se estende ao mundo inteiro.

Esse é outro aspecto do exemplo de Chico Xavier, para o qual devemos voltar a nossa atenção e a nossa reflexão. Chico jamais falou em “Neo-Espiritismo”, em “revisão doutrinária”, em “superação de Kardec” ou coisa semelhante. Porque Chico jamais deu atenção a Espíritos mistificadores, nunca aceitou servir de médium para uma nova revelação, mantendo-se fiel a Kardec, à doutrina revelada pelo Espírito da Verdade, segundo a promessa de Jesus que encontramos no Evangelho. Felizes os médiuns que seguirem esse exemplo de fidelidade e humildade! Infelizes daqueles que, envaidecidos, se deixaram tentar, aceitando e divulgando falsas revelações!

 


 

VIDA E OBRA

 

Chico Xavier, no auge da fama, considerado o maior médium psicógrafo do mundo, foi convocado para um trabalho no exterior. As fascinações eram muitas. Grandes oportunidades lhe foram oferecidas nos Estados Unidos. Mais uma vez Chico Xavier provou sua firmeza. Continuou firme na sua rota, inteiramente voltado para o compromisso que o esperava no Brasil. Aqui voltando, era e é o mesmo Chico, humilde e abnegado, cumprindo a sua missão. Novas mensagens, novos livros, no mesmo afã psicográfico de sempre, na mesma simplicidade, na mesma pureza de médium a serviço da Espiritualidade Superior, mas servindo também aos irmãos dos planos inferiores que precisam de ajuda.

A vida e a obra de Chico Xavier se conjugam no mesmo exemplo. Chico é o médium padrão, o médium modelo. É perigoso dizer isso na maioria dos casos. Mas no caso de Chico não é. Ele já deu provas de não se entregar à vaidade. Conhece a sua posição de medianeiro, de servo, e sabe que tem de se manter fiel. E não é também para o elogiar que nos referimos a todas essas coisas. O elogio falso é perigoso, porque o elogiado, não o merecendo, não está em condições de recebê-lo com elevação. A justiça que se faz a uma criatura de merecimento não é elogio falso, é simples reconhecimento de mérito real. Ora, se o mérito existe não poderá ser obscurecido pela tolice da vaidade.

Se depois de quarenta anos de abnegação mediúnica, Chico ainda não pudesse ser citado como o exemplo que realmente é, nós todos estaríamos enganados. Mas felizmente não estamos. Chico, sua vida e sua obra aí estão, aos nossos olhos. Não se trata de ilusão, mas de realidade palpável. E é necessário, mormente nesta hora de transição em que as sombras da mistificação se projetam ameaçadoramente sobre tantos médiuns, oradores, conferencistas, escritores e dirigentes doutrinários, que o exemplo Chico Xavier seja apontado a todos.

 


 

OUTROS EXEMPLOS

 

Mas na vida de Chico Xavier há outros exemplos que também devem ser citados. Já mencionamos o velho Barbosa, testemunha da recepção da primeira mensagem psicográfica pelo médium, e que continua firme na doutrina. Devemos ainda referir o casal Perácio, ao qual coube a missão de ajudar o desenvolvimento mediúnico de Chico Xavier e auxiliá-lo em seus primeiros passos no campo doutrinário. São dois exemplos de firmeza nos caminhos da Doutrina. José Hermínio Perácio já está na vida espiritual, tendo se libertado recentemente da matéria. Mas sua esposa, dona Carmen Pena Perácio, ainda vive em Belo Horizonte, tendo recentemente dado uma entrevista a Martins Peralva, publicada em “O Espírita Mineiro”.

A sessão de 8 de julho de 1927, em que Chico recebeu a primeira mensagem, foi presidida pelo Sr. Perácio, tendo D. Carmen como auxiliar mediúnica, graças à sua mediunidade de vidência, então em desenvolvimento. Relata D. Carmen que foi o Espírito de Emmanuel quem lhe transmitiu a ordem de dizer a Chico que pegasse no lápis. Durante seis anos o casal Perácio morou em Pedro Leopoldo, realizando sessões com Chico, e D. Carmen conta que os fenômenos de transporte de pétalas de rosa e de perfume já se verificavam naquele tempo. Quando, por motivos particulares, o casal teve de mudar-se para Belo Horizonte, ficou na presidência do pequeno Centro Espírita Luiz Gonzaga, o irmão de Chico, de nome José Cândido Xavier, que foi também um espírito exemplar e hoje se encontra na vida espiritual.

O grupo inicial de Pedro Leopoldo, constituído por esses companheiros dedicados, é também um exemplo para todos os grupos espíritas do Brasil. Os frutos maravilhosos que continuam a ser colhidos daquela semeadura, e de que estes folhetos são portadores constantes, provam que a humildade e a fidelidade são as principais condições para o bom trabalho espírita. Somente com elas evitamos os deslizes, a queda na mistificação, os transvios da vaidade. Compreender que a promessa do Consolador, feita pelo Cristo e cumprida através de Kardec não pode ser desprezada, e compreender a nossa pequenez diante da revelação do Espírito da Verdade, eis as medidas preventivas que nos livram de cair no erro.

Meditemos nesses exemplos que estão diante de nós. Comparemos os seus frutos com os enganos lamentáveis que produzem confusões e amarguras ao nosso redor. E supliquemos a Jesus o Seu divino amparo a todos os servos fiéis e infiéis.

 

NOTA: — Dois livros foram publicados em comemoração ao quadragésimo aniversário do mediunato de Chico Xavier: São eles:

“Chico Xavier, quarenta anos no mundo da mediunidade”, de Roque Jacintho, com a colaboração de vários especialistas. (Editora Edicel, Rua Maria Paula, 181, São Paulo).

“Trinta Anos com Chico Xavier”, de Clóvis Tavares, relato de convivência com o médium e de numerosos fatos mediúnicos. (Edição Calvário, Rua Almirante Barroso, 267, São Paulo).  n 

 

.Elias Barbosa

 


[1] PROF. J. HERCULANO PIRES, Catedrático da Faculdade de Filosofia de Araraquara, Estado de S. Paulo, e abnegado orientador de várias atividades espíritas da Capital de São Paulo, onde desencarnou, a 9 de março de 1979.

 

[2] “Renovação”, Ano VIII, nº 86, 87 e 88, outubro, novembro e dezembro de 1967 (São Bernardo do Campo — SP).

 

[3] Em 31 de dezembro de 1969, com a obra “Poetas Redivivos”, a de número 100, esta expressiva cifra chegou a 2.301.000 volumes. (Nota do Autor).

 

[4] Em janeiro de 1968, saiu a lume o terceiro livro em comemoração aos quarenta anos de mediunidade de Chico Xavier: “No Mundo de Chico Xavier”, de Elias Barbosa (Edição Calvário). (Nota da Editora).

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.