Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Dádivas de amor — Maria Dolores


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Rotina

  1 Alma querida, às vezes, choras

  Na rotina que acolhes por dever

  Pelo fio das horas

  Que o relógio te aponta

  No que tens a fazer.


  2 É a profissão que te reclama tempo,

  É o lar, pedindo-te atenção,

  Através de pequenos compromissos,

  E o tempo voa

  Qual dádiva do Céu que passa em vão.


  3 Mas a rotina inclui outros problemas:

  É o carinho de alguém que chega de improviso,

  É o amigo que vem

  Recordar quanto é preciso

  Trabalhar para o bem.


  4 É o parente que chega para confidências,

  Largou-se do trabalho por minutos,

  Num estreito intervalo.

  Fala das provações que está sofrendo

  E faz-se imprescindível confortá-lo.


  5 E o dia passa nas tarefas

  E nos encontros com que não contavas…

  O Sol se foi e eis que a sombra se inclina

  Por toda a casa e ouço-te o lamento:

  — “Como é triste a rotina!”


  6 Entretanto, alma irmã, ainda hoje,

  Pude cumprimentar pessoas generosas

  Aturdidas por amargura imensa…

  Desejam trabalhar mas não conseguem,

  Algemadas ao peso da doença.


  7 Acompanhei equipes de visita

  Aos irmãos que tateiam livros, vasos, flores,

  Segregados em rude solidão…

  Anseiam abraçar amigos que aparecem

  Mas estão cegos da visão.


  8 Diversos companheiros vi, de perto,

  Mostrando no silêncio

  Raciocínios agudos…

  Pretendem dialogar, trocando ideias,

  Entretanto, estão mudos.


  9 Abeirei-me de muitas criaturas

  Em estradas e ermos esquecidos

  Aguardando o socorro que não vem…

  Recordam com saudade os entes que mais amam

  E não surge ninguém!…


  10 Reflete nos irmãos, em grandes provas,

  Que vivem sem a mínima esperança,

  Da esperança que adoça os dias teus…

  E, louvando a rotina que te guarda,

  Rende graças a Deus!…


Maria Dolores


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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