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No mundo de Chico Xavier — Entrevistas — F. C. Xavier/Elias Barbosa

 

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Diálogo com Chico Xavier

(BALANÇO MEDIÚNICO DE 40 ANOS DE SERVIÇO)

 

Ao ensejo dos quarenta anos de exercício constante da mediunidade do nosso amigo Francisco Cândido Xavier, junto aos amigos desencarnados e junto do povo, ocorreu-nos uma entrevista diferente.

Encontrando-se Xavier, em Uberaba, há quase dez anos, e, por isso mesmo, achando-se conosco praticamente quase a quarta parte de seu tempo de mediunidade ativa e, com suficientes recursos de observação para avaliar-lhe a longa quadra de serviço em Pedro Leopoldo, sua terra natal, pensamos que seria interessante anotar, pessoalmente, em companhia dele, alguns dados estatísticos, no intuito de demonstrar que qualquer de nós pode claramente viver a existência comum concomitantemente com a prática da mediunidade, sem prejuízo da profissão e da experiência em família.

Para isso, a nosso ver, seria importante enfileirar números, tanto quanto possível, e fazer qualquer cousa à guisa de balanço rápido dos seus quatro decênios de trabalho incessante. Quantas reuniões em quarenta anos? quantas horas de ação? quantos contatos pessoais? quantas páginas publicadas de todo o material psicografado até agora? Claro que somente por estimativa semelhante exame poderia ser feito, de vez que em quase dez anos de convivência, ser-nos-ia possível ajuizar em cálculo aproximado o balanço referido e, como a estimativa é base sólida para raciocínios lógicos, rumamos para a residência de Chico Xavier na Vila Silva Campos, e, cordialmente acolhidos, demos início à nossa conversação de que surgiram apontamentos com pretensão à contabilidade, apontamentos que passamos, sem maiores comentários, aos caros companheiros de nossa Causa que, porventura, nos venham a ler os despretensiosos estudos e anotações.

 

1. — Chico, no seu entender, a quantas reuniões espíritas, você compareceu, no curso de quarenta anos consecutivos?

— Exatamente, seria difícil responder…

 

2. — Sabemos que você tem viajado e, principalmente viajou muito em Minas, a serviço das exposições pecuárias orientadas pelo Ministério da Agricultura. Compreendendo isso e sabendo que você desde Janeiro de 1959 comparece em Uberaba, a quatro reuniões semanais, sem considerarmos as reuniões extras realizadas em companhia de amigos, muitas vezes, por exemplo, nas manhãs dos sábados, e considerando ainda que você esteve em Pedro Leopoldo, em reuniões públicas e íntimas, de 1927 a 1958, poderá avaliar por estimativa, em quantas reuniões esteve por semana, desde 1927 até agora?

— Bem, creio que se colocarmos todas as reuniões em conjunto para extrairmos a média, admito que terei tido três reuniões por semana, em todo o meu período de contato com irmãos espíritas e não espíritas.

 

3. — E pode dizer o montante de suas reuniões íntimas com os Benfeitores Espirituais, já que quase todos os livros psicografados por você são recebidos fora das reuniões?

— Impossível dizer…

 

4. — Então diga-nos: quantas horas por dia você terá trabalhado com os assuntos da mediunidade e do Espiritismo, no total das reuniões com os nossos irmãos encarnados e desencarnados?

— Considerando o total de todas as reuniões que tive até hoje, com os nossos irmãos da Terra e com os do Plano Espiritual, e observando que Emmanuel e André Luiz preferem trabalhar comigo, nos livros, principalmente à noite, sem horário para terminar, admito que, incluindo igualmente os estudos espíritas que tenho de fazer, por determinação de nosso abnegado Emmanuel, tenho tido a média de cinco horas diariamente de contato com a mediunidade e com as tarefas gerais de nossa Doutrina, sem prejuízo de minhas obrigações familiares e profissionais.

  Depois destes informes, tomei o lápis e

  40 anos — 2.080 semanas de reuniões,

  2.080 semanas a 3 reuniões cada uma — 6.240 reuniões.

Imaginemos, em cálculo tomado abaixo da realidade dos serviços mediúnicos em Uberaba, que Chico Xavier tivesse estado com apenas 160 pessoas, em cada reunião, examinando o total de umas pelas outras, e devemos admitir que o médium de “Parnaso”, além da tarefa dos livros e das páginas de orientações individuais, dadas pelos Bons Espíritos, às centenas por semana, propriamente considerada, terá tido mais de 1.000.000 de contatos pessoais, nos últimos quarenta anos.

