Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Irmã Vera Cruz — Mensagens familiares de Vera Cruz


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Em torno da casa da caridade

1 Querida Milza, Deus nos abençoe.

2 Estamos muito felizes com a Casa de Caridade, mas estudem o caso do registro oficial com tempo. n Não convém fazer da instituição uma aventura, e sim um lar de nossos irmãos necessitados.

3 Estamos ao lado do Maurinho; faremos tudo para auxiliar nas melhoras. n

4 Querida irmã, abrace mãezinha e a todos os nossos. O trabalho junto ao filhinho não me permitiu escrever uma longa carta.

5 Querida Milza, muito grata a você por seu amor. Com você, o carinho, o imenso carinho e a imensa gratidão de sua irmã reconhecida,


Vera Cruz


IRMÃOS DA HUMANIDADE MAIOR


Da quarta mensagem de Vera Cruz, na realidade um bilhete, que nos veio através do lápis de Chico Xavier, no dia 19 de março de 1977, eis o que conseguimos recolher:


1 — “Estamos muito felizes com a Casa de Caridade, mas estudem o caso do registro oficial com tempo.” — Quando Francisco percebeu que o número de seus seguidores aumentava, resolveu submeter seu modo de viver à Igreja de Roma, a fim de tornar oficial a Ordem (aliás, ordem é um modo de dizer porque a própria Ordem Terceira, no início, foi nomeada por “Sodalício Leigo de Penitentes”), que se acabava de fundar.

Por quê? Exatamente pelo seguinte:

“Sob a sua proteção, não haverá de ocorrer mal na Ordem,” — diz Francisco n — “nem passará impune pela vinha do Senhor o filho de Belial. Ela mesma, que é santa, emulará a glória de nossa pobreza, e não permitirá que os elogios da humildade sejam ofuscados pelas nuvens da soberba. Conservará entre nós ilesos os vínculos da caridade e da paz, censurando os dissidentes com rigor. A santa observância da pureza evangélica florescerá continuamente diante dela e não permitirá que perca o perfume da vida por uma hora sequer.” Essa foi toda a intenção do santo de Deus quando se decidiu por essa recomendação. Aí está um documento santíssimo da previdência do homem de Deus para garantir sua obra nos tempos futuros.”

Sugerindo à D. Milza cuidar da oficialização do ex-Pão dos Pobres São Francisco e hoje Casa de Caridade “Irmã Vera Cruz”, a Autora Espiritual, mais uma vez, dá mostras de sua absoluta identificação com aquele que, no dizer de Dante Alighieri, n nascera no Berço do Sol.

Na mesma noite em que houve a transmissão da mensagem, D. Milza colocara uma folha de papel com o seguinte apontamento, na rima de papéis de pedidos de orientação espiritual: “Se houver oportunidade e Jesus permitir, peço à minha irmã Vera Cruz mensagem esclarecedora para nossa pequena obra Casa de Caridade “Irmã Vera Cruz”. / Que Jesus nos ilumine. / (a) Milza. / 18-3-1977.”

A resposta do Dr. Bezerra de Menezes, logo abaixo, veio vazada nestes termos, através do médium Xavier:

“Filha, Jesus nos abençoe.

Vera Cruz continuará auxiliando os seus esforços na obra de amor e paz, caridade e bênção a que se dedicou e auxiliará o seu trabalho para o registro necessário.

Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre. (a) Bezerra.”

A Casa de Caridade “Irmã Vera Cruz”, com C.G.C. 49.426.760/0001-54, funcionando desde o início à Rua Ana L. A. Camargo, 65 — Caixa Postal, 55 Fone 71-1702 — CEP 13.270 — Valinhos — SP —, mereceu do jornal Folha de Valinhos, n expressiva reportagem, com foto da construção da obra assistencial em tela — “A Casa de Caridade combate a desnutrição infantil” —, da qual extraímos o seguinte tópico:

“A Casa de Caridade Irmã Vera Cruz está construindo a sua sede própria. A obra está localizada à Rua José Von Zuben, no Bairro Santo Antônio, contando com 300 m2 de construção, com várias dependências, dentre elas um gabinete dentário, uma sala para refeições, cozinha, sala para trabalhos manuais e escritório.

