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Jovens no Além — Familiares diversos — 2ª Parte

 

Carlos Alberto da Silva Lourenço

Traços Biográficos

Nascimento: Santos, 25 de junho de 1956 — Desencarnação: São Bernardo do Campo, 17 de setembro de 1974. Filho único de Severino Domingos Lourenço e Dirce Pessoa da Silva Lourenço.

17 de setembro de 1974. Fim de Inverno. A Primavera, ainda que timidamente, assomava nas florações primeiras e o sol do meio-dia aquecia São Bernardo do Campo.

Àquela hora, a Faculdade de Engenharia Industrial — a F. E. I. — se via tumultuada por súbita ocorrência que fazia regurgitar de alunos e professores a quadra de esportes. A pequena multidão inerme presenciava um quadro doloroso.

Um jovem aluno do 1.° ano de Engenharia Mecânica jazia, pela ruptura de um aneurisma cerebral, apesar dos primeiros socorros ministrados pelo diligente professor de Educação Física da escola, Nélson Menoni, que buscava, ansioso, pela massagem cardíaca e pela respiração boca-a-boca, devolver a vida ao jovem alto, corpo atlético, que até há poucos minutos se empolgava na disputa de uma partida de basquetebol.

Dali para os cuidados hospitalares pouco se passou, sem que, contudo, seus pais, chamados à pressa de Santos, o vissem reintegrado à vida. Carlos Alberto estava morto…

Seu pai, o Sr. Severino, já há três meses andava angustiado, triste, pois sonhara, então, com a morte do filho, impressão que não se apagava de sua mente.

Natural de Santos, onde residia, Carlos Alberto da Silva Lourenço nascera a 25 de junho de 1956.

Desenvolveu sua escolaridade pré-universitária no tradicional Colégio Santista, onde, desde o primário até à conclusão do curso colegial, se destacou como um dos mais brilhantes alunos.

Com 17 anos foi aprovado nos vestibulares da Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo, optando pela especialização em Engenharia Mecânica. Estudioso, afável, amigo de todos, dominava fluentemente o Inglês, cujo curso, na Cultura Inglesa, de Santos, estava por concluir.

A par de suas atividades vinculadas ao estudo, era anonimamente um dos colaboradores da Instituição Braille de Santos, onde lecionava Braille. Dizemos anonimamente porque seus pais sequer sabiam de sua ligação com os cegos, a quem devotava especial carinho, não somente com relação ao ensino do Braille — o que, convenhamos, é insólito para um jovem que jamais teve qualquer problema ligado à visão — como também no trato dos problemas da Instituição de cujas campanhas beneficentes sempre participava, junto com dois grandes amigos, o José Maria Piva e o Iwaldo Ferreira Martins.

Pouco depois de completar 18 anos, desencarnou de modo aparentemente inexplicável, deixando no coração de seus pais e amigos a saudade da separação compulsória, felizmente temporária, pois quatro meses mais tarde, Carlos Alberto retornaria pelo lápis de Francisco Cândido Xavier, sacudindo os pais ainda enevoados no aturdimento natural da saudade, com revelações irrefutáveis a respeito da sobrevivência do Espírito. E, como se deu esse reencontro?

 


 

COMO OS PAIS DE CARLOS ALBERTO CHEGARAM ATÉ CHICO XAVIER

 

Os pais de Carlos Alberto, Severino Domingos Lourenço e Dirce Pessoa da Silva Lourenço, pelo inusitado da situação, vendo seu único filho partir, descontrolaram-se de tal modo, a viver D. Dirce sob constante ação medicamentosa.

A solidão, a tristeza, substituíram as alegrias constantes daquele lar até há poucos dias feliz e sem problemas. Não obstante seus esforços ingentes, o Sr. Severino, superando-se a si mesmo, não conseguia devolver à esposa o desejo de viver, de retomar o curso de suas atividades.

De formação católica, desconhecendo os ensinamentos do Espiritismo em torno da sobrevivência da alma, não poderiam supor jamais que a despeito de morto, Carlos Alberto nunca estivera tão perto.