Ampliando os nossos cálculos, e observando a quota integral do tempo de serviço, na média de cinco horas de atenção e ação mediúnicas por dia, devemos atribuir ao médium Xavier (a nosso ver no mínimo), um montante de 73.000 horas de trabalho doutrinário de 8 de julho de 1927 a 8 de julho de 1967. Esse tempo equivale a 8 anos, 12 dias e 10 horas de tempo integral, contados dia e noite sem pausa.

Sem relacionar as orientações pessoais, as tarefas de colaboração em serviços curativos, os serviços de desobsessão e as mensagens mediúnicas de caráter particular (incluindo as mensagens em línguas estrangeiras), de que Chico se responsabiliza semanalmente, temos 92 livros, dos quais 75 de sua exclusiva lavra mediúnica e 17 de parceria com o médium Waldo Vieira, com o total de 17.119 páginas. Nesse total estão incluídos 21.772 versos.  n

Desses livros temos 5 traduzidos em Esperanto, 9 em Castelhano e uma em inglês, afora as numerosas mensagens isoladas traduzidas para o Esperanto, Castelhano, Grego, Inglês, Árabe e Japonês.

Organizamos esses cálculos à pressa e voltamos à entrevista:

 

5. — Chico, em toda a sua existência atual quantos empregos teve?

— Quatro.

 

6. — Quais?

— Em Pedro Leopoldo, onde nasci, fui operário da Fábrica de Tecidos da atual Cia. Industrial Belo Horizonte, em Pedro Leopoldo, onde trabalhei como servente de fiação, em meus tempos de menino; em seguida, fui servente de cozinha no Bar do Dove, que pertencia ao Sr. Claudovino Rocha, hoje comerciante em Belo Horizonte; depois, fui caixeiro no pequeno armazém do Sr. José Felizardo Sobrinho, já desencarnado; e, por último trabalhei como auxiliar de serviço na antiga Inspetoria Regional do Serviço de Fomento da Produção Animal, em Minas Gerais, onde servi por trinta anos e aposentei-me na categoria de Escriturário.

 

7.  — Alguma vez, o exercício da mediunidade impediu o cumprimento do seu dever?

— Não. Aliás, devo dizer que através do exercício da mediunidade, os Amigos Espirituais sempre me auxiliaram para que eu fosse fiel às minhas obrigações.

 

8. — Pelos cálculos que fizemos agora, além dos seus trabalhos naturais na vida comum, você tem 73.000 horas de atenção e ação na mediunidade. Você já sabia disso?

— Não. Nunca fiz essa conta e creio que qualquer pessoa tem milhares e milhares de horas em seus trabalhos na vida.

 

9. — Não ignoramos isso. A nossa estatística é unicamente em suas atividades mediúnicas, porque desejamos, em nossa conversação, provar que o exercício da mediunidade não colide com as obrigações justas. Qualquer pessoa pode ser fiel à sua profissão e fiel ao mandato mediúnico. Que diz você a isso?

— Realmente, a mediunidade nunca me impediu o desempenho de minhas obrigações, mas já que você fala nas horas de serviço mediúnico, é necessário que eu diga que me sinto uma criatura tão imperfeita e tão necessitada de socorro espiritual, neste ano de 1967 quanto em 1927.

 

10. — Mas você está de boa saúde?

— Estou, graças a Deus, muito bem.

 

11. — Como se vê, espiritualmente, após quatro decênios de trabalho mediúnico?

— Bem, quanto mais o nosso caro Emmanuel faz luz no caminho de minha vida, chamando-me ao exato desempenho de meus deveres, mais reconheço as minhas deficiências. Em vista disso, creio que não exagero e nem procuro falsa modéstia, quando digo que sou um animal em serviço… Uma besta, por exemplo, carregando livros e documentos…

 

Concluímos a palestra, ponderando:

 

12. — Bem, admitamos que você seja essa besta em serviço, mas, mesmo assim, você provou, em quarenta anos de atividade mediúnica incessante, que o exercício da mediunidade não prejudica a saúde ou o equilíbrio de ninguém e que se pode viver à própria custa, cooperando com os Bons Espíritos, “dando de graça o que de graça ou por graça foi recebido”, conforme os ensinamentos de Jesus.

Nosso tempo de conversação terminara e, talvez por isso, chegados que fomos a esse ponto, Chico Xavier rematou, antes de despedir-se:

— Bem, se você julga que isso é assim, eu, como besta, dou graças a Deus.

 

.Francisco Cândido Xavier

.Emmanuel

 


[6] No total faltam ainda alguns livros de edições atualmente esgotadas, incluindo as obras no prelo ou ainda em formação.

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

 

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