Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

Índice Página inicial Próximo Capítulo

O Espírito da Verdade — Autores diversos — F. C. Xavier / Waldo Vieira


21


Discípulos do Cristo

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO — Cap. VI — Item 3


1 Somos discípulos do Cristo.

  Mas, repetindo com Ele a sublime afirmação: — “Pai nosso que estais no Céu” (Mt) —, esperamos que Deus se transforme em nosso escravo particular, atento às nossas ilusões e caprichos.


2 Somos discípulos do Cristo.

  Contudo, redizendo-lhe as inesquecíveis palavras de submissão ao Criador: — “seja feita a vossa vontade” (Mt) —, assemelhamo-nos a vulcões de intemperança mental, vomitando fumo de rebeldia e lava de imprecações, sempre que nos sintamos contrariados na execução de pequeninos desejos.


3 Somos discípulos do Cristo.

  Entretanto, refazendo-lhe a súplica ao Pai de Infinito Amor: — “o pão de cada dia dai-nos hoje” (Mt) —, reclamamos a carcaça do boi e a safra do trigo exclusivamente para a nossa casa, esquecendo-nos de que, ao redor de nossa mesa insaciável, milhares de companheiros desfalecem de fome.


4 Somos discípulos do Cristo.

  Todavia, depois de implorar com o Sábio Orientador à Eterna Justiça: — “perdoai as nossas dívidas” (Mt) —, mentalizamos, de imediato, a melhor maneira de cultivar aversões e malquerenças, aperfeiçoando, assim, os métodos de odiar os mais fortes e oprimir os mais fracos.


5 Somos discípulos do Cristo.

  No entanto, mal acabamos de pedir a Deus, em companhia do Grande Benfeitor: — “não nos deixeis cair em tentação” (Mt) —, procuramos, por nós mesmos, aprisionar o sentimento nas esparrelas do vício.


6 Somos discípulos do Cristo.

  Contudo, rogando ao Todo-Poderoso, junto do Inefável Companheiro: — “livrai-nos de todo o mal” (Mt) —, construímos canhões e fabricamos bombas mortíferas para arrasar a vida dos semelhantes.


7 Somos discípulos do Cristo.

  Mas convertemos o próximo em alimária de nossos interesses escusos, olvidando o dever da fraternidade, para desfrutarmos, no mundo, a parte do leão.


8 É por isso que somos, na atualidade da Terra, os cristãos incrédulos, que ensinamos sem crer e pregamos sem praticar, trazendo o cérebro luminoso e o coração amargo.

9 E é assim que, atormentados por dificuldades e crises de toda espécie — aflitiva colheita de velhos males —, cada qual de nós tem necessidade de prosternar-se perante o Mestre Divino, à maneira do escriba do Evangelho, guardando nalma o próprio sonho de felicidade, enfermiço ou semimorto, a exorar em contraditória rogativa: — “Senhor, eu creio! Ajuda a minha incredulidade!” (Mc)


.Jacinto Fagundes



(Psicografia de Francisco C. Xavier)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir