Bíblia do Caminho  † Testamento Xavieriano

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Parnaso de Além-Túmulo — Autores diversos


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Marta (?)


Este Espírito não pôde ou não quis identificar-se. Aqui o incluímos, porém, de justiça, atenta a magnitude do seu estro.

NUNCA TE ISOLES

  1 Nunca te isoles entre os mananciais da vida;

  A vida é o eterno bem que nos foi dado,

  Para que o multiplicássemos indefinidamente…

  E a alma que se abandona,

  Ao sofrimento ou ao bem-estar,

  É um deserto sem oásis,

  Onde outras almas sentem fome e sede.


  2 Multiplicar a vida

  É amar sem restrições

  A flor, a ave, os corações,

  Tudo o que nos rodeia.

  Atenuar a dor alheia,

  Sorrir aos infelizes,

  Bendizer o caminho que nos leva

  Da treva para luz;

  Agradecer a Deus, que é Pai bondoso,

  O firmamento, o luar, as alvoradas.


  3 Ler a sua epopeia feita de astros,

  Ter a bondade ingênua das crianças,

  Tecer o fio eterno da esperança

  Por onde se sobe ao Céu;

  Dar sorrisos, dar luzes, dar carícias,

  Dar tudo quanto temos,

  Tudo isto é amar multiplicando a vida.

  Que se estende infinita no Infinito.


  4 Dar a lição de paciência se sofremos,

  Dar um pouco de gozo se gozamos.

  É guardarmos a semente

  Da Vida

  Em leivas verdejantes,

  E a qual há-de nos dar

  Sombras amigas para descansarmos.

  Indumentos de flores perfumosas

  E frutos aos milhares,

  Para nutrir as nossas alegrias

  Nos jardins estelares…


UNIDADE

  1 Todos nós somos irmãos,

  Porque os nossos espíritos

  São unos na essência…


  2 Todos nós somos fragmentos

  Da mesma luz gloriosa e eterna

  Da sabedoria inescrutável

  Do Criador,

  Cujas mãos magnânimas e misericordiosas

  Espalharam com abundância

  Nas vastidões imensuráveis do éter,

  Infinitas e esplendorosas,


  3 Terras e almas,

  As quais no divino equilíbrio do Amor

  Buscam a perfeição indefinida.

  Todos nós somos irmãos,

  Porque nutrimos indistintamente

  A mesma aspiração do Belo e do Perfeito,

  O mesmo sonho,

  A mesma dor na luta

  A prol da redenção.


  4 Espiritualmente,

  Somos filhos de um só Pai.

  Somos as frondes que se interpenetram

  De uma só árvore genealógica,

  Cuja raiz insondável

  Está no coração augusto de Deus,

  O qual, por uma disposição inexplicável,

  Encerra em si

  Todos os mundos,

  Todas as almas,

  Todos os seres da Criação!


  5 Fazei, pois, da Terra

  O caminho comum da vossa salvação,

  Porquanto, mais além

  Das fronteiras planetárias,

  Vivereis dentro de sagrados coletivismos,

  Sem egoísmos,

  Na suprema unidade

  De aspiração para a felicidade.


NO TEMPLO DA MORTE

1 O templo da morte tem portas incontáveis,

Como incontáveis são as almas humanas,

E infinitos seus estados de consciência.


2 Pela porta escura do remorso,

Um dia penetrou os seus umbrais

Uma alma que regressava da Terra.

Lá dentro,

Em nome do Senhor de todos os latifúndios do Universo,

Pontificava o Anjo da Justiça.


3 «Anjo Bom! — disse-lhe a alma súplice —

Eu tenho a minhalma coberta de feridas cancerosas!

Cura-me as chagas purulentas do remorso…

Tenho os meus olhos vendados

E uma treva incomensurável na consciência!

Apaga os meus atrozes padeceres!…»


4 «Filha — respondeu compassivo —,

Para sanar tão estranhas feridas,

Tão amargos pesares,

Só há um recurso:

Volta à Terra!

