Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Na era do Espírito — Autores diversos — F. C. Xavier / J. Herculano Pires


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As provações

.Chico Xavier


“A página de nossa irmã e benfeitora espiritual Maria Dolores foi recebida em nossa reunião pública. Achava-se conosco distinto jornalista da Guanabara, interessado em observar como se processava a psicografia. Ele mesmo guardou o original a lápis, deixando a cópia em nossas mãos.

Esclareço ainda que na reunião mencionada o tema trazido a estudo foi a questão 738 de O Livro dos Espíritos(Lde) relativa às provações que assediam a humanidade.”


ELEVAÇÃO

.Maria Dolores


  1 Escuta, alma querida,

  Aceita as aflições e as lágrimas da vida,

  Por agentes de acesso à Esfera Superior…

  Mágoa, queixa, revolta e rebeldia

  Lembram muralhas sob a noite fria

  Furtando o coração à luz do amor.


  2 Se a prova te retalha a alma sincera,

  Perdoa, faze o bem, trabalha e espera

  Aprendendo da estrada em derredor…

  Tudo o que vive e sonha, sofre e ama,

  Dos astros do Infinito aos vermes sob a lama,

  Dando-se à elevação do futuro melhor…


  3 O Sol potente que nos ilumina

  É um gigante em perpétua disciplina,

  Varando lutas que desconhecemos,

  Por mais se lhe arremesse lixo à face,

  Brilha em silêncio como se explicasse

  Que só o amor domina os Céus Supremos…


  4 Corre a fonte da penha ao chão da serra,

  Depois, ganhando o vale, faz da terra

  Verdejante celeiro em garbos de jardim…

  Pelo bem que constrói, de segundo a segundo,

  Muitas vezes recolhe os detritos do mundo,

  Mas beija lodo e pedra e canta mesmo assim!…


  5 O carvão na lareira acende a chama,

  O tronco mutilado não reclama,

  A estrada se aprimora aguentando tratores…

  No trigo triturado o pão puro se asila,

  Cria-se a porcelana em fogo sobre a argila,

  O roseiral podado dá mais flores!…


  6 Assim também, alma querida e boa,

  Não recuses a dor que aperfeiçoa,

  Se nos espanca os sonhos, teus e meus…

  Golpes, tribulações, angústias, tempestade

  São recursos da vida erguendo a Humanidade

  Para a Bênção de Deus.


A DOR E O TEMPO


.Irmão Saulo


As coisas naturais são constantes lições de paciência ao nosso redor. Tudo no mundo nos ensina duas lições fundamentais: a da evolução e a da imortalidade. Porque tudo se desenvolve em direção ao futuro e tudo morre para renascer. A Ciência reconhece que nada se perde, tudo se transforma. A Filosofia, mesmo em suas correntes mais atuais e mais negativas, reconhece a evolução geral e admite que o homem é um pro-jeto, ou seja, uma flecha que atravessa a existência em direção a um alvo superior.

Se nos recusamos a entender as lições que nos rodeiam e as que brotam do fundo de nós mesmos é porque, segundo explica a questão 738 de O Livro dos Espíritos(Lde) “Durante a vida o homem relaciona tudo ao seu corpo”. Mas, diz a mesma questão: “após a morte pensa de outra maneira”. Apegados ao corpo, limitados pelas percepções físicas, avaliamos a dor pela medida do tempo. Entretanto, os Espíritos nos lembram, nessa mesma questão: “Um século do vosso mundo é um relâmpago na eternidade”.

Jesus nos ensinou, por isso, o desapego, advertindo: “Quem se apega à sua vida perdê-la-á”. Maria Dolores se comunica em poesia para nos tocar ao mesmo tempo o sentimento e a razão. É a mesma técnica usada por Jesus nas parábolas e na, poesia do Sermão do Monte. A didática moderna confirma, a eficiência desse método que nos relaciona com as coisas naturais, que se serve do estímulo do ambiente, da lição das coisas concretas para nos levar à compreensão do sentido da vida.

A dor, ensinou Léon Denis, discípulo e sucessor de Kardec, é uma lei de equilíbrio e educação. A Psicologia moderna comprova que aprendemos através de tentativas frustradas, de ensaios sucessivos. É por meio dos erros que chegamos ao acerto. A sabedoria popular nos diz: “O que arde cura, o que aperta segura”. As pessoas inquietas perguntam porque há de ser assim, porque Deus não nos criou perfeitos e bons. Mas Rousseau já ensinava que tudo sai perfeito das mãos do Criador. A perfeição inclui também o livre arbítrio, pois só através dele chegamos à consciência plena. A dor de um minuto nos desperta para a felicidade sem limites, como a ventania de um instante limpa a atmosfera por muitos dias.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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