Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Opinião espírita — Emmanuel / André Luiz — F. C. Xavier / Waldo Vieira


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Ao companheiro espírita

O Evangelho segundo o Espiritismo — Cap. XVII — Item 4


1 Afirma Allan Kardec “que se reconhece o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as tendências inferiores”. (Ev)

2 Quem se transfigura por dentro, no entanto, pensa por si e quem raciocina por si desata as amarras dos preconceitos e escala renovações, no rumo do conhecimento superior pelas vias do espírito.

3 É por isso que o raciocínio claro te arrancou ao ninho da sombra.

4 Não mais para nós o claustro nebuloso da fé petrificada em que se nos desenvolvia o entendimento, em multimilenária gestação.

5 Cessou para nós a nutrição mental por endosmose, no bojo dos pensamentos convencionais.

6 Todavia, porque te transferes incessantemente de nível, quase sempre, despertas no mais doloroso tipo de solidão — a solidão dos que trabalham no mundo, a benefício do mundo; mas desajustados no mundo, sem que o mundo os reconheça.

7 Falas — e, frequentemente, as tuas palavras voam sem eco.

8 Ages — e as tuas ações nobres sofrem, não raro, o menosprezo dos mais queridos.

9 Emancipas a própria alma — escravizando-te a deveres maiores.

10 Auxilias — desprezado. n

11 Compreendes — desdenhado.

12 Trabalhas — padecente.

13 Edificas — por entre lágrimas.

14 Consola — e vergastam-te os sentimentos.

15 Cultivas o bem — e arrasam-te o campo.

16 Urge perceber, porém, que quantos consomem as próprias energias, na exaltação do bem, se fazem clarão, e aos que se fazem clarão as sombras não mais oferecem lugar em meio delas.

17 Segue, assim, trilha adiante, erguendo a luz para que as trevas não amortalhem, indefinidamente, os valores do espírito.

18 Se temes a extensão das dificuldades, reflete na semente, a morrer em refúgio anônimo para que a vida se garanta; mas, se o exemplo de um ser pequenino te não satisfaz, medita no ensinamento do maior e mais glorioso Espírito que já pisou caminhos terrestres. 19 Ele também transitou, na estância dos homens, sem pouso certo. 20 Para nascer, socorreu-se da hospitalidade dos animais; 21 enquanto esteve diretamente no mundo, não reteve uma pedra em que resguardar a cabeça; 22 transmitiu a sua mensagem libertadora em recintos de empréstimo e, em vista das sombras não lhe suportarem as eternas fulgurações, já que não poderiam devolvê-lo ao Céu e nem lhe desejavam a presença, junto delas, no chão, deram-se pressa em suspendê-lo na cruz, para que se extinguisse, entre um e outro. 23 Ele, no entanto, não se agastou, de leve, e qual ocorre à semente que regressa da retorta escura a que foi relegada, convertendo abandono em pão redivivo, Jesus também, ao terceiro dia, contado sobre o desprezo extremo, voltou, em plenitude de amor, e ao transformar sacrifício em luz renascente, retomou a construção da concórdia e da fraternidade, na Terra, afirmando aos companheiros fracos e espantados: — “A paz seja convosco.” (Jo)


.Emmanuel



(Psicografia de Francisco C. Xavier)

[1] [No livro impresso, por erro de digitação, está escrito “desdenhado”]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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