Lá existe o Regato das Lágrimas,


5 Banha-te nas suas águas cristalinas;

Elas serão o teu bálsamo consolador

E curarão a tua cegueira…

Estás na escuridão absoluta

Pela ausência da luz, do bem na tua alma!

Mas o Anjo da Dor irá contigo;

Ele há-de te guiar através das sirtes do mar encapelado dos sofrimentos,

E te conduzirá ao lugar bendito onde existem as lágrimas salvadoras!…»

E a pobre regressou…

Conduzida pela Dor,

Banhou-se na água lustral dos tormentos,

Submergiu-se no regato encantado, de cuja fonte límpida promana a Salvação.


6 E depois de haver percorrido

Tão tortuosos caminhos,

Inçados de perigos

E de dores amargas,

Reconheceu o luminoso Anjo da Dor…

E nos seus braços magnânimos e compassivos,

Penetrou no templo misterioso da morte

Pela porta maravilhosa da Redenção.


JESUS

1 Jesus foi na Terra

A mais perfeita encarnação do Amor Divino.

E ainda hoje,

Nos dias amargurados que transcorrem,

É para a Humanidade

A promessa da Paz,

O manto protetor

Que abriga os aflitos e os infelizes,

O pão que sacia os esfomeados das verdades eternas,

A fonte que desaltera todos os sofredores.


2 Apegai-vos a Ele, cheios de confiança!


3 Ele é a misericórdia personificada,

O Jardineiro Bendito

Que jorra no coração

Dos transviados do caminho do Bem,

As sementes do arrependimento

Que hão-de florir na Regeneração

E frutificar na perfeita felicidade espiritual.

Ouvi a sua voz

No silêncio da consciência que vos fala

Do cumprimento austero

De todos os deveres cristãos!

E um dia

Descansareis reunidos,

Ligados pelos liames inquebrantáveis

Da fraternidade além da morte,

À sombra da árvore luminosa

Das boas ações que praticastes,

Longe das lágrimas

Do orbe obscuro,

Dos prantos e das provações remissoras!…


LEMBRA-TE DO CÉU


1 És uma estrela caída

Sobre os pauis da Terra…

Acima de todas as coisas transitórias,

Que se desfazem como as neblinas aos beijos leves do Sol,

És alma em ascensão para Deus.


2 A tua inteligência e o teu sentimento

São fulcros de luz imperecível,

Que constituem os atributos maravilhosos da tua imortalidade.

Porque te abates e desanimas sob os aguilhões da carne perecível?

Contempla o Alto,

Se a fraqueza te envolve em seus tentáculos.

E sentirás uma carícia branda,

Misteriosa, doce, suave,

Que promana

Do empíreo constelado

Para todas as almas que oram,

Que sonham e choram,

Buscando Deus,

— A bússola das suas mais caras esperanças!


3 Quando sofreres,

Busca aspirar esse aroma divino

E tua alma sofredora

Sentir-se-á envolta na beleza,

No eflúvio peregrino

Que mana fartamente

Dos espaços imensos!…

Na amargura e na dor,

Lembra esse dia que te espera

Na indefinível primavera

Gloriosa de amor.


AO PÉ DO ALTAR

1 Eu vivia no Claustro,

Na sombra silenciosa dos mosteiros.


2 Mas um dia,

Quando as penitências mortificavam

O meu corpo alquebrado e dolorido

E a oração

Era o conforto do meu coração,

Disse-me alguém:


3 «Minha filha,

Juraste fidelidade só a Deus,

M as se entrevês os Céus

E as suas maravilhas,

Se tens a Fé mais pura,

A Esperança mais linda,

Não te esqueças que a Caridade,

O anjo que nos abre as portas da Ventura,

Não permanece

No recanto das sombras, do repouso;

Se ama a prece e a pureza,

Não faz longas e inúteis orações:

Ela é a serva de Deus

E as suas preces fervorosas

São feitas com as suas mãos carinhosas,

Que pensam no coração da Humanidade

Todas as chagas abertas

Pelo egoísmo…

Está sempre em meio às tentações

Para vencê-las,

Esmagá-las com o Bem,

Destruí-las com Amor.

