Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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O Consolador — Emmanuel — 3ª Parte


I — O Velho Testamento

Profetas

(Sumário)

275 — Os cinco livros maiores da Bíblia encerram símbolos especiais para a educação religiosa do homem?

— Todos os documentos religiosos da Bíblia se identificam entre si, no todo, desde a primeira revelação com Moisés, de modo a despertar no homem as verdadeiras noções do seu dever para com os semelhantes e para com Deus.


276 — A previsão e a predição, nos livros sagrados, dão a entender que os profetas eram diretamente inspirados pelo Cristo?

— Nos textos sagrados das fontes divinas do Cristianismo, as previsões e predições se efetuaram sob a ação direta do Senhor, pois só Ele poderia conhecer bastante os corações, as fraquezas e as necessidades dos seus rebeldes tutelados, para sondar com precisão as estradas do futuro, sob a misericórdia e a sabedoria de Deus.


277 — Os Espíritos elevados, como os profetas antigos, devem ser considerados como anjos ou como Espíritos eleitos?

— Como missionários do Senhor, junto à Esfera de atividade propriamente material, os profetas antigos eram também dos “chamados” à luminosa sementeira.

Para a nossa compreensão, a palavra “anjo”, neste passo, deve designar somente as entidades que já se elevaram ao Plano superior, plenamente redimidas, onde são “escolhidos” na tarefa sagrada d’Aquele cujas palavras não passarão. O Eleito, porém, é aquele que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns, sendo justo afirmar que o orbe terrestre só viu um eleito, que é Jesus-Cristo.

A compreensão do homem, todavia, em se tratando de angelitude, generalizou a definição, estendendo-a a todas as almas virtuosas e boas, nos bastidores da sua literatura, o que se justifica, entendendo-se que a palavra “anjo” significa “mensageiro”.


278 — Devemos considerar como profetas somente aqueles a que se referem as páginas do Velho Testamento?

— Além dos ensinamentos legados por um Elias ou um Jeremias, temos de convir que numerosos missionários do Plano superior precederam a vinda do Cristo, distribuindo no mundo o pão espiritual de suas verdades eternas.

Um Çakyamuni, um Confúcio, um Sócrates, foram igualmente profetas do Senhor, na gloriosa preparação dos seus caminhos. Se desenvolveram ação distante do ambiente e dos costumes israelitas, pautaram a missão no mesmo plano universalista, em que as tribos de Israel foram chamadas a trabalhar, mais particularmente, pelo progresso religioso do mundo.


279 — Os profetas hebraicos representavam o papel de sacerdotes dos crentes da Lei?

— Em todos os tempos houve a mais funda diferença entre o sacerdócio e o profetismo.

Os antigos profetas de Israel nunca se caracterizaram por qualquer expressão de servilismo às convenções sociais e aos interesses econômicos, tão ao gosto do sacerdócio organizado, em todas as eras e em todos os lugares.

Extremamente dedicados ao esforço próprio, não viviam do altar de sua fé, mas do trabalho edificante, fosse na indumentária dos escravos oprimidos, ou no insulamento do deserto que as suas aspirações religiosas sabiam povoar de um santo dinamismo construtivo.


280 — Os profetas do Cristo tem voltado à Esfera material para trazer aos homens novas expressões de luz para o futuro da Humanidade?

— Em tempo algum as coletividades humanas deixaram de receber a sublime cooperação dos enviados do Senhor, na solução dos grandes problemas do porvir.

Nem sempre a palavra da profecia poderá ser trazida pelas mesmas individualidades espirituais dos tempos idos; contudo, os profetas de Jesus, isto é, as poderosas organizações espirituais dos Planos superiores, têm estado convosco, incessantemente, impulsando-vos à evolução em todos os sentidos, multiplicando as vossas possibilidades de êxito nas experiências difíceis e dolorosas. É verdade que os novos enviados não precisarão dizer o que já se encontra escrito, em matéria de revelações religiosas; todavia, agem nos setores da Ciência e da Filosofia, da Literatura e da Arte, levantando-vos o pensamento abatido para as maravilhosas construções espirituais do porvir. Igualmente, é certo que os missionários novos não encontraram o deserto de figueiras bravas, onde os seus predecessores se nutriam apenas de gafanhotos e de mel selvagem, mas ainda são obrigados a viver no deserto das cidades tumultuosas, entre corações indiferentes e incompreensíveis, cercados pela ingratidão e pela zombaria dos contemporâneos, que, muitas vezes, lhes impõem o pelourinho e o sacrifício.

O amor de Jesus, todavia é, a seiva divina que lhes alimenta a fibra de trabalho e realização, e, sob as suas bênçãos generosas, as grandes almas solitárias atravessam o mundo, distribuindo a luz do Senhor pelas estradas sombrias.


281 — A leitura do Velho Testamento e do Evangelho, nos círculos familiares, como é de hábito entre muitos povos europeus, favorece a renovação dos fluidos salutares de paz na intimidade do coração e do ambiente doméstico?

— Essa leitura é sempre útil, e quando não produz a paz imediata, em vista da heterogeneidade de condições espirituais daqueles que a ouvem em conjunto, constitui sempre proveitosa sementeira evangélica, extensiva às entidades do Plano invisível, que a assistem, sendo lícito esperar mais tarde o seu florescimento e frutificação.


.Emmanuel


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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