Bíblia do Caminho  † Testamento Xavieriano

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Parnaso de Além-Túmulo — Autores diversos


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Alberto de Oliveira


Fluminense, nascido em Palmital de Saquarema, em 1859, e falecido em Petrópolis, em 1937. Farmacêutico, dedicou-se principalmente ao Magistério. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, parnasiano de escol, foi tido como Príncipe dos Poetas de sua geração.


JESUS

  1 Quanta vez, neste mundo, em rumo escuro e incerto,

  O homem vive a tatear na treva em que se cria!

  Em torno, tudo é vão, sobre a estrada sombria,

  No pavor de esperar a angústia que vem perto!…


  2 Entre as vascas da morte, o peito exangue e aberto,

  Desgraçado viajor rebelado ao seu guia,

  Desespera, soluça, anseia e balbucia

  A suprema oração da dor do seu deserto.


  3 Nessa grande amargura, a alma pobre, entre escombros,

  Sente o Mestre do Amor que lhe mostra nos ombros

  A grandeza da cruz que ilumina e socorre:


  4 Do mundo é a escuridão, que sepulta a quimera…

  E no escuro bulcão só Jesus persevera,

  Como a luz imortal do amor que nunca morre.


AJUDA E PASSA

  1 Estende a mão fraterna ao que ri e ao que chora:

  O palácio e a choupana, o ninho e a sepultura,

  Tudo o que vibra espera a luz que resplendora,

  Na eterna lei de amor que consagra a criatura.


  2 Planta a bênção da paz, como raios de aurora,

  Nas trevas do ladrão, na dor da alma perjura;

  Irradia o perdão e atende, mundo afora,

  Onde clame a revolta e onde exista a amargura.


  3 Agora hoje e amanhã compreende, ajuda e passa;

  Esclarece a alegria e consola a desgraça,

  Guarda o anseio do bem que é lume peregrino…


  4 Não troques mal por mal, foge à sombra e à vingança,

  Não te aflija a miséria, arrima-te à esperança.

  Seja a benção de amor a luz do teu destino.


DO ÚLTIMO DIA

  1 O homem, no último dia, abatido em seu horto,

  Sente o extremo pavor que a morte lhe revela;

  Seu coração é um mar que se apruma e encapela,

  No pungente estertor do peito quase morto.


  2 Tudo o que era vaidade, agora é desconforto.

  Toda a nau da ilusão se destroça e esfacela

  Sob as ondas fatais da indômita procela,

  Do pobre coração, que é náufrago sem porto.


  3 Somente o que venceu nesse mundo mesquinho,

  Conservando Jesus por verdade e caminho,

  Rompe a treva do abismo enganoso e perverso!


  4 Onde vais, homem vão? Cala em ti todo alarde,

  Foge dessa tormenta antes que seja tarde:

  Só Jesus tem nas mãos o farol do Universo.


.Alberto de Oliveira


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

 

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