Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Evangelho por Emmanuel — Volume I

Comentários ao Evangelho segundo Mateus

27


Nem todos os aflitos

1 A aflição é um desafio que poucos suportam, lição que raros aprendem e tesouro que não se recebe facilmente.

2 Depois de regulares períodos de paz e ordem, a alma é visitada pela aflição que, em nome da Sabedoria Divina, lhe afere os valores e conquistas.

3 Raros, porém, são aqueles que a recebem dignamente.

  4 O impulsivo, quase sempre, converte-a em crime ou falta grave.

  5 O impaciente faz dela a escura paisagem do desespero, onde perde as melhores oportunidades de servir.

  6 O triste desvaloriza-lhe as sugestões e dorme sobre as probabilidades de autossuperação, em longas e pesadas horas de choro e desânimo.

  7 O ingrato transforma-a em calhaus com que apedreja o nome e o serviço de companheiros e vizinhos.

  8 O indiferente foge-lhe aos avisos como quem escapa impensadamente da orientadora que lhe renovaria os destinos.

  9 O leviano esquece-lhe os ensinamentos e perde o ensejo de elevar-se, por sua influência, a planos mais altos.

  10 O espírito prudente, contudo, recebe a aflição como o oleiro que encontra no fogo o único recurso para imprimir solidez e beleza ao vaso que o gênio idealiza.


11 Se a tempestade purifica e se o fel, por vezes, é o exclusivo medicamento da cura, a aflição é a porta de acesso ao engrandecimento espiritual.

12 Só aquele que a recebe por instrumento de perfeição consegue extrair-lhe as preciosidades divinas. É por isso que nem todos os aflitos podem ser bem-aventurados, ( † ) de vez que, somente aproveitando a dor para a materialização consistente de nossos ideais e de nossos sonhos, é que podemos atingir a divina alegria da  esperança vitoriosa, na criação sublime de aprimoramento eterno, a que todos somos chamados pela vida comum, nas lutas de cada dia.


.Emmanuel



(Reformador, junho de 1954, p. 143)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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