Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Espírito de Cornélio Pires — Cornélio Pires — F. C. Xavier / Waldo Vieira / Elias Barbosa


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Terras de Nho Quinca n

1 Parecia uma fera de encomenda.

Quando Nhô Quinca dava a sapituca,

O povo no roçado ou na poruca

Chorava que nem cana na moenda.


2 Posseava das terras de contenda,

Tomou terra de Adão, terra de Juca,

As terras de Donana de Minduca…

Ele queria o mundo na fazenda.


3 Vem um velho pedir barro de oca,

Nhô Quinca bate nele na engenhoca

E cai num tacho quente de melado.


4 Morreu na raiva… E o pobre do Nhô Quinca,

Só teve na fazenda da Cainca

Sete palmos de terra no cerrado.


5 Renova-te! Alguém já disse,

E disse com precisão,

Que a rotina é uma empregada

Escravizando o patrão.


6 — “Pão que sobra é contrabando,” —

Falou Maria Correia —

“Pedaço que está faltando

No prato da casa alheia.”


7 Caridade indiscutível

Evitar a tentação;

Se a gente guardasse a porta,

Não haveria ladrão.


8 Provérbio que o povo diz

E a vida atira nos ares:

Serás tanto mais feliz

Quanto menos desejares.


Cornélio Pires



[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]


[1] [NOTA: O soneto que encabeça este capítulo foi reproduzido no Anuário Espírita de 1965.]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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