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Doutrina-escola — Autores diversos ©

 

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Na trilha de Allan Kardec

1 Estudando a vida espiritual, além do túmulo, Allan Kardec, o eminente Codificador da Nova Revelação, apresenta em “O Livro dos Espíritos” algumas definições que será oportuno examinar, a fim de que nós outros, tarefeiros encarnados e desencarnados do Espiritismo, estejamos vigilantes nas responsabilidades que o Plano Superior nos conferiu.

 

2 Na pergunta 226, (Lde) indaga o apóstolo da Codificação:

— “Poder-se-á dizer que são errantes todos os Espíritos que não estão encarnados?

3 E os seus elevados mentores responderam:

— “Sim, com relação aos que devam reencarnar. Não são errantes, porém, os Espíritos puros, os que chegaram à perfeição. Esses se encontram em seu estado definitivo.”

4 Segundo é fácil deduzir, “Espíritos errantes”, na elucidação, não significa Espíritos vagabundos, desocupados, inertes, mas sim sem residência fixa, qual ocorre com todos nós, de vez que, de conformidade com a palavra dos instrutores de Allan Kardec, somente não são considerados “errantes” aqueles “que chegaram à perfeição”, da qual, todos nós, a generalidade das criaturas terrestres, ainda nos achamos imensamente distantes.

 

5 Na pergunta 227, (Lde) inquire o grande servidor da Verdade:

— “De que modo se instruem os Espíritos errantes? Certo não o fazem do mesmo modo que nós outros?

6 E o esclarecimento veio, preciso:

— “Estudam e procuram meios de elevar-se. Veem, observam o que ocorre nos lugares aonde vão; ouvem os discursos dos homens doutos e os conselhos dos Espíritos mais elevados e tudo isso lhes incute ideias que antes não tinham.”

7 A resposta é segura. Os “Espíritos errantes”, isto é, nós outros, os viajores em demanda da perfeição suprema, inclusive a maioria das almas reencarnadas que permanecem na curta romagem do berço ao túmulo e que ainda voltarão muitas vezes ao educandário da carne, encontramos oportunidades de estudo e meios de elevação.

8 Ora, quem diz “estudo e elevação” refere-se a esforço e trabalho, disciplina e progresso. Assim é que tanto na experiência física quanto na experiência espiritual, propriamente consideradas, nós, os viajores da senda evolutiva, não nos achamos órfãos da organização que nos define os méritos e os deméritos.

9 Compreender-se-á, então, logicamente, que civilização e autoridade, agrupamento e ordem, escola e dignificação, hospital e penitenciária, embora diferenciados na expressão, escalonam-se e vigem para nós, os milhões de encarnados e desencarnados que vivemos ainda tão longe do acrisolamento absoluto.

 

10 Na Pergunta 229, (Lde) interroga o Codificador:

— “Por que, deixando a Terra, não deixam aí os Espíritos todas as más paixões, uma vez que lhes reconhecem os inconvenientes?

11 E os orientadores aduziram:

— “Vês nesse mundo pessoas excessivamente invejosas. Imaginas que, mal o deixam, perdem esse defeito? Acompanha os que da Terra partem, sobretudo os que alimentaram paixões bem acentuadas, uma espécie de atmosfera que os envolve, conservando-lhes o que têm de mau, por não se achar o Espírito inteiramente desprendido da matéria. Só por momentos ele entrevê a verdade, que assim lhe aparece como que para mostrar-lhe o bom caminho.”

12 A elucidação não deixa dúvidas. Carregamos para além do sepulcro a sombra das ações deploráveis em que nos envolvemos, por efeito das paixões que acalentamos no próprio ser.

13 Somos prisioneiros das imagens infelizes a que nos afeiçoamos, quando na extensão do mal aos outros e a nós mesmos, imagens essas que se imobilizam, temporariamente, em nossa vida mental, detendo-nos nas grades do remorso e do arrependimento, até que atendamos à expiação necessária.

14 Em tais condições, a visão das verdades divinas surge em nossa consciência, tão somente à maneira de relâmpago nas trevas que nós mesmos criamos, descerrando-nos o caminho regenerador que nos compete aceitar e seguir.

15 A morte física, como é racional, não nos subtrai, de improviso, dos íntimos refolhos do Espírito, as consequências dos erros nefastos a que nos precipitamos, de vez que os pensamentos oriundos das faltas cometidas nos entrançam a alma às imposições do resgate.

 

16 Na pergunta 230, (Lde) consulta o notável missionário:

— “Na erraticidade, o Espírito progride?

17 E os Benfeitores informam:

— “Pode melhorar-se muito, tais sejam a vontade e o desejo que tenha de consegui-lo. Todavia, na existência corporal é que põe em prática as ideias que adquiriu.”

18 Outra vez reconhecemos os veneráveis mensageiros interessados em destacar a necessidade de serviço e educação, além-túmulo, aclarando, ainda, que todos nós, “os viajores da evolução”, despendemos muitos séculos adquirindo ensinamentos na Vida Espiritual e aplicando-os na Esfera física, de modo a assimilarmos com segurança, a golpes de trabalho no campo do tempo, os valores da perfeição.

 

19 Ainda na Pergunta 232, (Lde) Kardec argui, meticuloso:

— “Podem os Espíritos errantes ir a todos os mundos?

20 E a explicação veio clara:

— “Conforme. Pelo simples fato de haver deixado o corpo, o Espírito não se acha completamente desprendido da matéria e continua a pertencer ao mundo onde acabou de viver, ou a outro do mesmo grau, a menos que, durante a vida, se tenha elevado, o que, aliás, constitui o objetivo para que devem tender seus esforços, pois, do contrário, não se aperfeiçoaria. Pode, no entanto, ir a alguns mundos superiores, mas na qualidade de estrangeiro. A bem dizer, consegue apenas entrevê-los, donde lhe nasce o desejo de melhorar-se para ser digno da felicidade de que gozam os que os habitam, para ser digno também de habitá-los mais tarde.”

21 A resposta é tão brilhantemente positiva que não requisita comentários. Vale, todavia, dizer que, muitas vezes, em desencarnando a alma do veículo de sangue e ossos, não se liberta mentalmente da experiência a que ainda se prende na vida terrestre, em torno da qual gravita por tempo indeterminado.

 

22 Ninguém acredite, pois, que o túmulo seja depósito de asas destinadas à elevação de quem não procurou elevar-se durante a passagem pelo seio da Humanidade.

23 Ascensão pede leveza.

24 Triunfo verdadeiro reclama heroísmo e glória.

25 Sublimação exige amor e sabedoria.

26 Felicidade não dispensa equilíbrio.

27 O preço da perfeição é trabalho contínuo de engrandecimento da alma.

28 Ninguém espere, assim, depois da morte, repouso e bem-aventuranças que não soube conquistar por si mesmo.

29 Serviço e hierarquia, aprendizado e aprimoramento são imperativos a que não conseguiremos fugir, tanto do berço para o túmulo quanto do túmulo para o berço, se desejamos marchar para a Vida Superior…

30 E enunciando semelhante realidade, não estamos fazendo mais que acompanhar a trilha de Allan Kardec, nas lições que o apóstolo admirável entesourou, em nosso benefício, há cem anos.

 

.André Luiz

 


(Mensagem recebida em 1957, no 1.º Centenário de lançamento de “O Livro dos Espíritos”)

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.