Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Parnaso de Além-Túmulo — Autores diversos


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Souza Caldas

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 1762, e aí desencarnado em 1814. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, abraçou mais tarde a carreira eclesiástica, ordenando-se em Roma. Dizem que as suas melhores composições, as que o levaram a ser preso pelo Santo Ofício, perderam-se. Acreditamos que o médium ignorava a circunstância de ser a tradução dos Salmos de David, justamente, de suas obras poéticas, a mais apreciada.


Ato de contrição

1 A vós
Senhor,
Meu Deus
De Amor,
Minhalma
Implora
A salvação!


2 Meu Pai,
Bem sei
Que mal
Andei,
Buscando
O erro
E a imperfeição;


3 Assim
Pequei,
Na treva
Errei,
E jus
Eu fiz
À expiação.


4 Vós sois,
Porém,
Farol
Do Bem!
Ouvi
Dos Céus
Minha oração.


5 Sois vós
A luz,
E junto
À cruz
Do meu
Sofrer,
Quero o perdão;


6 Perdão
Que traz
Sossego
E paz
Ao meu
Viver
Na provação.


7 Suplico-o
A vós,
Na dor
Atroz,
Amara
E rude
Da contrição!


8 Dai ao
Meu ser,
Aflito
Ao ver
O seu
Pecado,
A redenção;


9 E hei-de
Poder
Feliz
Vencer
Do mal
Cruel
O atroz dragão!




Versão do Salmo 12

( † )

1 Senhor dos Mundos! Na Terra inteira,
Os maus somente é que dominam,
Rudes tiranos e os impiedosos
        De coração.


2 Ganham favores, buscam louvores,
Espezinhando seus semelhantes,
Tripudiando nas vossas leis,
        Ímpios que são.


3 Causam a ruína da vossa casa,
Lançam injúrias ao vosso nome,
Adoradores da iniquidade,
        Da imperfeição.


4 Vossas ovelhas são confundidas,
E sufocadas pelo amargor,
Fracas e pobres andam saudosas,
        Do vosso amor.


5 São elas todas, pobres e humildes,
Glorificai-as, meu Criador!
Alevantai-as do abismo escuro
        Com a vossa luz!


6 Vossa bondade, imensa e eterna,
É a esperança dos pecadores;
Pai amoroso, salvai os homens,
        Confio em vós!


Versão do Salmo 18

( † )

1 Por toda a parte
Veja a criatura,
Na noite escura
Da sua dor,
A eterna força
De um Deus clemente,
Onipotente,
Cheio de amor.
2 Astros e mundos
No céu girando,
Aves cantando,
O mar e a flor,
Todos os seres
Hinos entoem,
Cantos ressoem
Ao Criador!
3 Eterno Artífice
Que os sóis modela,
Lustres da auréola
Da Criação,
Sois a bondade
A mais perfeita,
A Luz Eleita,
A salvação.
4 Doce refúgio
Dos desgraçados,
Aos meus pecados,
Muitos que são,
Imploro e clamo,
Com o meu Espírito n
Turbado e aflito,
Vosso perdão.
5 Que desprezei
O ouro brilhante,
Lindo e faiscante,
Bem sei, Senhor!
Como fugi
Da hora fugace
Que me afastasse
Do vosso amor!
6 Mas bem sabeis
Que a carne impura
Leva a criatura
A mais pecar;
Fazendo assim
Pra meu tormento,
Meu pensamento
Prevaricar.
7 Porém, o vosso
Amor profundo
Redime o mundo
Do padecer;
Dando-lhe o tempo
E áspera lida
Para na vida
Tudo vencer.
8 Vós que acendestes
Faróis brilhantes,
Sóis rutilantes
D’almo esplendor,
Cantando a vida,
A onipotência
E a pura essência
Do vosso amor!
9 Que sois o sol
Dos universos,
Mundos dispersos
Na imensidão,
Além da força
Vós sois, também,
O sumo bem
E a perfeição
Que vence o mal,
O orgulho e a dor,
Que o pecador
No coração
Guarda com zelo,
Cruéis imigos,
Que são amigos
Da perdição.
10 Misericórdia,
Assim espero,
Almejo e quero
Para que eu
E os meus irmãos
O mal deixemos
E abandonemos
Buscando o Céu.
11 Por vossa causa
O maior gozo,
Esplendoroso,
Desprezarei,
Para que eu viva
Na luz fulgente,
Eternamente,
Da vossa lei.
12 Assim, Senhor,
Minhalma aguarda
A luz que tarda
Ao mundo vão,
Que há-de esplender
Nos homens todos,
Limpando os lodos
Da imperfeição.
13 Dominareis
Toda a impiedade
Pela verdade
Que em vós transluz!
E, servo, aguardo
Do vosso amor
Consolo à dor,
Amparo e luz!


Souza Caldas


[1] No original: “esp’rito”


Texto extraído da 6ª edição desse livro. — Revista e ampliada pelos autores espirituais.

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