Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Palco iluminado — Jair Presente


3


A desculpa

  1 Antônio Homero de Souza,

  Professor e cientista,

  Dizia com seriedade

  Ao amigo João Batista;


  2 — “João, dê amparo às crianças…

  Nossa vida ruralista

  Chega a ser calamidade.

  Observe e fique certo,

  Os nossos males extremos,

  A meu ver, mais da metade,

  Vem daquilo que bebemos.


  3 Conheço muitas famílias,

  Formadas por gente nossa,

  Que se servem de água impura,

  De poço perto de fossa…


  4 Há pessoas que consomem

  Venenos de água parada,

  Meninos soltos nas ruas

  Sorvendo grossa enxurrada!


  5 Noto pessoas distintas,

  Que tomam banho em lagoa,

  Na cultura de micróbios,

  Pensando que é cousa à-toa…


  6 E os alcoólicos? Nem sei

  O que se vê por aí.

  É licor de jenipapo,

  De araticum e pequi…


  7 São muitos os imprudentes,

  Passo vão, cabeça oca,

  Que morrem, antes do tempo,

  Qual o peixe pela boca…


  8 Precisamos de campanhas,

  Fazê-las inda não pude,

  Alguém deve proteger

  A defesa da saúde:


  9 João, que estava impressionado

  Por tudo quanto escutara,

  Dirigiu-se ao professor,

  Perguntando, cara a cara:


  10 — “E o senhor, Doutor Antônio,

  Preservando a própria vida,

  O que usa com frequência

  Em matéria de bebida?”


  11 O professor respondeu,

  Sem qualquer tom de chalaça:

  — “A fim de que eu viva bem,

  Só bebo a nossa cachaça…”


  12 À pressa, porém, pensou

  Na grande malícia humana,

  E falou para Batista:

  — “Mas a cachaça que eu bebo,

  Tem sementes de umburana.”


Jair Presente


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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