O cunhado do Sr. Severino, Dr. Danilo Caldas Vaz, que também não era espírita, quatro dias após a desencarnação do sobrinho, visitou-lhe os pais, dizendo que iria levá-los a Uberaba, para conhecerem Chico Xavier, por sugestão de seu amigo José da Fonseca, espírita residente em Santos, que muito se sensibilizara diante dos sofrimentos que abalavam os pais de Carlos Alberto.

Esta deliberação do Dr. Danilo veio de encontro às ponderações da Sra. Alzira Bonfim da Silva Vitorino, irmã de D. Dirce, de que deviam realmente procurar o Chico, animada que fora pela Sra. Guiomar de Oliveira Albanese, dedicada dirigente espírita na capital paulista.

Entorpecidos pelas altas doses de medicamentos tranquilizantes, sem mesmo atinar com o significado da viagem, foram a Uberaba conhecer Francisco Cândido Xavier.

No primeiro contato, sem maiores explicações, Chico informou aos pais que Carlos Alberto se encontrava hospitalizado na Espiritualidade e pediu-lhes que aguardassem alguns meses ainda para possíveis notícias do filho. Voltaram a Uberaba mais três vezes e na quarta viagem, em fevereiro de 1975, quatro meses após a desencarnação do filho, eis que alguns fatos preliminares prenunciavam grandes consolações para os pais desalentados.

A reunião pública da sexta-feira — 7 de fevereiro — estava se encerrando às seis horas da manhã do sábado (!!!), com o Chico atendendo ininterruptamente desde às 19 horas da véspera a aluvião de pessoas que o procuravam. Às despedidas, Chico de oitiva perguntou ao pai de Carlos Alberto quem era o avô Lourenço que estava ao lado do jovem, ali presente em Espírito. Inquiriu ainda de D. Dirce se ela poderia identificar um sacerdote de baixa estatura, calvo e gordo que também acompanhava o jovem desencarnado. Surpresos, informaram tratar-se de seu bisavô paterno, que falecera no ano de 1932, em Santos, e do Padre Galdino Viliotto, Professor de Química no Colégio Santista, bastante amigo de Carlos Alberto e desencarnado em 1973.

A propósito do avô Lourenço, nem o Sr. Severino o conhecera em vida, pois nascera um ano após a morte do avô. Não é fácil cogitar, desse modo, que os pais de Carlos Alberto estivessem no momento sequer pensando no avô Lourenço, há muito mergulhado no campo das raras recordações familiares.

Ressalte-se também que a descrição feita pelo Chico do Padre Galdino coincidia totalmente com sua aparência física quando na Terra, de tal forma que qualquer de seus ex-alunos do Colégio Santista o identificaria através dessa foto falada.

Combinando o reencontro com o Chico na sessão pública de logo mais às 19 horas, os pais de Carlos Alberto despediram-se já alimentando o desejo, em secreta intuição, de rever pelo lápis o filho querido.

E isso realmente ocorreu. Com a riqueza de revelações do absoluto desconhecimento de parte de Chico Xavier, Carlos Alberto da Silva Lourenço, pela psicografia do querido médium, trazia naquela noite — 8 de fevereiro de 1975 — sua primeira mensagem.

Os pais, que já vinham apresentando paulatino processo de recuperação, face às consolações que buscavam, em suas rápidas viagens até o Chico, após o recebimento da mensagem do filho, voltaram a sorrir. Nós, presentes à reunião, pudemos testemunhar naqueles dois gigantes a superação da grande batalha travada com a morte e com a separação.

Dois meses após o recebimento da primeira mensagem, em reencontro junto de Chico Xavier, vemo-los transformados, procurando no consolo de alheios sofrimentos homenagear a lembrança do filho querido que partiu antes para o Plano Espiritual, mas que despojado do corpo físico, vela e socorre seus pais, na continuidade daquela família enriquecida pelas ligações profundas e indestrutíveis do espírito.

 

.Caio Ramacciotti

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

 

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