Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Estrelas no chão — Autores diversos


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Cantoria da inteligência

  1 Não sei como articular

  Em minha frase insegura

  A cantiga encomendada

  Por benfeitores da Altura

  Quem canta de coração,

  Pouco entende de cultura.


  2 Não recuso confiança

  Embora sem merecê-la,

  Mas dizer de inteligência

  Vivendo sem conhecê-la,

  É o mesmo que um jacaré

  Querendo falar da estrela.


  3 Obreiro que fui na Terra,

  Fiz da pena a minha pá,

  Evolução como vejo

  É no alto que ela está;

  Matuto conhece a planta

  Só pelo fruto que dá.


  4 Ciência de qualquer tempo

  Não defino como seja,

  Sempre vivi de esperança

  Na alegria sertaneja,

  Mas servidor que obedece

  Não faz só o que deseja.


  5 Nas lutas da inteligência,

  Tantas vidas se consomem!…

  Penso nisso com frequência ,

  Temendo que elas me tomem;

  O lobo não mata lobo,

  Mas o homem mata o homem.


  6 A ciência vem de Deus.

  Isso é verdade sagrada.

  No entanto, em muitas cabeças,

  Depois de ver-se instalada,

  Com pequenas exceções,

  Parece degenerada.


  7 Dizem no mundo de agora

  Que o tempo é do cientista,

  Entretanto, no melhor

  Da máquina modernista,

  Nunca se viu tanto medo

  Com tantas guerras à vista.


  8 O progresso está crescendo,

  Segundo conceito certo,

  Engenhos novos estão

  Vencendo o próprio deserto,

  É conforto e mais conforto,

  Mas o terror anda perto.


  9 Inseridos em foguetes,

  Os homens foram à Lua,

  Contudo, muitos nem sabem

  Manter a união na rua

  E o ódio isolando estradas

  E a brasa que continua…


  10 O homem constrói palácios

  Onde existia a favela,

  Ergue torres e mansões

  Tomando a vida mais bela;

  Depois faz bombas pesadas,

  Aniquilando com ela.


  11 Inventaram-se remédios,

  Podando dores fatais,

  Mas deles surgiram drogas

  Com fugas sensacionais

  E o cordão dos traficantes

  Cada vez aumenta mais.


  12 Plantar e colher são sempre

  O câmbio da vida, em suma…

  Hoje se queima petróleo

  Nas nações, uma por uma,

  E tanta riqueza gasta

  Não devolve cousa alguma.


  13 Quanto mais apoio amplo

  Amparando a Terra inteira,

  Muito mais foge a mulher

  Da missão de companheira

  E, em qualquer povo do mundo,

  O aborto é de cachoeira.


  14 Quem começa a renascer

  Agora, por vezes, pára…

  A gravidez protegida

  Hoje em dia é cousa rara;

  E muito espírito expulso

  A fogo e ferro na cara.


  15 Avanço da inteligência?

  Isso na vida é de lei.

  Devia honrar a cultura,

  Mal começo, terminei.

  Se a Terra está progredindo,

  Sinceramente, não sei.


Leandro Gomes de Barros


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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