Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Claramente vivos — Familiares diversos


8


Filho de volta

1 Mãe querida, meu Pai, peço para que me abençoem.

2 Tudo está claro diante da memória. Havia regressado do Clube, sem haver cometido qualquer extravagância. n Estava sóbrio, pensando, pensando…

3 A noite de alegria não me alcançara o espírito e retirei-me, de volta à casa. Queria descanso, paz.

4 O cérebro era um turbilhão de sombras, como se essas sombras estivessem esbraseadas por chamas de ideias contraditórias que me turvavam o discernimento.

5 Muitas vezes, nos dias que antecederam o meu gesto impensado, imaginara que a vida não era um campo adequado para mim.

6 As lições dos tempos de menino me freavam os impulsos. O anseio do fim para os meus conflitos de rapaz chegara, naquela noite, ao ponto mais alto. Queria companheiros e sentia sede de solidão ao mesmo tempo.

7 Voltei, com a certeza de que mantinha o controle de meus próprios pensamentos, ignorando que forças diferentes se impunham ao meu cérebro. Não quero dizer que me via sem responsabilidade, à maneira de um barco sem remo e sem direção. 8 Minha parte de recursos mentais em qualquer decisão era uma faixa muito grande que poderia movimentar, em meu próprio auxílio. n Mas exagerava os meus obstáculos de rapaz inexperiente e isso punha em risco o governo da minha própria vontade.

9 Entrando em casa, lembro-me perfeitamente que a televisão apresentava outra festa. Era um concurso de misses, que interessava à nossa querida Ipe. Eu que saíra de um ambiente de alegria calma, encontrava outro de carinho tranquilo, em que o tom festivo comandava as manifestações.

10 Pensei na senhora, mamãe, refleti no papai, meditei na vida e somei todas as minhas inquietações, conseguindo certa média errada.

11 Não coloquei as bênçãos que eu possuía na conta em que me isolava por dentro de mim mesmo; 12 agi, como quem, num abençoado carinho, não visse o céu, nem sentisse o ar puro, não admirasse a Natureza e nem guardasse qualquer ideia dos tesouros de afeto que Deus me concedia no lar, 13 detendo-me, unicamente, a enfileirar poeira e lama, pedras e espinhos da estrada para retirar uma equação positivamente falsa das parcelas infelizes que ajuntava 14 e, desmemoriado, a deixar me influir por inteligências estranhas à minha faculdade de julgar e de observar, por mim próprio, esqueci momentaneamente quanto devia aos familiares e amigos queridos, e penetrei o quarto, decidido a perpetrar o meu engano derradeiro…

15 Superexcitado, recordo que em luta com as forças que me oprimiam, ainda me restava um recanto de compreensão na cabeça e escrevi qualquer cousa, para retirar dos meus qualquer noção de culpa, e de mão suplementada por mãos invisíveis, disparei o gatilho. n 16 Tudo, num instante, baqueou diante de mim, sem entender que eu mesmo é quem baqueava…

17 Quis gritar por seu carinho, querida mãe, no entanto, o sangue me invadia todos os agentes de comunicação, à maneira das águas repentinamente desatadas numa represa longamente fortalecida.

18 Alguns minutos, estive eu mesmo, a sós comigo, vendo e ouvindo o que se passava. Não sei bem se foi a Ipe que se aproximou primeiramente de mim, mas ouvi as suas palavras, mamãe, quando as suas mãos estenderam para as minhas.

19 Nunca me senti tão fraco e tão longe dos seus exemplos de fortaleza e entendimento da vida, como naqueles minutos inesquecíveis, em que me reconhecia, realmente, iludido e covarde. 20 Perdoe, mamãe, se me lembro dessa palavra “covarde”. n Realmente, me reconhecia covarde, sem desculpa, sem justificação.

21 Uma ânsia temível de voltar no tempo se apoderou de mim… Queria novamente falar com a senhora e com meu pai, desabafar o coração, despreocupar-me da arma e conversar sobre o que me levava às perturbações de que me via possuído, entretanto, era muito tarde…

22 Notei que braços fortes me transportavam para fora. Ouvi vozes que me pareceram do meu tio Arnaldo, do Nelson e do Carlinhos… n

23 A dor se aliava com a aflição, em meu cérebro, e não consegui ver mais nada desde que me observei colocado quase inerte num carro… 24 os movimentos do auto com que me sacudiam, e perdi a noção de mim mesmo… Despertar foi um sofrimento muito mais agudo… O sangue não esgotara…

25 Só muito depois, vim a saber que os filetes de sangue que me desciam da ferida feita por mim mesmo, tinham a vida de meu próprio arrependimento, estampado na memória.

