Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Espírito de Cornélio Pires — Cornélio Pires — F. C. Xavier / Waldo Vieira / Elias Barbosa


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Esconjuro

Espantemos a ignorância com o Espiritismo, neste mundo e no outro.


1 Depois de morto, o Tonho Fazendeiro,

Ricaço do Varjão de Tapiruva,

Deu de morar num galho de criúva

E assombrar as galinhas do terreiro.


2 Roncava ser grandão e manda-chuva,

Xingava e gargalhava o dia inteiro.

Queria terra e sacos de dinheiro,

A debochar das preces da viúva.


3 Certa noite surgiu sobre o sarilho

O Espírito do pai que disse: — “Filho,

Deus te abençoe, meu filho, meu Antônio!”


4 Mas Nhô Tonho correu pulando um muro,

Berrou que nem cabrito: — “Te esconjuro!”

Pensando que o pai dele era o demônio…


5 “Quem foge ao mar não se afoga”,

Repete o povo onde vais,

Contudo, quem não se arrisca

Nunca se afasta do cais.


6 Dinheiro e palha — um só peso

Pelo prumo da balança,

Mas dinheiro com bondade

Renova a luz da esperança.


7 Não há noite tão profunda

De tentação ou pesar,

Que o pensamento na prece

Não consiga iluminar.


Cornélio Pires



[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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