Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Estrelas no chão — Autores diversos


9


Cantoria da fé

   1 Não sei se o meu verso pobre

  Neste caso dará pé,

  Inspiração com verdade

  Mostra o que é e não é;

  Devo escrever nesta noite

  A cantoria da fé.


   2 Aceitar ordens do Alto

  Em meu bestunto é dever.

  Fé mesmo, fé sem sofisma,

  Na Terra, não pude ter,

  Mas se quem pede é quem manda,

  Só me cabe obedecer.


   3 Se eu na Terra fosse um homem

  Aprofundado na crença,

  Liquidaria este caso

  Como quem não fala e não pensa,

  Mas para falar em fé,

  Preciso rogar licença.


   4 Viver sob confiança

  Parece cousa de lei,

  Explicar a razão disso

  É dom que nunca esperei;

  Difícil mostrar estrada

  Pela qual não transitei.


   5 Sobre a minha incompetência,

  Não lastimo, nem me iludo,

  Fui apenas cantador

  Sem colégio e sem canudo,

  No entanto, creio que a fé

  Sustenta a base de tudo.


   6 No mundo, a gente confia

  Em número, verbo e nome,

  Confia no comprimido

  Que se adquire e se toma,

  No carro que se dirige

  Ou no curau que se come.


   7 As forças vivas da fé

  Garantem o próprio ser,

  Mas, hoje em dia, na Terra,

  Com tanto brilho e saber,

  A dúvida sem razão

  Põe muita gente a descrer.


   8 O homem mora na Terra

  Que por si mesma se vira,

  Não cria minas no espaço

  Para o ar que ele respira

  E muitos andam dizendo

  Que Deus é pura mentira.


   9 Alguns escrevem ou falam

  Contra a crença, contra a prece;

  O ateu, por si, se rotula

  No título que merece:

  Um filho que tem vergonha

  Do pai que não lhe aparece.


   10 Antigamente, a criança

  Dispunha, no próprio lar,

  De quem lhe desse atenção

  Ensinando-a a rezar…

  Hoje, é muita gente adulta

  Que nem quer raciocinar.


   11 Temos no mundo de hoje

  A corrida que não cessa,

  Quando parece que para ,

  A largada recomeça;

  É guarda, pedestre, carro

  E buzinadas da pressa.


   12 Vendo um amigo ao volante

  Ameaçado por trás,

  Tomei forma e fui a ele,

  Pedindo-lhe prece e paz,

  Mas ele disse: “Oração?

  Largue mão disso, rapaz!…”


   13 Depois fui auxiliar

  A um antigo companheiro,

  Falei-lhe da fé em Deus

  E ele riu-se, chocarreiro,

  Dizendo que acreditava

  Tão-somente no dinheiro.


   14 E o mundo prossegue assim,

  Entre conflitos gerais;

  Pouca gente fala em Deus,

  O resto nem pensa mais…

  A imprensa quer mais cadeias,

  A rua pede hospitais.


   15 O sofrimento campeia:

  É notícia deprimente,

  E nova onda de assaltos,

  E menino delinquente,

  É rebeldia gritando,

  É gente matando gente…


   16 Dizem que nesse barulho

  É que o progresso se afina,

  Mas sem fé onde estará

  A luz que nos ilumina?

  Aguardemos a resposta

  Da Providência Divina.


Leandro Gomes de Barros


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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