Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Entender conversando — Emmanuel


16 n


Jovens, ecologia e paz social

Foi há dez anos. Era a minha primeira cobertura jornalística. Acabara de entrar no “Diário da Noite”, e o chefe de reportagem, José Donangelo, advertia-me para as dificuldades de uma cobertura que incluísse a presença de Chico Xavier, o médium de Uberaba. Que tipo de dificuldade?

Descobri logo que cheguei à Bienal do Livro, local da tarde de autógrafos de mais um livro psicografado de Chico Xavier. Havia pelo menos 50 mil pessoas na tarde de autógrafos, e chegar próximo ao autor era praticamente impossível. Isso tinha que acontecer logo no meu primeiro dia de trabalho?

Voltei à redação e bati uma reportagem onde não conseguia conter minha admiração pelo fenômeno de massa a que acabara de assistir. Dois anos depois, em Uberaba, tive a oportunidade de assistir à repartição de alimentos com os pobres, uma atitude cristã organizada por dezenas de adeptos do mestre espírita. E mais uma vez impressionava-me a quantidade de pessoas que gravitavam em volta dos ideais de Francisco Cândido Xavier.

Foi em abril deste ano que encaminhei a uma pessoa amiga de Chico Xavier curto questionário, tentando com ele a possibilidade de uma entrevista para o “Jornal de Higienópolis”. Afinal, Chico Xavier hospeda-se numa tranquila rua do Pacaembu quando vem para São Paulo. Uma espécie de personalidade honorária da nossa região.

Qual não foi nossa surpresa ao receber o questionário respondido, detalhadamente, abrindo até para os mais descrentes uma visão de humildade e esperança. E deixando para mim a melhor justificativa para as 50 mil pessoas que eu vira naquela tarde de autógrafos.

Acho que esta entrevista exclusiva vai levar a maioria dos nossos leitores a entender e admirar o mundo de Chico Xavier.

LUIZ COSTA FILHO


168 — UM PEQUENO SERVIDOR

P. — Por que o Sr. é considerado como um dos maiores fenômenos em termos de mobilização de massas no Brasil, capaz de juntar centenas de milhares de pessoas?

R. — A pergunta me honra muito e demonstra a generosidade do entrevistador, mas nunca deixei de reconhecer a minha pequenez e não passo de um servidor pequenino e quase inútil da Doutrina Espírita, hoje com setenta e três janeiros de idade física, com muitos constrangimentos de saúde e em pleno entardecer da existência.


P. — Gostaríamos de ouvir um pouco sobre sua vida, sua formação nos primeiros anos de vida, sobre sua opção pelo Espiritismo.

R. — A resposta mais ampla demandaria muitos lances autobiográficos de que, a meu ver, nos cabe a obrigação de evitar para a tranquilidade dos leitores.


169 — OBRAS PSICOGRAFADAS

P. — Focalizando apenas suas obras psicografadas. Quantas foram, quais as mais difundidas, qual foi a tiragem total desses livros?

R. — Sei que estou nas atividades mediúnicas da psicografia desde 1927, o que não me impediu a vida profissional com a desejável normalidade, pois sou funcionário aposentado do Ministério da Agricultura. Quanto aos livros, recebidos por mim de vários Benfeitores Espirituais, são eles doados legalmente, conforme instruções dos autores desencarnados, às instituições editoriais da Doutrina Espírita em nosso País. Não compartilho dos empreendimentos editoriais desses livros que são entregues a instituições dignas que nos merecem o maior respeito, de vez que são destinados a obras de educação espiritual e de assistência nas cidades e regiões em que são publicados. Somente essas editoras poderão responder sobre a quantidade dos volumes até agora lançados e sobre a preferência dos leitores. De minha parte, apenas posso informar que até agora, 1983, já foram publicados duzentos e vinte e dois volumes, sobre assuntos diversos.


170 — MENSAGEM AOS JOVENS

P. — Num país jovem como o nosso, qual a mensagem que o senhor deixaria para os jovens?

R. — Sempre acreditei que sem estudo e disciplina, trabalho e responsabilidade é impossível construir um futuro melhor para a comunidade humana.


171 — DESTRUIÇÃO DA NATUREZA

P. — Nos últimos tempos o homem vem destruindo paulatinamente a Natureza. Qual a opinião do Espiritismo sobre esta triste tendência?

R. — A nossa resposta está contida na pergunta. A destruição dos recursos da Natureza, mesmo a título de progresso, é uma triste tendência dos homens da atualidade. E cremos que semelhante agressão à vida natural se fará seguida por amargas consequências de que o tempo trará notícias à Humanidade Terrestre.


172 — CONVIVÊNCIA PACÍFICA

P. — Na sua opinião, o que é necessário para chegar mais próximo dos padrões ideais de convivência entre os homens?

R. — Segundo admitimos, o padrão ideal para a convivência pacifica entre as criaturas da Terra, está contido naquele inesquecível mandamento de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. ( † ) Quando este preceito for praticado, certamente usufruiremos a felicidade do Mundo Melhor com que todos sonhamos.


173 — PAZ E SEGURANÇA NAS GRANDES CIDADES

P. — Numa cidade agitada como São Paulo, qual seria o conselho a seus habitantes?

R. — Cremos que o respeito recíproco, dentro da distribuição do trabalho, orientado pela administração correta dos negócios públicos é a fórmula ideal para a garantia da paz e da segurança em todas as cidades dos tempos modernos.


174 — O MAIOR OBJETIVO

P. — Qual é hoje o maior objetivo de Chico Xavier, após tantos anos de trabalho espiritual?

R. — O meu objetivo, realmente, será sair melhor da vida física do que entrei. Isso demanda um aperfeiçoamento individual de que me reconheço muito distante.


175 — TAREFAS EM UBERABA

P. — Gostaríamos de saber um pouco sobre sua obra em Uberaba.

R. — Em Uberaba, cumpro com a regularidade possível, o meu dever de médium espírita, comparecendo às nossas reuniões públicas no Grupo Espírita da Prece, nas noites de sexta e sábado. Quanto ao mais, tenho a vida de um médium mais imperfeito do que os outros, lutando constantemente contra as falhas e defeitos de que sou portador, na condição de criatura humana, sem qualquer predicado especial.


.Francisco Cândido Xavier

.Emmanuel


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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