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Mais vida — Autores diversos — F. C. Xavier / Euríclides Formiga

PRIMEIRA PARTE — FRANCISCO C. XAVIER

 

10

 

Variações da mediunidade

(Médiuns e definições)  n

  1 Médium de muita cultura

  Que vive de lero-lero

  Ou fica em zero de estaca

  Ou retorna à estaca zero.

 

  2 Mediunidade, a rigor,

  Sobre a Terra, onde se estira,

  É um talento que o Senhor

  Empresta, aumenta ou retira.

 

  3 Médium que deixa o serviço,

  Falando em luta na estrada,

  Entra em novo compromisso

  E acha luta mais pesada.

 

  4 Muito médium que começa

  Estourando fantasias

  Acaba sempre em promessa

  Na brasa de poucos dias.

 

  5 De minha longa jornada

  Tenho esta nota do bem:

  Mediunidade guardada

  Não auxilia a ninguém.

 

  6 O médium desenvolvido

  Largando o arado que é seu,

  Deixa o mundo, antes da hora,

  No tempo que recebeu.

 

  7 O médium que anda à-toa

  E de si próprio envaideça

  Pode ser boa pessoa

  Mas tem mosca na cabeça.

 

  8 Médium que sempre duvida

  Vacilando a vida inteira

  Parece gangorra viva

  Na folha da bananeira.

 

  9 Médium que nunca se apronta

  Para servir por amor,

  Um dia, fica por conta

  De Espírito obsessor.

 

  10 O médium sem disciplina

  Que vive sempre em recreio

  Tem pinta de caminhão

  Quando está no desenfreio.

 

  11 Grandes médiuns que conheço

  Ao defini-los, não erro,

  São cofres fartos de ouro

  Com grandes trancas de ferro.

 

  12 No intercâmbio entre os dois mundos,

  Médium que não se degrade

  Parece uma vela acesa

  Nas sombras Humanidade.

 

.Leandro Gomes de Barros

 

 


   [1] O título entre parênteses é o mesmo da mensagem original. Vide nota de rodapé do capítulo 8 do livro Pétalas da primavera.

 

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