26 Muito a custo, percebi, entre os que me tratavam, na casa de socorro, em que me supunha vivo em meu corpo físico, tanto quanto antes da triste ocorrência, a presença de vovó Hipólita e do meu avô Manoel, n que me cercaram de atenções.

27 Envergonhado, não conseguia fitar-lhes a face protetora, porque eu não sabia se chorava ou se devia dar vazão aos gritos de minha angústia, porque as dores da cabeça eram tão vivas como se eu estivesse em nossa casa mesmo.

28 Recebi o amparo de muitos amigos, mas, sem que eu saiba, a extensão do tempo em que perdurou a minha perturbação, passei ao domínio de mim próprio, quando um médico de minha nova vida veio ao meu encontro, evidentemente atendendo às rogativas de minha avó Hipólita, que é hoje para mim outra mãe. 29 Ela me disse que esse benfeitor é o Dr. José Ferreira n que, por sua vez, me perguntou se eu era filho de João Ponciano… n Esforcei-me para coordenar os pensamentos, e recordei o Oliveira do papai.

30 Tudo ficou esclarecido e comecei a melhorar, mas não posso ainda me fixar em excesso nas lembranças que estou relacionando, porque uma sensação de queda me vem de imediato à vida mental e confesso que, há mais de um ano, estou me preparando a fim de escrever esta carta.

31 Mamãe querida, querido papai, perdoem-me. Recebi tanto e peço mais. Rogo para que me esqueçam a falta cometida, e cometida sem razões justas, porque bastaria que eu tivesse suficiente coragem para me afastar de certos relacionamentos e de certos anseios de rapaz mentalmente despreparado para aguentar determinadas lutas íntimas, e teria vencido em mim mesmo as influências nocivas que me atacavam… 32 Aqui nestas linhas, escrevo com minhas próprias lágrimas em forma de letras… Desculpem o filho fraco e sem memória que fui, e lembrem-se de que os amo, de que nunca me esqueci das bênçãos que recolhi de casa e do imenso carinho com que me enriqueceram a vida.

33 Mãe, não pense que as suas recomendações houvessem sido demasiado severas para mim. Suas opiniões foram sempre a lógica iluminada do coração materno, quando enraizado na fé em Deus.

34 Todos os seus conselhos visavam à nossa paz. A senhora e meu pai a tudo renunciaram na vida para que nós, os filhos, fôssemos felizes.

35 Ah! ninguém por aí consegue imaginar como dói o remorso de não havermos valorizado a dedicação dos que nos amam, quando já não dispomos de meios para retificar os nossos próprios gestos. Nossa casa nunca foi tão rica e tão feliz para mim como agora, em que a deixei.

36 Mas a Bondade de Deus me permite dizer isto aqui, de modo a confirmar-lhes que melhorei para ser quem devo ser. Perdoem se me confundi em tantos espinheiros de incompreensão, dos quais devia ter afastado os meus pés.

37 Compromissos que não podia assumir para comigo mesmo se enrolaram de tal maneira por dentro de mim que, embora eu tivesse todos os recursos à minha disposição para o retorno à tranquilidade, não consegui evitar a queda, em que me projetei num círculo de conflitos maiores, muito maiores do que aqueles que eu imaginava na Terra não conseguir suportar.

38 Pouco a pouco, vou melhorando. Agradeço todo o amor com que me recordam.

39 Aquelas preces e aquelas flores n no ponto em que ficaram minhas derradeiras lembranças são semelhantes a estações de um telégrafo pelo qual me enviam as mensagens e orações que me endereçam.

40 Escorado no carinho dos pais queridos é que vou encontrando novas razões para reaprender ensinamentos de que, por minha infelicidade, cheguei a esquecer. Sempre compareço com outros amigos às horas de comunhão simples em que nos achamos, uns à frente dos outros.

41 Quando visitarem o lugar de recordações a que me refiro, coloquem, por favor, a luz de uma prece pelos irmãos Ernesto e Antônio Augusto, n que deixaram as suas próprias lembranças ao lado das minhas.

42 A vida na morte não é a morte na vida e sim mais vida, a desafiar-nos para viver intensamente.

43 Mãe, peço ao seu carinho zelar por nosso querido Nelson, como se ele fosse o meu substituto real em tudo, nos assuntos da vida e da família. Hoje, aprendo de novo a tomar contato e rogo a Deus para que ele e Ipe estejam livres das influências que pesaram tanto sobre mim.

44 À nossa querida Madalena, n que até hoje me recorda nas orações, o agradecimento de quem é agora para ela um irmão reconhecido.

45 Estimaria recordar todos os amigos e todas as amigas com as minhas notas de alegria, como de outras vezes, mas ainda não consigo disposição para falar em bom humor, quando tanto trabalho espiritual por dentro de mim está me compelindo a uma longa revisão de meus próprios assuntos.

46 Se alguma de minhas amizades se referir a qualquer nota de receio quanto à minha volta, em espírito, de vez que com muita gente brinquei afirmando que retornaria da morte para dar-lhes sinais, peço seja dito para que não se preocupem. Aqui, nos ensinaram os nossos verdadeiros amigos que não se deve sacudir ninguém à força para a Verdade, porque os sinais da verdade alcançarão a todos, algum dia.

47 Ainda assim, quando puderem ver o nosso estimado Gão, n rogo digam a ele que tomei o ônibus errado e que ele me represente, junto das nossas afeições, afirmando que estou formulando votos pela felicidade de todos.

48 Pai, o vovô Manoel está presente com um amigo que nos dedica especial atenção. Atende esse benfeitor pelo nome de Donato Cicci, n e creio que o senhor poderá recordá-lo.

49 Deixo aqui para a tia Carmen, n para o tio Antônio, n para a vovó Dolores, vovô Higino n e vovó Otávia, n e para com todos os nossos familiares, um grande abraço que procuro centralizar na pessoa de nosso Eurípedes, n que hoje estou compreendendo melhor. Agradeço aos amigos que vieram orar conosco.

50 Mamãe sabe que eu estava aguardando a minha própria maturação para aproximar-me dessa bendita Doutrina que aí mesmo no mundo, nos ensina a tratar com a vida e com a morte, em termos de segurança.

51 Muito carinho ao Nelson e Maria Eurípedes, de que sou grato às preces e bons pensamentos de todos os amigos em meu favor.

52 E agora, querida mãe, chegou o instante do “até depois” Receba com papai todo o amor do filho que lhes roga perdão, com a certeza de que já me desculparam e sempre me protegerão na caminhada para a frente.

53 Recebam meus queridos velhos sempre mais moços pelo coração, toda a vida repleta de carinho e esperança do filho que os ama cada vez mais,


.1000ton

Milton Higino de Oliveira n


SUICÍDIO E RESPONSABILIDADE


De nossa visita aos pais de Milton — Sr. João Batista de Oliveira e D. Maria Higino Batista —, residentes à Rua Visconde do Rio Branco, 41, em Uberaba, na tarde de 30 de dezembro de 1978, resultou a seguinte série de itens sobre o capítulo anterior “Filho de Volta”:


1 — Milton Higino de Oliveira, que sempre assinava 1000ton em seus bilhetes, inclusive no que deixou como despedida para os pais, nasceu e desencarnou em Uberaba, respectivamente, a 21 de fevereiro de 1947 e 30 de julho de 1972. Seis meses antes da ocorrência, trabalhava numa casa de peças para tratores. Fazia o último ano do Curso Técnico de Contabilidade, no Colégio São Benedito.


2 — “Havia regressado do Clube, sem haver cometido qualquer extravagância.” — Com efeito, seus pais e a Srta. Maria Eurípedes — sua irmã —, confirmam este tópico, inclusive a referência ao concurso de misses a que ela — Ipe — assistia pela televisão.


3 — “Não quero dizer que me via sem responsabilidade, à maneira de um barco sem remo e sem direção. Minha parte de recursos mentais em qualquer decisão era uma faixa muito grande que poderia movimentar, em meu próprio auxílio.”


A propósito, vejamos o que diz Allan Kardec, na Revista Espírita 1867n

“Lendo o romance (L’Assassinat du Pont-Rouge) do Sr. Charles Barbara, poder-se-ia crer que fosse Espírita fervoroso. Entretanto, não o era. Como dissemos, morreu numa casa de saúde, atirando-se pela janela num acesso de febre cerebral. Era um suicídio, atenuado pelas circunstâncias. Evocado pouco tempo depois na Sociedade de Paris, e interrogado quanto às suas ideias tocante o Espiritismo, eis a comunicação dada a respeito:

(PARIS, 19 DE OUTUBRO DE 1866 — MÉDIUM, SR. MORIN)

“Permiti, senhores, a um pobre Espírito infeliz e sofredor, vos pedir autorização para vir assistir às vossas sessões, todas de instrução, de devotamento, de fraternidade e de caridade. Sou o infeliz que tinha o nome de Barbara e, se vos peço esta graça, é que o Espírito despojou o homem velho, e não se crê mais tão superior em inteligência, que se julgava em vida.

Agradeço-vos a vossa chamada e, tanto quanto estiver em mim, vou tentar responder à pergunta motivada por uma página de uma de minhas obras. Mas eu vos pediria, previamente, comunicar o meu estado atual, que se ressente fortemente da perturbação, aliás muito natural, que se experimenta ao passar bruscamente de uma a outra vida.

Estou perturbado por duas causas principais: a primeira é devida à minha provação, que era de suportar as dores físicas que experimentei, ou antes, que meu corpo experimentou, quando me suicidei. — Sim, senhores, não temo dizê-lo, eu me suicidei, porque se meu Espírito estava perdido por momentos, eu o recuperei antes de me arrebentar na calçada, e, disse: tanto melhor!… Que falta e que fraqueza!… As lutas da vida material estavam terminadas para mim, meu nome era conhecido, não tinha mais senão marchar a via que me era aberta e tão fácil de seguir!… Tive medo!… entretanto, às horas de incerteza e de desencorajamento tinha lutado apesar de tudo. A miséria e suas consequências não me tinham desanimado e foi quando tudo estava acabado para mim, que exclamei: O passo está dado; tanto melhor!… não terei mais que sofrer! Egoísta e ignorante!…”


4 — “Superexcitado, recordo que em luta com as forças que me oprimiam, ainda me restava um recanto de compreensão na cabeça e escrevi qualquer cousa, para retirar dos meus qualquer noção de culpa e de mão suplementada por mãos invisíveis, disparei o gatilho.” A existência do bilhete-despedida foi confirmada pelos familiares.


5 — “Perdoe, mamãe, se me lembro dessa palavra ‘covarde’.” — De fato, ao defrontar-se com o filho a se esvair em sangue, eis o que lhe disse a genitora: — Oh! meu filho! Covarde! Se você tinha tantos problemas, por que não me falou? Nós resolveríamos juntos!


6 — “Aquelas preces e aquelas flores…” — Todos os domingos, a família de Milton nunca deixou de lhe levar flores ao túmulo.


A esse respeito, D. Maria nos conta que numa das visitas do médium Xavier ao cemitério local, indo ao recanto onde repousam os restos mortais de Milton, o Espírito deste rogou ao Chico para lhe presentear com rosas, de vez que os Espíritos Amigos estavam retirando recursos medicamentosos delas, com vistas a reequilibrá-lo no Plano Extra-físico.

Semelhante fato vêm nos lembrar de que na Terra — por enquanto mundo de provas e expiações —, não podemos criticar essa ou aquela atitude tomada por alguém, cabendo-nos, antes, abençoar todas as criaturas com as características que lhes são próprias.

Deve se recordar o prezado leitor que o Espírito de Almiro, no Cap. 3 de Presença de Chico Xaviern roga à esposa se abster de levar qualquer lembrança ao túmulo.

E, no livro Entre Duas Vidasn o Espírito do então garoto Jáder Eustachio Guimarães de Macedo pede aos pais transformarem as rosas em pão.

Não existe contradição alguma. Apenas situações diferentes vividas por Espíritos residentes no mesmo plano — o Extra-corpóreo —, a recordar-nos que a tudo devemos apor a nossa bênção, e que tudo está certo nos caminhos de Deus.


