Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Luz no lar — Autores diversos


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Ternura maternal

I


  1 As paredes da casa em vão procuro,

  Quero dizer adeus e não consigo…

  Vejo apenas o vulto amargo e amigo

  Da morte que me estende o manto escuro.


  2 Choro a estirar-me, trêmulo, inseguro;

  O leito ensaia a pedra do jazigo…

  Padeço, clamo e indago a sós comigo,

  Qual pássaro que tomba contra um muro.


  3 A névoa espessa enreda o corpo langue.

  É o terrível crepúsculo do sangue

  Que me tinge de sombra os olhos baços;


  4 Mas surge alguém, no caos que me entontece,

  É minha mãe, que alonga as mãos em prece,

  Doce estrela brilhando nos meus braços!…


II


  1 Ave que torna, em chaga, ao brando ninho,

  Ouço divina música na sala,

  É a sua voz celeste que me embala,

  Motes do lar que tornam de mansinho.


  2 Ergo-me agora… O corpo é o pelourinho

  De que me desvencilho por beijá-la…

  “Mãe! Minha Mãe!…” — suspiro, erguendo a fala,

  A soluçar de júbilo e carinho.


  3 — “Dorme, filho querido! Dorme e sonha!…”

  Nossa velha canção terna e risonha

  Regressa com beleza indefinida…


  4 Tomo-lhe os braços em que me acrisolo

  E durmo novamente no seu colo

  Para acordar no berço de outra vida.


Carlos D. Fernandes



Esses sonetos foram publicados em 1962 pela FEB e encontra-se na 26ª lição da 1ª Parte do livro “Antologia dos Imortais


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