Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Enxugando lágrimas — Familiares diversos


7


Felicidade do reencontro

1 Querida Lélia, minha querida filha. Deus abençoe o seu coração e o seu caminho, concedendo-nos a todos, paz e fortaleza espiritual.

2 Estamos nos passos uns dos outros, minha filha, como não pode deixar de ser.

3 A morte é apenas mudança, não ausência. E, um dia, com o Amparo de Deus, ver-nos-emos reunidos todos, novamente, desfrutando a felicidade do reencontro.

4 Nosso Alvicto está mais forte e com o auxílio do nosso lado, já consegue amparar você e inspirar os filhos queridos na solução dos problemas do dia a dia. Sem dúvida, que o refazimento lhe tem sido gradual e vagaroso, porque a vinda dele exigia aquele quadro de improviso que, realmente, foi — como acontece em toda provação a que sejamos levados, — a bênção de Deus.

5 Tudo, minha filha, tem a sua razão direta ou indireta, manifesta ou temporariamente invisível.

6 Nosso Nogueira trazia, no plano da nova existência, aquela despedida assim, repentina, a ecoar-lhe dolorosamente na sensibilidade de esposa e mãe. Entretanto, o que ocorre com ele, nos domínios da reconstituição gradativa, acontece igualmente a você, no campo de sua restauração, pouco a pouco. 7 Sob o auxílio da Providência Divina e com apoio no tempo, as suas forças vão sendo recuperadas. Tão somente agora, nos meses últimos, é que a vemos efetivamente melhorada, do ponto de vista da resistência moral.

8 Você realmente saiu do hospital, de modo rápido, depois do acidente, mas apenas com o amparo da oração e da meditação, do esforço persistente e da paciência laboriosamente exercitada, é que você está saindo do sofrimento moral mais intenso. 9 O mesmo sucede com o nosso Nogueira, que, na estrutura daquele ânimo inquebrantável que lhe conhecemos, muito lutou a princípio para se acomodar com a realidade, de vez que não esperava se ver assim tão violentamente arrancado ao seu convívio e ao convívio dos filhos queridos.

10 Mas, com a Bondade do Senhor, — luz incessante sobre nós todos, — tudo o que era sombra já se desfez. Agora, é seguirmos adiante, fazendo quanto possível, para que a harmonia se faça entre os nossos. Nesse sentido, tanto nosso Alvicto, quanto nós mesmos, contamos com o seu materno esforço, a fim de que a paz dos filhos queridos seja sustentada, acima das lutas que aparecerem.

11 Tenhamos calma e tolerância para realizar as renovações necessárias com a precisa firmeza.

12 Às vezes, na existência terrestre, chegam até nós criaturas do nosso próprio passado, à feição de credores, junto de quem devemos exercitar a compreensão e o devotamento, a harmonia e a bênção todos os dias.

13 Assim, pois, entrelacemos os nossos corações no entendimento, para que o entendimento nos ilumine.

14 As pessoas se modificam para melhor, quando nos observam realizando esforço idêntico. Desse modo, você, na condição de mãe, abençoe e ajude sempre, construindo a paz entre todos.

15 Você não está, nem estará sozinha. Confiemos. Diga, filha, à nossa Nayá, que as dificuldades têm sido grandes para refazer a tranquilidade em tudo e em todos, no entanto, os filhos são sempre os nossos tesouros do coração e com eles e por eles, prosseguiremos estimulados a trabalhar com paciência e alegria.

16 Cada filho ou filha é uma luz em nosso caminho e, graças a Deus, encontramos, Nayá e eu, em todos vocês, tanto quanto em nosso Leônidas, riquezas e bênçãos que nem de longe sabemos como agradecer a Jesus.

17 Peço a você, quando for possível, levar nossa Nayá para uns dias nas águas de Caldas Novas. Ela precisa de um repouso que se faça igualmente medicação. Sua mãe, Lélia, está muito cansada fisicamente, e precisamos auxiliá-la a tratar-se, porque, você sabe, ela sempre se dá a nós todos, sem pensar nela própria.

18 Querida filha, daria tudo para continuarmos conversando através do lápis, no entanto é preciso encerrar esta carta. Estamos felizes ao vê-la edificando suas tarefas evangélicas mais amplas.

19 Creia, minha querida Lélia, que nunca perdemos a fé viva e, sim, vamos transformando-a para mais vastos caminhos da alma. 20 A crença é uma estrada que se vai alargando e embelezando, cada vez mais, à medida que damos lugar à compreensão mais alta nos domínios da própria alma. Por isso mesmo, a tarefa cristã em suas queridas mãos, é agora o que foi antes, com a caridade por sol a lhe clarear cada vez mais os pensamentos.

