“Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, esse se salvará.” — Jesus (Marcos, 8:35)
1 Para que possamos entender a grandeza oculta do ensinamento do Cristo é imprescindível considerações especiais no círculo de nossa própria individualidade.
2 Já pensaste relativamente à propriedade legítima da vida? Pertencer-te-ão, de fato, os patrimônios materiais, as paisagens exteriores, o teu próprio corpo? Sabes que não.
3 O homem esclarecido está certo da transitoriedade do quadro em que se movimenta nos caminhos do mundo, reconhecendo a si mesmo como usufrutuário na Casa de Deus. Nem mesmo o invólucro carnal lhe pertence em sentido absoluto.
4 Jesus, portanto, não aludia à vida universal, criação do Pai Eterno, mas à vida estreita de expressões caprichosas que o homem egoísta inventou para si próprio, na Terra. Tanto assim, que o Mestre se refere à sua vida e não à nossa vida.
5 Enquanto a criatura deseje salvar caprichos criminosos, perderá a oportunidade de elevar-se aos domínios da sublimação espiritual.
6 Quase sempre edificamos criações menos dignas no processo evolutivo e erigimos barreiras entre nós e a inspiração superior.
7 A mensagem divina, flui incessantemente para os nossos corações, mas numerosos companheiros estão procurando defender certas construções indesejáveis nos caminhos da viciação, do dinheiro, da sexualidade.
8 Todavia, enquanto perdure semelhante atitude mental, é impossível que o homem se identifique com a plenitude da Vida Eterna.
9 Estará comprando objetos materiais e vendendo-os nos mercados inferiores, amarrando o coração para desamarrá-lo depois, em grandes padecimentos na esfera das afeições desviadas.
10 Aguilhoado às ilusões venenosas onde se compraz em viver temporariamente, é um seixo arestoso nas estradas terrestres, mas quando delibera afeiçoar-se à consciência universalista de Jesus, o homem é a estrela que conquistou as vastidões do Céu.
Emmanuel