A solidão da cela é um crime;

Não te retires, pois, do mundo.

Darás a Deus, sem reserva, a tua alma

Amando o próximo,

Que contigo é seu filho dileto.

Será um hino constante subindo aos Céus;

Sê a mãe desvelada,

A irmã consoladora,

A companheira terna

De todos aqueles que te rodeiam

Na estrada longa dos destinos comuns;

Sê a abnegação e a bondade serena,

E a tua Fé

Será um hino constante subindo aos Céus;

A tua esperança em Deus

Será dilatada,

Para que vislumbres as felicidades celestes

Que esperam os justos na Mansão da Alegria…


4 Meu corpo não resistiu

Aos cilícios que o martirizavam

E minhalma tomada de emoção

Abandonou-o, brandamente,

Atraída pela Verdade,

Desprezando o repouso e a soledade,

Sonhando com a luz do trabalho

Em outras vidas benfazejas;

Porque a verdadeira paz de espírito

É conquistada

No seio das lutas mais acerbas,

Dos mais rudes pesares.

E só a dor que nos crucia

Ou a dor que consolamos,

— Somente a Dor em sua essência pura

Nos desvia da amarga desventura,

Purificando os nossos corações

Na conquista das altas perfeições.


MÃE DAS MÃES

1 Maria

É a Mãe piedosa

De todas as mães resignadas e sofredoras.

É a consolação

Que se derrama puríssima

Sobre os prantos maternos,

Vertidos na corola imensa das dores;


2 É o manto resplandecente

Que agasalha os corações das mães piedosas,

Amarguradas e infelizes,

Que orvalham com lágrimas benditas

As flores do seu amor desvelado,

Espezinhadas pelo sofrimento,

Fustigadas pelo furacão da desgraça, atropeladas pelo mal,

Perseguidas pelo infortúnio

No sombrio orbe das lágrimas e das provações.


3 Todas as preces maternas

Ascendem aos Espaços

Como um doloroso brado de angústia a Maria;

E a rosa sublime de Nazaré

Escuta-as piedosamente,

Estendendo os seus braços tutelares

Às mães carinhosas e desprotegidas;

E bastam os eflúvios do seu amor sacrossanto

Para que as consolações se derramem

Cicatrizando as feridas,

Balsamizando os pesares,

Lenindo os padeceres

Das mães desoladas, que encontram nela

O símbolo maravilhoso de todas as virtudes!…


4 Ao seu olhar compassivo,

Pulverizam-se os rochedos do mal

Do oceano da vida de desterro e de exílio,

Para que o Brigue da Esperança,

Com as suas velas alvas e pandas,

Veleje tranquilamente,

Buscando o porto esperado com ânsia,

Da salvação das almas que sofreram

Nos torvelinhos do mundo,

Como náufragos de uma tormenta gigantesca.

Que não se perderam no abismo das águas tenebrosas

Do mar da iniquidade,

Porque se apegaram

À âncora da Fé.


5 Maria é o anjo, pois,

Que nos ampara e guia em nossa cruz;

Levando-nos ao Céu, cheia de piedade e comiseração

Pelas nossas fraquezas.

Ela é a personificação do amor divino

No vale das sombras e das amarguras,

E sendo o arrimo de todas as criaturas.

É, sobretudo,

A Virgem da Pureza

— Mãe das mães.


.Marta (?)



[As mensagens: Jesus; Lembra-te do céu; Nunca te isoles e Unidade foram publicadas também em 2010 pela editora VL na 3ª Parte do livro “Chico Xavier: O Primeiro Livro” e encontram-se devidamente relacionadas no Anexo A]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

 

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