21 Na essência, é Jesus que buscamos sempre e isso, minha filha, é o que importa.

22 Abrace Nayá por mim e com muito carinho a cada um dos nossos entes amados; rogo a você receber o abraço muito afetuoso do papai amigo que tanto lhe deve a dedicação e que nunca a esquece,


Antenor


PAZ E FORTALEZA ESPIRITUAL


Dentro da tônica da mensagem anterior, de 1969, “Felicidade do Reencontro”, recebida pelo médium Xavier, em 1970, o autor fornece-nos precioso material para análise e meditação.

Antenor volta a insistir junto à filha, Sra. Lélia de Amorim Nogueira, que “a morte é apenas mudança, não ausência”.

Sobre o genro desencarnado, Alvicto Osoris Nogueira, confirma que sua transferência para o Além exigia “aquele quadro de improviso” — um desastre automobilístico —, constituindo-se, como acontece em toda provação a que sejamos levados, em bênção de Deus, conquanto a dor que soframos.

“Nosso Nogueira trazia, no plano da nova existência, aquela despedida assim, repentina, a ecoar-lhe dolorosamente na sensibilidade de esposa e mãe.”

No caso, D. Lélia, com maior teor de compromissos cármicos, depois de Alvicto, enfrentou dificuldades e empeços de toda ordem, desde o instante em que conseguiu emergir do desastre, com diversas fraturas, não ficando paralítica, segundo depoimento dela própria, graças à assistência espiritual que lhe não faltou em hora nenhuma, depois que iniciou, com espírito de paciência e aceitação, o seu processo de resgate.

Curioso notar que o sofrimento moral é o mesmo, tanto de quem fica, quanto de quem parte.

Daí a necessidade do maior esforço no sentido da conformação, por parte de quem permanece no Plano Físico, no sentido de garantir a paz dos entes amados, ao mesmo tempo em que o desencarnado, já agora, na verdadeira vida, em paz consigo mesmo pelo ajuste de velha conta ante a Lei de Causa e Efeito, poderá ingressar em outro caminho com vistas a auxiliar, mais tarde, aos que permanecem, temporariamente, na retaguarda.

Todos os elementos da equipe familiar compartilham da experiência.

Por isso mesmo, Antenor de Amorim, em poucas palavras, alerta-nos para este ponto importante:

“Às vezes, na existência terrestre, chegam até nós criaturas do nosso próprio passado, à feição de credores, junto de quem devemos exercitar a compreensão e o devotamento, a harmonia e a bênção todos os dias”.

E como nos conduzir, em semelhante conjuntura?

O próprio Espírito nos responde:

“As pessoas se modificam para melhor, quando nos observam realizando esforço idêntico. Desse modo, você, na condição de mãe, abençoe e ajude sempre, construindo a paz em auxílio de todos.”

A propósito, vale a pena citar ligeiro passo de um livro organizado por Walter G. Joffe: n [v. Nota no cap. 20: segunda parte]

“Uma das coisas mais extraordinárias e talvez animadoras que a psicanálise descobriu foi que as pessoas nunca desistem de tentar acertar as coisas para si e para aqueles que amam. Mesmo quando possam parecer estar fazendo justamente o contrário, amiúde descobrimos que o que parece ser a conduta mais desesperada e inútil pode ser compreendida como uma tentativa de recuperar algo de bom do passado ou de corrigir algo de insatisfatório. Repetidas vezes elas retornam às suas falhas, numa tentativa de remediá-las, ainda que não possam evitar repetir novamente a mesma falha.”

Importante e confortadora a recomendação de Antenor para que a filha conduza D. Nayá, quando for possível, para uns dias “nas águas de Caldas Novas. Ela precisa de um repouso que se faça igualmente medicação.”

Por que importante e confortadora a recomendação?

Tão somente porque Antenor confirma a orientação dos Espíritos Superiores, no sentido de que aproveitemos o máximo cada um de nossos períodos reencarnatórios, fazendo o melhor ao nosso alcance, trabalhando até o limite das forças (questão 683 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec), ( † ) e compreendendo que “o repouso serve para reparar as forças do corpo e ele é também necessário a fim de deixar um pouco mais de liberdade à inteligência, para se elevar acima da matéria”.

Depois de várias considerações, sumamente valiosas, Antenor de Amorim ainda nos oferece mais esta:

“Na essência, é Jesus que buscamos sempre e isso, minha filha, é o que importa.”


Elias Barbosa



Trecho de Enid Balint, O que é a Psicanálise?, Tradução de Rebeca Schwartz, Imago Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1972, p. 98.


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