7 — Tio Arnaldo, Nelson e Carlinhos: Os que prestaram os primeiros socorros ao jovem suicida, além de seu pai. Trata-se de: Arnaldo e Carlos Higino dos Reis. Nelson: irmão de Milton e distinto funcionário da Polícia Federal Rodoviária, dono da arma de que se serviu o jovem para forçar os umbrais da desencarnação.


8 — Vovó Hipólita e meu avô Manoel: D. Hipólita dos Santos, bisavó materna, já desencarnada. Sr. Manoel Antônio de Oliveira, avô paterno, desencarnado há 37 anos.


9 — Dr. José Ferreira: Trata-se do Dr. José de Oliveira Ferreira, destacada figura da Medicina Uberabense. Nasceu em Uberaba, a 13 de agosto de 1864, “à Rua Manuel Borges (antiga Rua Direita), onde hoje se encontra a casa de número 43”, segundo o Dr. José Mendonça, n desencarnando a 2 de julho de 1951.

Foi grande benfeitor da Santa Casa de Misericórdia de Uberaba, onde prestou serviços gratuitos, de 1895 até à desencarnação, e quem conseguiu dotar a cidade com a luz elétrica, cujos serviços foram inaugurados a 5 de janeiro de 1905.

“Era um homem de estirpe,” — lê-se na primeira página do Lavoura e Comércio n — “um autêntico representante da aristocracia dos valores, o que hoje encerrou a sua trajetória por este mundo.

Foi um bom, na expressão exata do vocábulo, e um elemento que soube ser sempre útil aos seus e à grande família uberabense e triangulina.”

Existe uma rua com o seu nome, e o único educandário da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade existente em Uberaba, se chama “Escola da Comunidade Dr. José Ferreira”.

Nos idos de 1943, a genitora do comunicante, segundo informação dela, D. Maria Higino, trabalhou em serviços domésticos, na residência do Dr. José Ferreira.


10 — Filho de João Ponciano: Na verdade, a família do Sr. João era conhecida como Ponciano, por ter sido originária do Patrimônio dos Ponciano, Município de Conceição das Alagoas, Estado de Minas Gerais.


11 — Irmãos Ernesto e Antônio Augusto: O túmulo de Milton, com efeito, se encontra entre os dos citados irmãos. Pesquisando no Cartório de Registro Civil, constatamos:

a) Ernesto Felício Manso (23 de dezembro de 1917 — 29 de julho de 1972);

b) Antônio Augusto de Oliveira ( 14 de fevereiro de 1910 28 de julho de 1972).


12 — Nossa querida Madalena: Jovem muito estimada pelo Milton.

A propósito do valor da prece, consultemos o nº 997 de O Livro dos Espíritos, e o nº 8 do Cap. II e n.os 5 a 15 do Cap. XXVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, ambos de Allan Kardec.


13 — Nosso estimado Gão: O Espírito se refere a Jairo Salerno, hoje estudante de Medicina, em Barbacena, Estado de Minas Gerais.


14 — Sr. Donato Cicci: Nasceu em Pettorano, Sul Gizio, Itália, a 26 de março de 1891, e desencarnou em Uberaba, onde foi comerciante e industrial muito benquisto, e onde existe uma rua com o seu nome, a 25 de maio de 1968. Segundo o Sr. João, o avô de Milton era carroceiro e, com certeza, fez carretos para o Sr. Cicci.


15 — Tia Carmen: D. Carmen Higino dos Reis, tia materna.


16 — Tio Antônio: Sr. Antônio Santos, filho de D. Hipólita e tio de D. Maria, mãe do comunicante.


17 — Vovó Dolores e vovô Higino: Avós maternos, residentes em Uberaba.


18 — Vovó Otávia: D. Otávia Benedita dos Reis.


19 — Nosso Eurípedes: O Espírito se refere ao seu primo, o Dr. Eurípedes Higino dos Reis, distinto cirurgião-dentista uberabense.


Conclusões: A mensagem de 1000ton, recebida em sessão íntima, na noite de 1º de agosto de 1978, que enuncia detalhes, passagens e nomes absolutamente desconhecidos do médium, ostentando, por isso mesmo, o seu cunho de autenticidade, é, do ponto de vista doutrinário, muito importante, porque vem confirmar os itens 14 a 17 do Cap. V de O Evangelho segundo o Espiritismo.

Segundo a genitora de Milton, este afirmava: 1 — “Não tenho religião, mas acredito no Chico Xavier.”; 2 — “Se a morte for um descanso, eu prefiro morrer cansado.”

Nunca demonstrou, ostensivamente, qualquer tendência para o suicídio.

Ora, o que podemos concluir de tudo isso?

Que a Milton faltou a resistência espiritual conforme ele próprio reconheceu válida .a opinião materna a seu respeito, nos últimos momentos do corpo físico.

Que todos os pais de família, portanto, procurem combater a propagação das ideias materialistas — “o veneno que inocula num grande número de pessoas o pensamento de suicídio” —, com a divulgação da verdade espírita, através de mensagens volantes, do livro e do próprio exemplo.

Seguindo a orientação da Psicologia oficial no que for possível, mas e principalmente, procurando viver os princípios do Espiritismo na prática evangélica, dentro de casa e junto aos sofredores de todos os níveis sociais em seus respectivos redutos transitórios, louvemos o Cristo e reverenciemos Allan Kardec, a fim de adquirirmos a coragem moral que há de servir de suporte para os espíritos — filhos de Deus — em evolução, que se corporificarem em nossos lares, com reflexos condicionados de práticas autoeliminatórias.

Para encerrar, um fato curioso, narrado por D. Maria Higino Batista: é que uma das tias de Milton vem, ultimamente, tendo sonhos, nos quais sempre ocorre o mesmo diálogo entre ela e o sobrinho desencarnado.

— Quero nascer, titia, por intermédio da senhora. Arranje para mim um corpo, a fim de que eu possa voltar à Terra!

— Não, Milton, eu tenho medo de que você volte a repetir o que fez na última encarnação. Queira me perdoar, mas não me peça um corpo, meu filho, pelo amor de Deus!

Por que fizemos, leitor amigo, semelhante apontamento?

Para que todos nós, os Espíritos em trânsito pela Terra, não fiquemos ansiosos em demasia ante quaisquer dificuldades que venham nossos filhos a encontrar, no mundo, a benefício deles mesmos.

A nosso ver, devemos, isto sim:

1) combater em nós o egoísmo e o orgulho, com o que entraremos na prática efetiva da caridade material e moral;

2) colocar nossos filhos a trabalhar, desde cedo, de preferência nos serviços mais humildes, não lhes facilitando vida de excessivo conforto físico, atentos a que a grande maioria de nosso povo — cerca de 80% — vive com salários modestos, tudo naturalmente de acordo com a lei do merecimento, a que todos, inapelavelmente, estamos submetidos — Lei da Justiça Misericordiosa de Deus;

3) efetuar o Culto Evangélico no Lar, pelo menos, semanalmente;

4) participar, toda a família, das atividades do templo religioso a que estiver vinculada, sacrificando, com alegria, muitos programas de vida aparentemente alegres, mas, por vezes, inúteis.

Quanto ao mais, orando e vigiando, entreguemo-nos, dia e noite, ao exercício do Bem, perdoando setenta vezes sete vezes, quaisquer ofensas recebidas, segundo a recomendação de Jesus.

Só assim, cremos nós, conseguiremos, em nós e em muitos dos nossos entes amados, erradicar a possibilidade do suicídio consciente ou inconsciente.


[6] Allan Kardec, Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos — Décimo Ano — 1867, Trad. de Júlio Abreu Filho, Editora Cultural Espírita Ltda. — EDICEL — São Paulo, 1966, pp. 21-22.


[7] Elias Barbosa, Presença de Chico Xavier, 2ª edição, revista, 1979, IDE, Araras (SP), pp. 19-21.


[8] Francisco Cândido Xavier, Elias Barbosa e Espíritos Diversos, Entre Duas Vidas, 3ª edição, 1978, CEC, Uberaba, (MG), pp. 107-111.


[9] José Mendonça, História de Uberaba, Edição Academia de Letras do Triângulo Mineiro, Bolsa de Publicações do Município de Uberaba, 1974,p.169.


[10] Lavoura e Comércio, Ano LII, nº 12.661, Uberaba, 2 de julho de 1951.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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