A diretoria, composta pela Sra. Milza Leitão de Camargo (presidente); pela pediatra Dra. Márcia Camargo Franzesi (vice-presidente); Renan Finhoudt (tesoureiro), e Elizete Conte (secretária), está lutando com todas as forças para que o prédio possa ser inaugurado neste ano, em comemoração ao Ano Internacional da Criança.

A Casa de Caridade, quando estiver pronta, terá como finalidade dar alimentos às crianças necessitadas. “Nós pretendemos tentar combater a desnutrição, ajudar as crianças que necessitam de cuidados médicos e dentários, e também tentar tirá-las da rua, ensinando-lhes a fazer trabalhos, tanto os meninos, quanto as meninas”, é o que nos afirma a Sra. Milza.”


2 — “Estamos ao lado do Maurinho; faremos tudo para auxiliar nas melhoras.” — Não obstante o caso de Maurinho, na época, não se relacionasse com qualquer quadro patológico grave, façamos uma verificação sobre as doenças em geral, em relação a Francisco n:

“Mas o bom Deus lembrou-se em sua misericórdia de mim e de muitos outros, e se opôs frontalmente a ele quando já tinha chegado à Espanha, impedindo-lhe de continuar o caminho por uma doença que o fez voltar atrás.”

“Tendo chegado [em Celle, perto de Cortona], e estando lá havia algum tempo, seu ventre se intumesceu, incharam-se as pernas e os pés, e o estômago piorou cada vez mais, mal podendo reter algum alimento. Pediu, então, a Frei Elias, que o fizesse levar para Assis. O bom filho atendeu o que lhe pedia o bondoso pai, preparou tudo e levou-o para onde desejava. Alegrou-se a cidade com a chegada do bem-aventurado pai, e todos louvavam a Deus. Toda a multidão do povo sabia que o santo de Deus ia morrer logo, e foi por isso que se alegrou tanto.”

“Tinha muita compaixão para com os doentes e muita solicitude pelas suas necessidades. Quando seculares piedosos lhe mandavam remédios, embora precisasse mais que os outros, dava a outros doentes. Assumia os sofrimentos de todos os que padeciam, dizendo-lhes palavras de compaixão quando não podia ajudar de outra maneira. Chegava até a comer nos dias de jejum, para que os doentes não ficassem com vergonha de comer. E não se envergonhava de pedir publicamente, pela cidade, carne para um irmão doente.”


“Direis a todos os instantes da vossa vida: Meu pai, que a vossa vontade seja feita e não a minha; se vos apraz me experimentar pela dor e pelas tribulações, sede bendito, porque é para o meu bem, eu o sei, que vossa mão pesa sobre mim. Se vos convém, Senhor, ter piedade de vossa criatura fraca, se dais ao seu coração as alegrias permitidas, sede bendito ainda; mas fazei que o amor divino não dormite em sua alma e que, sem cessar, eleve aos vossos pés a voz do seu reconhecimento!…” — Cap. VIII, 19.


“Mães, abraçai, pois, o filho que vos causa desgosto, e dizei-vos: Um de nós dois foi culpado. Merecei as alegrias divinas que Deus atribui à maternidade, ensinando a essa criança que ela está sobre a Terra para se aperfeiçoar, amar e bendizer.” — Cap. XIV, 9.


Elias Barbosa



[43] Tomás de Celano, Op. cit., p. 105.


[44] Dante Alighieri, A Divina Comédia, Par., c. XI, v. 54.


[45] Folha de Valinhos, 13 de Outubro de 1979, p. 9.


[46] Tomás de Celano, Op. cit., pp. 40; 68; 186-187.


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