Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Mãos marcadas — Autores diversos


Mãos marcadas

   1 Senhor!

  Quando me deres

  O privilégio do renascimento

  No berçário do mundo,

  Ante as necessidades que apresento

  E aquelas que não vejo,

  Eis, Senhor, o desejo

  Em que dia por dia me aprofundo:


   2 Deixa-me renascer em qualquer parte,

  Entretanto, que eu possa acompanhar-te

  Onde constantemente continuas

  Trabalhando e servindo em todas as estradas

  Para que eu também tenha as mãos marcadas

  Como trazes as tuas…


   3 Quanta ilusão quando me debatia

  Crendo que o desespero fosse prece,

  A rogar-te alegria e segurança

  Sem que eu nada fizesse!

  Imitava na Terra o lavrador

  A temer pedra e lama, vento e bruma,

  Aguardando milagres de colheita

  Sem plantar coisa alguma.


   4 Entretanto, Senhor, agora sei

  Que o trabalho é divino compromisso,

  Estímulo do Céu guiando-nos os passos

  E que, atendendo à semelhante lei

  Puseste ambas as mãos em nossos braços

  Por estrelas de amor e de serviço.


   5 Assim, quando efetues

  As esperanças em que me agasalho

  E estiver entre os homens, meus irmãos,

  Que eu me esqueça em trabalho

  E me lembre das mãos…


   6 Não me dês tempo para lastimar-me,

  Que eu busque tão somente a luz que me acenas…

  No anseio de seguir-te

  Quero o trabalho apenas.


   7 Dá que eu seja contigo, onde estiveres,

  Uma réstia de paz… Que eu seja alguém

  Sem destaque e sem nome

  Que se olvide no bem.


   8 E se um dia uma cruz de provas e de agravos

  Reclamar-me a tarefa e o coração,

  Não me largues ao susto a que me enleie,

  Ajuda-me a entregar as próprias mãos aos cravos

  Da incompreensão que me rodeie,

  Entre bênçãos de fé e preces de perdão!


   9 Não consintas que eu volte ao tempo morto

  Da ilusão convertida em desconforto,

  Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem,

  A servir e servir sem perguntar a quem…


   10 Ouve, Celeste Amigo,

  Aspiro a estar contigo,

  Longe de minhas horas desregradas,

  Onde sempre estiveste e sempre continuas

  Plantando o amor em todas as estradas,

  Para que eu também tenha as mãos marcadas

  Como trazes as tuas…


.Maria Dolores


Uberaba, 3 de junho de 1972.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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